O interior do Santuário Oculto era um lugar de paz, uma catedral natural de pedra e luz bioluminescente. Égide, com sua calma sobrenatural, ouvia a proposta do Protocolo Alvorada. Sua expressão era de uma tristeza compreensiva.
— Eu entendo a sua luta — disse ela, a voz suave como o musgo sob seus pés. — Mas eu sou uma curandeira, não uma soldado. Meu poder serve para consertar o que a violência de vocês quebra. Eu não serei mais uma de suas armas. A paz não se conquista com mais guerra.
— E o que você faz quando a guerra vem até você? — perguntou Axis.
Antes que ela pudesse responder, os sensores de proximidade de Ghost apitaram, um som agudo e dissonante naquele lugar sereno. — Contato! Múltiplos contatos se aproximando, rápido! Padrão de ataque da Rainbow! — alertou Ghost, seus olhos se arregalando.
O caos irrompeu. Das entradas da caverna, figuras em trajes de black-ops da Rainbow desceram por cordas, atirando granadas de concussão. Mas eles se moviam com uma precisão e elegância que a equipe de limpeza da ilha não possuía. Liderando o ataque, um homem em uma armadura cinza e branca, mais leve e mais ágil que a dos outros, moveu-se como um dançarino da morte. Seus movimentos eram fluidos, cada passo calculado. Era o Duelista.
— Axis. Ghost. Traidores do Protocolo Rainbow — disse o Duelista, a voz amplificada por seu capacete, fria e desprovida de emoção. — Em nome do Conselho, vocês estão presos. Entreguem o ativo Égide e sua rendição será considerada.
— Fale isso para o Mercer! — gritou Axis, erguendo uma barreira de gravidade que absorveu a primeira salva de tiros.
A batalha explodiu na caverna. A tribo da Rastreadora, junto com o Protocolo, respondeu com ferocidade. A Rastreadora enviou suas bestas de energia para flanquear os soldados, enquanto C-37 liberava suas ondas de supressão, fazendo com que os Calêndulos da equipe Rainbow gritassem de frustração ao verem seus poderes se apagarem.
Égide, horrorizada, viu um dos protetores da tribo cair, a perna atravessada por uma rajada de energia. Seu pacifismo e seu juramento colidiram. Com um grito de angústia, ela correu para o lado do homem ferido, as mãos brilhando com uma luz dourada, ignorando os tiros que passavam zunindo por sua cabeça. Ela não era uma combatente, mas se tornou o coração da defesa, correndo pelo campo de batalha, um anjo em meio ao inferno, curando, salvando, mantendo seus defensores de pé.
O Duelista ignorou o caos. Ele tinha um alvo. Ele se moveu através da batalha, desviando de ataques com uma graça sobrenatural. Seus olhos estavam fixos em Axis. — Você é o líder deles. A cabeça da serpente.
— A serpente está no seu próprio ninho! — retrucou Axis, arremessando um pedaço de rocha na direção dele.
O Duelista o estilhaçou com um tiro de precisão de sua pistola. — Chega de jogos.
Ele ergueu a mão, e o mundo ao redor de Axis se desfez. As cores vibrantes da caverna se transformaram em tons de cinza e azul cristalino. Os sons da batalha desapareceram, substituídos por um silêncio opressivo. Eles estavam sozinhos, em uma arena circular de energia sólida que se estendia até o infinito.
— Contrato de Abate ativado — disse o Duelista. — Aqui, apenas a habilidade importa.
Do lado de fora, Henzo viu Axis desaparecer em um flash de luz. Um grito de puro pânico escapou de sua garganta. A profecia. A imagem de Guilherme morrendo em seus braços. Ele lutou com uma nova ferocidade, uma fúria desesperada para acabar com a batalha e, de alguma forma, trazer Axis de volta.
Dentro da dimensão, a luta era desigual. Axis era poderoso, mas bruto. O Duelista era um artista marcial, cada movimento uma obra de precisão letal. — Você desonrou seu juramento! — gritou o Duelista, desviando de um pulso gravitacional. — Traiu tudo que a Rainbow representa!
— A Rainbow nos traiu primeiro! Eles estão mentindo para você! Eles mataram Mercer! — respondeu Axis, ofegante.
— Mentiras de um traidor. Minhas ordens são justas.
No mundo real, Ghost observava o ponto onde Axis havia desaparecido. — Ele criou um bolsão dimensional! Mas ele precisa de um link de dados para manter a estabilidade... Eu posso entrar!
Enquanto a batalha continuava ao seu redor, ela se conectou à anomalia, lutando contra firewalls e protocolos de segurança que pareciam alienígenas.
Dentro do duelo, Axis estava de joelhos, exausto e ferido. O Duelista se aproximava, a pistola erguida para o golpe final. — Pela honra da Rainbow.
No instante em que seu dedo tocou o gatilho, a dimensão inteira tremeu. O rosto aterrorizado de Elias Mercer apareceu no céu cristalino, projetado por toda a arena. O Duelista congelou, forçado a assistir à confissão, à revelação sobre Nyx, e ao grito final de traição de Mercer ao ver os agentes da Rainbow invadindo seu laboratório.
A verdade o atingiu como um golpe físico. Sua honra, sua lealdade, sua missão... tudo construído sobre uma mentira e o sangue de inocentes.
A dimensão se estilhaçou como vidro.
Axis e o Duelista reapareceram na caverna, para o choque de todos. O Duelista estava de joelhos, a arma caída ao seu lado, o corpo tremendo. — Tudo... era uma mentira...
Ele ergueu o olhar, não mais para um inimigo, mas para Axis, e em um único gesto, desligou sua arma e a jogou no chão. A batalha parou. Os soldados restantes da Rainbow, vendo seu líder se render, hesitaram e foram rapidamente subjugados pela tribo.
Mais tarde, a calmaria retornou ao Santuário. A equipe do Protocolo havia ganhado três novos membros. A Rastreadora, cuja aliança fora cimentada. Égide, que entendeu que a cura às vezes exigia uma luta. E o Duelista, um homem quebrado, cuja honra agora exigia que ele caçasse os homens que o haviam enganado.
Naquela noite, o medo da perda ainda pairava no ar. Henzo encontrou Guilherme observando o lago subterrâneo, a luz dos cristais dançando na água. O silêncio entre eles era pesado, carregado de tudo que quase aconteceu.
— Eu pensei que tinha te perdido — sussurrou Henzo, a voz embargada.
— Eu estou aqui — respondeu Guilherme, virando-se para ele. — Nós estamos aqui.
E no silêncio daquela caverna, um santuário no fim do mundo, eles se encontraram. Não havia mais dúvidas, não havia mais medo. Apenas a certeza crua e desesperada de que cada momento era precioso. Naquela noite, eles não fizeram amor por paixão, mas por necessidade. Foi um ato de cura, um juramento silencioso. Cada toque era uma tentativa de apagar as cicatrizes do passado de Henzo, cada beijo uma promessa de lutar por um futuro. Pela primeira vez, Henzo não era a Cobaia-37, o soldado de um futuro morto. Ele era apenas Henzo. E nos braços de Guilherme, ele finalmente renasceu.
Na manhã seguinte, a equipe se reuniu, maior, mais forte e mais unida do que nunca. Égide, Rastreadora e o Duelista estavam com eles. O Protocolo Alvorada estava completo. A verdadeira guerra podia começar.
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Protocolo Alvorada: O Despertar de Eixo
Science FictionPara proteger um mundo transformado pelo poder da Calêndula, a Corporation Rainbow criou agentes como Axis, um jovem capaz de dobrar a gravidade à sua vontade. Sua missão: caçar um exército fantasma que parece conhecer cada segredo da Rainbow. Mas a...
