Capítulo 28: O Novo Contrato

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O grito de Axis — "HENZO!" — ecoou pela vasta casa de máquinas, um som cru e humano que cortou o caos da batalha. O silêncio que se seguiu foi absoluto. Os duplos restantes da Terra Ômega, com sua operação de sabotagem agora um fracasso exposto, começaram um recuo tático, desaparecendo nas sombras da usina.

Mas o olhar de toda a equipe do Protocolo Alvordada estava fixo para cima, para as vigas escuras, onde o casulo de nanofios azuis segurava Henzo, puxando-o lentamente para a escuridão como uma aranha recolhendo sua presa.

Lá em cima, nas sombras, Cérbero estava imóvel, seu rifle de contenção abaixado. Sua mente, normalmente um mecanismo de relógio de precisão tática, estava em tumulto. Erro. Ela havia errado o alvo. Sua presa, Axis, estava no chão, vivo. Mas o grito dele... um nome. Um nome verdadeiro. O nível de pânico e emoção crua não era o de um soldado perdendo um colega; era o de alguém perdendo tudo. Ela não havia apenas capturado o homem errado; ela havia capturado o ponto de apoio emocional de seu alvo principal.

E, mais importante, ela havia testemunhado o impossível. Soldados lutando contra cópias exatas de si mesmos. Uma guerra que não estava em seu dossiê de missão.

Solte-o! — A voz de Axis era um rosnado de fúria, seus poderes gravitacionais começando a vibrar visivelmente ao seu redor, fazendo pequenas pedras levitarem. — Solte ele agora!

Negativo, Axis — a voz de Valerius cortou o comunicador, fria e no comando. — Não ataque. Ghost, abra um canal direto com a agente Cérbero. Agora.

Um bipe soou no comunicador interno de Cérbero. — Você tem uma plateia grande, Caçadora — disse Ghost, a voz calma e analítica. — E você tem um problema. Você errou o alvo. E você testemunhou uma incursão de Nível Ômega. A Rainbow não lhe contou toda a história.

A voz de Cérbero, filtrada por seu capacete, era tão fria quanto o aço de sua base. — Eu sou paga para completar um contrato, não para entender a história. Meu contrato é para os traidores do Protocolo Alvorada. Este — ela olhou para o casulo suspenso de Henzo — é apenas um bônus inesperado.

— Nós não somos traidores — disse Axis, a voz tremendo de raiva contida. — Nós somos a única coisa que impede aqueles — ele gesticulou para onde os duplos haviam desaparecido — de destruir este mundo.

— A Rainbow lhe deu um trabalho de limpeza, Cérbero — disse Valerius, sua voz assumindo o controle. — Um contrato de controle de pragas. Mas eles mentiram para você. Eles omitiram o fato de que a praga contra a qual estamos lutando é de outra dimensão.

— Mentiras não anulam um pagamento — retrucou Cérbero.

— Mas uma caça melhor pode — disse Axis, dando um passo à frente. Ele olhou diretamente para as sombras onde ela se escondia. — Você é a melhor caçadora do mundo. Mas eles te contrataram para caçar ratos em uma casa que está sendo invadida por lobos. Nós não queremos que você pare de caçar. Nós queremos que você se junte a nós e cace os lobos.

O silêncio de Cérbero foi sua deliberação. A oferta era... intrigante. Ela era uma artista, e a Rainbow a havia relegado a capturar seus próprios agentes problemáticos. Mas aqui... aqui estava uma caça que ninguém mais no planeta conhecia. Uma caça ao impossível.

— Eu tenho um contrato ativo — disse ela, testando-os.

— Seu contrato foi violado no momento em que a Rainbow omitiu informações táticas cruciais que colocaram sua vida em risco — disse Ghost, com a lógica de um advogado. — Você tem todo o direito de rescindi-lo.

Cérbero olhou para o casulo indefeso de Henzo, e depois para Axis, que estava pronto para rasgar o prédio ao meio para salvar seu parceiro. Ela havia sido contratada pela Rainbow, mas fora o Protocolo Alvorada quem lhe mostrou a verdade. Sua lealdade era apenas uma: ao desafio da caçada. E esta era a maior caçada de todas.

Com um movimento preciso, ela apertou um comando em seu rifle. O cabo de arraste que puxava Henzo parou, e então se soltou. O casulo de nanofios despencou em direção ao chão de concreto, trinta metros abaixo.

O grito de Axis foi interrompido por sua própria ação. Ele estendeu as mãos, não para o casulo, mas para o espaço abaixo dele, criando um bolsão de gravidade zero. O casulo parou sua queda abruptamente, a centímetros do chão, e pousou com a leveza de uma pluma.

A equipe correu, cortando os nanofios e libertando Henzo, que caiu nos braços de Axis, ofegante, mas ileso.

Das vigas acima, uma figura desceu em um rapel silencioso. Cérbero pousou diante deles. Ela era alta, sua armadura de contenção elegante e letal. Ela retraiu seu capacete, revelando um rosto de beleza severa e olhos cinzentos que pareciam analisar tudo.

Ela olhou para Valerius, que agora aparecia em um holograma portátil que Ghost projetava. — O Conselho da Rainbow mentiu para mim. Eu não gosto que mintam para mim — disse ela. — Meu contrato com eles está suspenso, citando má-fé e informações de missão incompletas.

Ela então se virou para Axis. — Meu novo contrato... começa agora.

Ela estendeu a mão enluvada. — Mostrem-me como caçar um fantasma de outro mundo.

Axis apertou a mão dela. A equipe estava finalmente completa. Cada peça, desde a curandeira pacifista até a caçadora mais letal do mundo, estava no lugar.

— Bem-vinda ao Protocolo Alvorada, Cérbero — disse Valerius. — A verdadeira guerra começa agora.

Protocolo Alvorada: O Despertar de EixoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora