A estática do holograma morto sibilou no silêncio opressor do laboratório. A imagem final de Elias Mercer, um misto de terror e traição, parecia ter sido queimada na retina de cada um deles. Por um longo momento, ninguém se moveu, ninguém respirou. Estavam parados na cena de um crime, mas a vítima não era apenas o cientista; era a verdade que eles acreditavam servir, a confiança que tinham em sua organização.
A voz de C-37 ecoou na mente de Axis, não mais como um aviso enigmático, mas como um fato frio e brutal. "Não confie cegamente naqueles que lhe dão as ordens."
Foi Axis quem quebrou o silêncio, sua voz um rosnado baixo de raiva contida. — Ele estava certo. O tempo todo. Valerius nos mandou aqui para quê? Para limpar a bagunça? Para ver se Mercer tinha deixado alguma ponta solta?
Bane, que até então estava impassível, virou-se lentamente, o capacete escondendo sua expressão. — Nossa missão era encontrar Mercer e sua pesquisa. Cumprimos a missão. Devemos reportar nossas descobertas ao Comandante. Sua voz era firme, a do soldado recitando o manual, mas havia uma tensão subjacente, o som de um homem cuja fé em seus próprios regulamentos estava sendo testada até o limite.
— Reportar o quê, Bane? A voz de Ghost cortou o ar, afiada como um caco de vidro. Ela se virou do servidor, os olhos brilhando com uma intensidade fria e pragmática. — Que a nossa organização cometeu um massacre para obter uma arma biológica? Que o Comandante nos enviou, conscientemente, para a cena do crime dele? Eles não vão nos dar medalhas por isso. Eles vão nos colocar em um buraco tão fundo que ninguém jamais ouvirá falar de nós.
Ela deu um passo à frente, sua presença preenchendo o espaço entre os dois homens. — Pensem nisso. Um 'acidente' no voo de volta. Uma 'falha de contenção' em nossos aposentos. Somos três agentes que sabem demais. Somos passivos. E a Corporation Rainbow não tolera passivos.
— Então o que nós fazemos? Não fazemos nada? — retrucou Axis, a frustração crescendo. — Deixamos que eles se safem? Que fiquem com o que quer que o Mercer criou, a fórmula que vai iniciar a guerra do futuro?
— Não — disse Ghost, seus olhos se fixando no servidor oculto. — Nós não fazemos nada agora. Primeiro, nós sobrevivemos. E para sobreviver, nós nos tornamos mais inteligentes do que eles.
Ela se virou de volta para o console, seus dedos voando sobre uma interface holográfica. — Eu vou criar uma cópia fantasma deste arquivo. Criptografia quântica de nível militar, impossível de rastrear, armazenada em um local que só eu conheço. Vai ser o nosso seguro de vida. Depois — ela olhou para a unidade de energia do servidor —, eu vou sobrecarregar o núcleo de energia deste cofre. Fritá-lo. Para todos os efeitos, ele foi destruído no ataque original, assim como os servidores principais. Nossa história oficial é que encontramos exatamente o que estamos vendo: um laboratório destruído e dados irrecuperáveis.
Bane observou-a, o silêncio dele sendo sua deliberação. Ele, mais do que ninguém ali, entendia de operações de limpeza. Sabia que Ghost estava certa. Ele deu um único e lento aceno de cabeça. A lealdade ao protocolo acabara. Agora, era lealdade à sobrevivência. Lealdade à equipe.
Axis observou Ghost trabalhar. A raiva dentro dele ainda queimava, mas ele via a lógica fria no plano dela. Lutar contra uma organização como a Rainbow abertamente era suicídio. Mas lutar nas sombras, usando os segredos deles contra eles... isso era uma chance. Era o começo de uma nova guerra, uma que eles travam de dentro para fora.
Ghost inseriu um pequeno drive em uma fenda no servidor. A luz do drive piscou freneticamente enquanto copiava o arquivo de vídeo e todas as pesquisas de Mercer. O processo pareceu uma eternidade. Finalmente, um bipe suave. Cópia concluída.
— Afastem-se — disse ela.
Ela digitou uma série final de comandos. Um zumbido baixo começou a emanar do servidor, crescendo em tom e volume. Luzes de advertência piscaram no painel. Com um último toque, ela se afastou rapidamente. Um clarão branco e silencioso, e o cheiro acre de circuitos queimados encheu o ar. O servidor estava morto. A prova, e o crime deles, estavam apagados.
O voo de volta no Corvo Um foi imerso em um silêncio completamente diferente do anterior. Não era a quietude da antecipação, mas a do peso de um segredo compartilhado. Eram três co-conspiradores, cada um perdido em seus próprios pensamentos.
Axis encarava a escuridão através da pequena janela do jato. Valerius, a Rainbow, sua própria identidade como agente... tudo estava sob uma nova luz, distorcida e sinistra. Ele não era um herói. Era um peão, e acabara de descobrir que o tabuleiro estava manchado de sangue.
Ghost monitorava os sistemas do jato e as comunicações da base, seu rosto uma máscara de concentração. Ela procurava por qualquer anomalia, qualquer sinal de que eles já estavam sendo vigiados.
Bane estava sentado de forma imóvel, a cabeça baixa, mas seus olhos nunca paravam de se mover, varrendo cada canto da cabine. Um soldado cuja cadeia de comando fora quebrada era um homem sem âncora.
As luzes da base da Rainbow finalmente apareceram no horizonte. A rampa do Corvo Um baixou com seu silvo familiar, revelando a iluminação forte do hangar. E, esperando por eles ao pé da rampa, estava uma figura solitária.
Comandante Valerius.
Ele os observou descer, o rosto uma máscara de autoridade calma e ilegível. Então, ele deu um leve sorriso, um gesto que não alcançou seus olhos.
— Agentes. Bem-vindos de volta — disse ele, sua voz perigosamente calma. — Espero que sua missão tenha sido... esclarecedora. Me acompanhem para o relatório. E não omitam nenhum detalhe.
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Protocolo Alvorada: O Despertar de Eixo
Science FictionPara proteger um mundo transformado pelo poder da Calêndula, a Corporation Rainbow criou agentes como Axis, um jovem capaz de dobrar a gravidade à sua vontade. Sua missão: caçar um exército fantasma que parece conhecer cada segredo da Rainbow. Mas a...
