A nova estratégia do Protocolo Alvorada era, na sua essência, uma loucura. Em vez de planejar uma captura de alto risco, eles decidiram fazer o impensável: tratar Paradoxo como uma pessoa. A caçada se transformou em um jogo paciente de presença, uma guerra psicológica travada com empatia em vez de balas.
Eles começaram na manhã seguinte. O rastreador de Ghost os levou a um pequeno café no centro histórico de Glasgow. Paradoxo estava sentada em uma mesa de canto, olhando a chuva escorrer pela janela, a xícara de chá intocada esfriando à sua frente. Ela parecia um fantasma, presente, mas completamente desconectada do mundo ao seu redor.
Axis entrou sozinho. Ele caminhou até o balcão, pediu um café grande e um pedaço de bolo, e os colocou na mesa dela. — Você parecia que precisava de um — disse ele, sem esperar uma resposta, e saiu.
Paradoxo olhou para o café fumegante, depois para a porta por onde ele havia saído, a confusão quebrando sua apatia pela primeira vez.
Mais tarde naquele dia, eles a encontraram na Necrópole da cidade, um cemitério vitoriano em uma colina com vista para a cidade. Ela estava sentada em uma lápide antiga, observando os nomes e as datas, uma imortal em meio aos mortos. Desta vez, foi a vez de Ghost. Ela se aproximou, não como uma agente, mas como uma turista. — É fascinante como as coisas sobrevivem ao tempo, não é? — disse Ghost, olhando para as estátuas de anjos cobertas de musgo. — Cada uma dessas pedras conta uma história. Uma vida inteira, com começo, meio e fim.
Paradoxo apenas a encarou com seus olhos cansados. — Algumas histórias são mais longas que as outras — sussurrou ela. — Mas isso não as torna menos importantes — respondeu Ghost, antes de se afastar e deixá-la com seus pensamentos.
Ao anoitecer, a perseguição os levou a um beco industrial, onde Paradoxo parecia observar uma briga de gangue prestes a acontecer. Foi a vez do Duelista. Ele apareceu na outra extremidade do beco, uma silhueta silenciosa contra as luzes da rua. Ele não se aproximou. Ele não falou. Apenas a observou por um longo momento, e então deu um único e leve aceno de cabeça — um gesto de reconhecimento, de um guerreiro para outro. E desapareceu.
Cada encontro era como uma pequena pedra jogada em um lago parado, criando ondulações na superfície de seu niilismo. Ela estava acostumada a ser caçada, temida ou ignorada. Esta persistência gentil e respeitosa a estava desarmando. Ela estava sendo vista.
No dia seguinte, eles a encontraram no Kelvingrove Art Gallery and Museum. Era um lugar de silêncio e beleza, um santuário de histórias preservadas. Axis a encontrou sozinha em uma galeria de artefatos egípcios, olhando para um sarcófago antigo.
— Todas essas coisas... sobreviveram por séculos — começou Axis, parando a uma distância respeitosa. — Elas têm um propósito. Contar uma história. Nos lembrar de quem veio antes.
— E qual é a minha história? — ela retrucou, a voz carregada de um sarcasmo frágil. — A piada que o universo se esqueceu de terminar? A nota de rodapé imortal em um livro sobre mortais?
— Talvez — disse Axis, surpreendendo-a. — Ou talvez sua história ainda não tenha sido escrita. Talvez tudo até agora tenha sido apenas o prólogo.
Ela se virou para ele, a raiva brilhando em seus olhos cansados. — O que você quer de mim? Dinheiro? Poder? Uma arma imortal para a sua guerra particular?
— Não. Nós queremos te dar algo — respondeu ele, a voz cheia de uma sinceridade inabalável. — No nosso time, temos uma curandeira que dedica sua vida a consertar os outros. Uma protetora que daria a vida por sua tribo. Um soldado quebrado que está aprendendo a viver de novo. Nós somos uma coleção de almas quebradas tentando consertar umas às outras.
Ele deu um passo mais perto. — Nós não estamos te oferecendo uma razão para lutar, Paradoxo. Nós estamos te oferecendo uma razão para viver. Para que a sua próxima vida, e a próxima, e a próxima, valham mais do que a última. Estamos te oferecendo um lar. Uma família.
Uma lágrima, a primeira em talvez um século, traçou um caminho no rosto dela. A casca estava finalmente quebrando.
Foi quando as paredes de vidro do museu explodiram para dentro.
Figuras em trajes negros idênticos aos que atacaram o santuário de Égide invadiram o local. Duplos da Terra Ômega. Mas estes eram diferentes. Suas armas não disparavam energia letal; elas disparavam redes de uma energia crepitante e escura. E eles não atiravam em Axis, Ghost ou no Duelista, que já se moviam para a ação. Eles miravam apenas nela.
Paradoxo, pela primeira vez em sua longa existência, sentiu um calafrio de medo genuíno. Eles não estavam ali para matá-la — isso era apenas um inconveniente. Eles estavam ali para capturá-la. Para contê-la. A ideia de uma eternidade em uma jaula era um terror que ela nunca havia contemplado.
Uma das redes a atingiu, envolvendo-a e enviando uma dor fria e entorpecente por seu corpo. Seus poderes vacilaram. — O que... o que é isso? — ela ofegou.
— Tecnologia de supressão quântica! — gritou Ghost pelo comunicador, enquanto disparava contra os duplos. — Eles estão tentando apagar a sua assinatura da realidade!
O medo se transformou em fúria. A ideia de ser apagada, de ter seu ciclo interminável finalmente encerrado por aquelas criaturas sem rosto... era inaceitável. Ela não iria morrer como um animal em uma armadilha.
O Protocolo Alvorada formou um perímetro ao redor dela. Axis criava barreiras de gravidade para bloquear as redes. O Duelista se movia como um raio, cada tiro de sua pistola encontrando a cabeça de um duplo. Mas eles eram muitos.
— Eu não vou ser pega! — gritou Paradoxo, uma decisão se formando em seus olhos.
Ela olhou para Axis, que lutava para protegê-la. Viu a sinceridade de sua oferta. Uma família pela qual valia a pena viver. E, pela primeira vez, ela decidiu que queria viver.
Com um grito, ela sobrecarregou seu próprio corpo. Um dos duplos disparou o tiro fatal em seu peito. E, como no clube, ela sorriu enquanto caía, o corpo se desfazendo em fumaça escura.
Mas desta vez, foi diferente.
Sua forma espectral não ficou passiva. Ela mergulhou sobre um dos duplos, a forma fantasmagórica passando através dele. O duplo gritou, caindo de joelhos enquanto sua energia vital era drenada. A forma de Paradoxo se solidificou instantaneamente atrás dele. Ela pegou a arma do soldado caído e abriu fogo contra os outros.
Ela não era mais passiva. Ela não estava mais apenas sobrevivendo à morte. Ela estava usando a morte como uma arma.
Ela se movia pelo campo de batalha como uma fantasma, morrendo e renascendo, cada ressurreição uma manobra tática. Um duplo a encurralava, ela permitia o tiro fatal, apenas para se reformar em suas costas, quebrando seu pescoço.
O Protocolo observava, maravilhado e aterrorizado. Eles vieram recrutar uma vítima, e encontraram uma das guerreiras mais letais que já haviam visto.
Juntos, eles repeliram o ataque. Os duplos restantes, vendo sua missão de captura falhar, recuaram e desapareceram.
No silêncio do museu destruído, Paradoxo estava de pé, ofegante, o corpo brilhando com a energia residual de múltiplas ressurreições. Ela olhou para Axis, não mais com tédio ou sarcasmo, mas com uma intensidade feroz.
— Ok, Axis — disse ela, a voz rouca de adrenalina. — Você queria me dar uma razão para viver. Parabéns. Você e seus amigos sem rosto acabaram de me dar uma. Vingar-me deles.
Ela estendeu a mão. — Onde eu assino?
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Protocolo Alvorada: O Despertar de Eixo
Fiksi IlmiahPara proteger um mundo transformado pelo poder da Calêndula, a Corporation Rainbow criou agentes como Axis, um jovem capaz de dobrar a gravidade à sua vontade. Sua missão: caçar um exército fantasma que parece conhecer cada segredo da Rainbow. Mas a...
