Capítulo 27: A Isca

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A sala de comando da Base Égide estava carregada com a eletricidade de uma tempestade prestes a estourar. Pela primeira vez, o Protocolo Alvorada estava reunido em força total. Cada agente, recrutado das sombras do mundo, estava presente. De Faísca, que batucava os dedos impacientemente em seu console, a Égide, que observava tudo com uma calma serena.

Valerius estava no centro, diante do holograma da Usina Hidrelétrica de Itaipu, uma das maiores do mundo. — Esta é a nossa estreia, Protocolo — disse ele, a voz ressoando com uma nova autoridade. — E o palco não poderia ser maior. Ghost.

Ghost assumiu, seu rosto iluminado pela luz azul dos dados. — Nossas previsões estavam corretas. A Terra Ômega está se preparando para seu maior ataque até hoje. Detectamos múltiplas assinaturas de portal se formando ao redor de Itaipu. Eles não estão vindo para uma invasão; estão vindo para uma colheita. Eles planejam usar uma série de sugadores de Calêndula de larga escala diretamente nas turbinas. Se tiverem sucesso, a rede de energia de metade da América do Sul entra em colapso.

— E nós vamos impedi-los — disse o Duelista, seu tom final.

— Não exatamente — disse Axis, dando um passo à frente. Todos os olhos se voltaram para ele. — Vamos impedi-los, sim. Mas essa não é a missão principal. A missão principal é sermos vistos.

Um murmúrio de confusão percorreu os novos membros. — Estamos sendo caçados — continuou Axis, o olhar firme. — Pela melhor caçadora do planeta. Cérbero. Ela está nos rastreando neste exato momento. Ela espera que estejamos nos escondendo. Ela espera que sejamos presas fáceis.

— E nós vamos dar a ela o que ela quer — concluiu Ghost, um sorriso predatório em seus lábios. — Eu "vazei" nosso plano de ataque em um canal da ZPS com criptografia de nível médio. Um vazamento que uma amadora não veria, mas que a melhor caçadora do mundo identificaria como um erro arrogante. Ela já mordeu a isca. Ela acha que estamos sendo descuidados.

Valerius retomou o comando. — Cérbero estará lá. Ela não vai intervir imediatamente. Ela vai assistir. Ela vai analisar. Vai esperar o momento perfeito para capturar seus alvos. E é exatamente isso que nós queremos. Vamos mostrar a ela uma guerra que ela nem sabia que existia. Vamos mostrar a ela uma caça muito maior do que a Rainbow jamais poderia lhe oferecer. Faísca, Voltaica, Legião... vocês são a contenção. Quero caos e velocidade. Bane, Duelista, Rastreadora... assalto tático. Égide, você é o nosso suporte de vida. Paradoxo... você é a nossa curinga. Se a situação ficar feia, use seu dom. Axis, C-37... vocês são a ponta da lança. Estão comigo.

Henzo, parado ao lado de Axis, deu um único e firme aceno. Seus olhos, agora claros e focados, encontraram os de Axis por um breve instante. Era uma promessa silenciosa.

Itaipu à noite era um monstro adormecido de concreto e água. A escala era desumana. A barragem se estendia por quilômetros, um penhasco artificial segurando o poder de um rio furioso. A equipe se moveu pelas passarelas metálicas, o som da água rugindo abaixo deles abafando seus passos.

— Estou detectando ela — sussurrou Ghost pelos comunicadores. — Perímetro norte, nas vigas superiores. Ela é boa. Já está tecendo a teia. Múltiplos sensores de nanofios sendo implantados. Estamos oficialmente dentro da armadilha dela.

— Excelente — respondeu Valerius, de um posto de comando móvel a quilômetros de distância. — E os convidados de honra?

— Acabaram de chegar — disse Ghost. — Várias assinaturas de portal se abrindo dentro da casa de máquinas principal. Eles estão indo direto para as turbinas.

— Protocolo, luz verde. Comecem o show — ordenou Axis.

A porta da casa de máquinas explodiu para dentro, não com um estrondo, mas com o silvo agudo da carga de plasma de Faísca. — Festa surpresa! — gritou ela, enquanto Voltaica entrava como um raio azul, um borrão que desarmou três duplos da Terra Ômega antes que eles pudessem levantar suas armas.

A batalha foi instantânea e brutal. A equipe completa do Protocolo Alvorada era uma força da natureza. Bane e o Duelista avançavam como uma parede de aço, cada tiro preciso, enquanto a Rastreadora usava suas bestas de energia para flanquear e cegar os inimigos.

— Eles estão plantando os sugadores! — gritou Legião. — Parça, vai!

A pequena criatura de energia verde disparou pelo chão, desviando de tiros, e saltou sobre um dos dispositivos da Terra Ômega, desarmando-o com uma série de movimentos frenéticos.

Escondida nas vigas de metal acima do caos, Cérbero observava através de sua mira avançada. Ela franziu a testa. Seus alvos estavam ali: Axis, Ghost, o Duelista... mas quem eram os outros? E quem eles estavam enfrentando?

Sua confusão se transformou em choque quando um dos inimigos se virou para a luz. Era um duplo perfeito de Bane. Seus scanners confirmaram o impossível: DNA idêntico, mas com uma assinatura de energia residual de outro universo.

— O que... o que é isso? — ela sussurrou para si mesma. Seu arquivo de missão não mencionava uma guerra interdimensional.

Abaixo, a batalha atingiu seu clímax. O líder dos duplos, uma versão tática e brutal de um soldado da Rainbow, encurralou Axis contra um painel de controle, a arma erguida.

Era o momento de Cérbero. O alvo principal, o líder, isolado e vulnerável. De sua posição elevada, ela disparou sua arma de contenção principal. Um projétil de nanofios, disparado em silêncio absoluto, voou pelo ar em direção a Axis.

Henzo, que lutava lado a lado com Axis, viu o movimento nas sombras acima. Ele não teve tempo de pensar. Não teve tempo de gritar. Ele não teve tempo de analisar a ameaça. Ele apenas reagiu.

No último milésimo de segundo, C-37 se jogou na frente de Axis.

O projétil o atingiu em cheio no peito. Imediatamente, uma teia de nanofios brilhantes e azuis explodiu, envolvendo seu corpo em um casulo impenetrável. Ele foi erguido do chão, contido e indefeso. Um cabo de arraste se ativou, e o casulo começou a ser puxado para cima, em direção às sombras onde a caçadora estava escondida.

Cérbero, de sua posição, percebeu seu erro. Ela havia capturado o alvo errado.

Axis se virou, o horror congelando seu rosto ao ver Henzo sendo içado para a escuridão, preso em uma armadilha que era para ele. Pela primeira vez em uma missão, o profissionalismo se quebrou, e um nome escapou de seus lábios em um grito de pânico e fúria. — HENZO!

Protocolo Alvorada: O Despertar de EixoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora