Capítulo 29: O Coração Moribundo

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O retorno à Base Égide foi diferente de todos os outros. Não havia mais a ansiedade do recrutamento ou o medo de serem caçados. Havia uma nova e perigosa sensação de completude. Pela primeira vez, o Protocolo Alvorada estava inteiro. O salão de comando, antes espaçoso, agora estava cheio com a presença de guerreiros lendários, cada um uma anomalia, cada um um pária.

A integração de Cérbero foi a peça final. Sua lógica fria e suas habilidades de rastreamento, quando combinadas com a genialidade de rede de Ghost, criaram um sistema de inteligência que rivalizava, e talvez até superava, o da própria Rainbow.

— O sistema de camuflagem da Terra Ômega é bom — disse Ghost, seus dedos voando sobre um novo console de rastreamento. Ela e Cérbero trabalhavam em perfeita e assustadora sincronia. — Eles dobram o espaço-tempo local por uma fração de segundo para mascarar a assinatura de entrada do portal. É por isso que sempre chegamos atrasados.

— Mas eles não podem esconder o vácuo que deixam para trás — continuou Cérbero, sua voz monótona. — Eu posso rastrear o silêncio. Seus portais deixam uma cicatriz residual, um eco no tecido da realidade. E com os recursos da ZPS... podemos rastrear esse eco de volta à sua origem.

Enquanto ela falava, um alarme baixo e urgente começou a soar. — Valerius — chamou Ghost. — Estamos detectando uma anomalia. Uma... uma confluência de assinaturas de portal. A maior que já vimos.

O holograma central ganhou vida, mostrando um ponto vermelho pulsando sobre a Europa. — Genebra, Suíça — disse Valerius, os olhos se estreitando. — O cofre global de Calêndula. É o coração do sistema energético do planeta.

— Eles não estão vindo para uma incursão, Comandante — disse Cérbero, analisando os dados. — Eles estão vindo para uma cirurgia de coração aberto. É uma força de ataque em larga escala.

Valerius se virou para sua equipe. Todos os olhos estavam nele. A hora de treinar havia acabado. — Esta é a batalha pela qual fomos criados — disse ele. — A Rainbow e o Conselho estão cegos por sua própria corrupção. A ZPS nos deu os recursos. Nós somos a única linha de defesa. Esta é a primeira missão oficial de campo do Protocolo Alvorada completo.

A batalha em Genebra foi um caos coreografado. Os duplos da Terra Ômega emergiram em pleno centro da cidade, não como um exército, mas como um time de demolição. Seu alvo: o cofre subterrâneo.

Mas o Protocolo Alvorada estava esperando por eles.

Faísca, Voltaica! Criem um perímetro de negação! — ordenou Valerius do centro de comando móvel.

Faísca gargalhou, soltando seu robô-bomba "Bumba". — Deixa comigo, chefinho!

Voltaica se tornou um borrão azul, correndo pelas paredes dos edifícios e criando duas longas paredes de eletricidade estática, canalizando os duplos para uma zona de abate.

Legião, Rastreadora, Égide! Civis! O trio de suporte vital entrou em ação. Égide ergueu uma barreira de cristal para proteger os civis em pânico, enquanto a Rastreadora usava seus falcões de energia para guiar os esquadrões de duplos para as armadilhas.

Cérbero, Duelista, Bane! Contenção! A "equipe de honra" entrou em ação. O Duelista puxou o líder Calêndulo dos duplos para sua dimensão de duelo. Bane inundou os becos com gás tóxico, forçando os inimigos a recuar. E Cérbero, de um telhado, tecia sua teia, disparando redes de nanofios que prendiam os duplos de elite um por um, sem matá-los.

O centro da batalha, no entanto, era o dispositivo que eles haviam implantado. Uma máquina enorme e pulsante que Faísca apelidou de "O Vampiro". Era a bomba de sucção.

Axis, C-37! O dispositivo é a prioridade! Destruam-no!

Os dois avançaram juntos, uma tempestade de gravidade e anulação. Axis puxava os duplos de suas posições, e Henzo os neutralizava no ar, seus poderes se apagando antes que pudessem revidar. Eles se moviam como um só, uma dança letal que haviam praticado centenas de vezes.

Eles chegaram ao dispositivo. Mas em vez de destruí-lo, Ghost gritou em seus comunicadores. — Esperem! Não destruam! A Cérbero conseguiu prender o engenheiro-chefe deles! Nós podemos capturar o dispositivo intacto!

A batalha terminou tão rápido quanto começou. Com seus líderes capturados e seu dispositivo comprometido, os duplos restantes da Terra Ômega se desintegraram em portais de fuga.

De volta à Base Égide, a equipe se reuniu ao redor do "Vampiro". Era uma peça de tecnologia impressionante e aterrorizante. — O design é... desesperado — disse Faísca, analisando-o. — Eles não se importaram com a segurança. Apenas com a eficiência. Isso é projetado para sugar tudo, o mais rápido possível, mesmo que se destrua no processo.

— Estou tentando invadir o núcleo de dados — disse Ghost, seus dedos voando. — Mas a criptografia é... biológica? Não faz sentido. C-37, pode dar uma olhada nisso?

C-37, ou Henzo, se aproximou. Ele colocou a mão no dispositivo. Seus poderes de anulação não eram apenas destrutivos; eles lhe davam uma "sensação" da energia Calêndulo. Ele fechou os olhos. — Não é um núcleo de dados — sussurrou ele. — É um transmissor. Está... está ao vivo.

Antes que Ghost pudesse detê-lo, Henzo forçou sua energia no dispositivo, agindo como uma chave-mestra.

O transmissor ganhou vida. A sala de comando foi preenchida, não com dados, mas com som. Um som cru e não filtrado do outro lado do portal.

Eles ouviram o bipe fraco de monitores cardíacos falhando. O som de milhares de pessoas tossindo, uma tosse seca e doentia. O zumbido de sistemas de suporte de vida sobrecarregados. E, acima de tudo, uma voz, cheia de pânico e desespero, gritando em um comunicador.

...falha na aquisição! Repito, falha na aquisição! A Calêndula não chegou! A Rede de Suporte Vital... os reatores de Éden... eles vão falhar em 48 horas! Que Deus nos ajude...

A transmissão foi cortada, deixando a sala de comando em um silêncio absoluto e chocado.

A equipe olhou um para o outro. Axis olhou para Henzo. A verdade terrível e pesada se abateu sobre eles. A Terra Ômega não estava atacando. Os duplos não eram conquistadores.

Eles eram refugiados. E eles estavam morrendo.

Protocolo Alvorada: O Despertar de EixoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora