O ar na sala de comando de Valerius era rarefeito, frio e denso com o peso de informações que poderiam quebrar a mente de um homem comum. O Comandante estava sozinho, de pé diante de uma mesa holográfica que exibia um globo terrestre rotulado "ALFA". Sobre ele, uma nova camada de dados se sobrepunha: um cronômetro, contando regressivamente vinte anos, com o rótulo "AMEAÇA FUTURA - GUERRA DE EXTINÇÃO - 2070".
— Status do Ativo C-37 — disse Valerius para a sala vazia, a voz ressoando com autoridade.
A voz sintetizada da IA da base respondeu. — O Ativo está contido nos aposentos de segurança de nível 7, ala médica. Sinais vitais estáveis. Nenhuma tentativa de comunicação ou fuga.
— Ele não é um prisioneiro. É um convidado — corrigiu Valerius. — Garanta que suas acomodações sejam impecáveis. Acesso a toda a nossa biblioteca de dados não confidenciais. Quero que ele se sinta confortável. Uma gaiola, por mais dourada que seja, ainda precisa parecer um lar.
Ele observou a ameaça em seu holograma. Ele já lutava uma guerra secreta contra invasores de uma Terra espelho, e agora, o futuro lhe enviava um profeta de um apocalipse totalmente diferente. C-37 era a chave. E a ferramenta para girar essa chave, a única pessoa no planeta que provocara uma reação no Ativo, era seu agente mais novo e instável.
— Ative o protocolo de extração psicológica — ordenou Valerius. — Use o Axis.
Em uma sala de debriefing estéril a alguns andares abaixo, a realidade da situação começava a assentar sobre Guilherme como uma mortalha. Ghost estava ao seu lado, imersa em uma interface holográfica, seus dedos traçando linhas de código recuperados do traje de C-37.
— A questão não é se ele está falando a verdade. A tecnologia confirma — disse ela. — A questão é o paradoxo. Se ele nos ajudar a parar a guerra, ele cria uma linha do tempo onde a guerra nunca aconteceu, então ele nunca teria tido um motivo para voltar. A mente explode.
— Eu não estou pensando nisso, Ghost — disse Axis, a voz baixa. — Estou pensando no que ele disse. Que eu sou uma anomalia. Se uma guerra que mata bilhões de pessoas começa... de alguma forma, por minha causa... o que isso faz de mim?
Ghost parou seu trabalho e finalmente olhou para ele. — Isso faz de você a mesma pessoa que era ontem, Gui. Você não é uma bomba-relógio. Você é a variável que o inimigo não previu. Isso te torna perigoso para eles, não para nós.
A porta da sala deslizou para o lado. — Axis. O Comandante exige sua presença.
A ordem de Valerius foi direta e fria. — O Ativo C-37 não fala com nossos psicólogos. Ele não responde a ninguém. Mas ele reagiu a você. Você vai voltar lá. Descubra a 'faísca'. O nome, o lugar, a data. Faça-o falar.
A gaiola dourada de C-37 era um quarto confortável, mas sem janelas. C-37 estava sentado no chão, de costas para a porta.
— Eles me mandaram aqui para te interrogar — disse Axis, entrando. — Eles querem saber sobre a "faísca".
C-37 não se moveu.
— Eu não me importo com isso — continuou Axis. — Eu me importo com o que você disse. Sobre mim. No seu mundo... nós nos conhecemos?
A pergunta pairou no ar. — Conhecer você não é algo que se esquece — disse C-37, a voz abafada.
— Isso foi bom ou ruim?
C-37 finalmente se virou. O olhar em seus olhos era o de um homem olhando para um precipício. — No meu mundo, você era... inevitável. E isso nunca foi uma coisa boa. Sempre terminava da mesma forma.
Ele se levantou, a apatia substituída por uma centelha de intensidade. — Você quer um conselho? Um pedaço do futuro que eu posso te dar? Não confie nas sombras que se parecem com você. E, acima de tudo, não confie cegamente naqueles que lhe dão as ordens.
Um alarme discreto soou no comunicador de Axis. Era um chamado de Ghost. Urgente. Ele saiu, deixando C-37 sozinho com seus fantasmas.
Ele encontrou Ghost e Valerius na sala de comando, ambos olhando para o holograma principal com uma nova urgência.
— O que aconteceu? — perguntou Axis.
— Eu quebrei mais uma camada da criptografia do traje do Ativo — disse Ghost, a voz tensa. — Encontrei registros de missões dele... de antes da guerra. Ele estava investigando figuras-chave de sua época. Um nome se repete, mas não é alguém da nossa era. É um fantasma do passado.
Uma foto de um homem de meia-idade com um sorriso presunçoso apareceu no holograma.
— Doutor Elias Mercer — disse Ghost. — Foi o chefe da Divisão de Bio-Aumento da... Kingdom Corporation.
Valerius franziu a testa. — A Kingdom? Eles entraram em colapso há mais de uma década. Por que um operativo do futuro estaria investigando uma empresa morta?
— Porque Mercer não era especialista em Calêndula, Comandante — respondeu Ghost, trazendo outro arquivo. — Seus diários de pesquisa falam de Radianita. O minério original. Sua teoria era que a Radianita era senciente, volátil. Ele desapareceu pouco antes do colapso da Kingdom, que muitos atribuem a um "acidente de contenção" em seu laboratório principal.
Valerius olhou para Axis, as peças se encaixando em sua mente estratégica. A 'faísca' da guerra de 2070 não era um evento futuro. Era um segredo antigo. Um pecado enterrado de uma corporação caída.
Ele ampliou um mapa, destacando uma ilha remota e não registrada no Pacífico Sul. — A última transmissão conhecida de Mercer veio daqui. Um laboratório desativado da Kingdom.
O Comandante se virou para a sua equipe. Seu rosto era uma máscara de determinação. — Axis, Ghost, Bane. Quero vocês naquela ilha ontem. Encontrem o Doutor Mercer, ou o que restou dele. Descubram a verdade sobre a Radianita.
Axis assentiu, a palavra "anomalia" ainda ecoando em sua cabeça. Ele aceitou a missão, mas a advertência de C-37 soou como um alarme em sua mente. Ele estava sendo enviado para desenterrar o passado, mas não conseguia se livrar da sensação de que estava apenas começando a cumprir um futuro terrível.
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Protocolo Alvorada: O Despertar de Eixo
Science FictionPara proteger um mundo transformado pelo poder da Calêndula, a Corporation Rainbow criou agentes como Axis, um jovem capaz de dobrar a gravidade à sua vontade. Sua missão: caçar um exército fantasma que parece conhecer cada segredo da Rainbow. Mas a...
