Capítulo 24: A Peça Final

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A chegada à Base Égide foi, para Paradoxo, como entrar em outra dimensão — o que, ironicamente, ela fazia o tempo todo. A plataforma de petróleo, um bastião de metal e tecnologia avançada no meio do nada, era o oposto do Abrigo mofado ou das ruas encharcadas de chuva de Glasgow.

— Uau — disse ela, enquanto desciam do VTOL, seus olhos cansados absorvendo a escala da operação. — Vocês, traidores, realmente subiram na vida. Para quem odeia corporações, vocês com certeza sabem como se parecer com uma.

— É uma aliança de conveniência — disse Ghost, guiando-a pelos corredores limpos. — A Zenith Private Security nos dá os brinquedos e a cobertura. Nós fazemos o trabalho sujo que eles não podem.

A integração de Paradoxo na equipe foi... interessante. Sua personalidade niilista e seu humor negro seco eram um contraponto estranho à energia vibrante da base. Quando foi apresentada a Legião, ela o observou criar uma de suas criaturas de energia. — Fofo — disse ela, sem emoção. — Ele também explode quando você se cansa dele?

Legião, horrorizado, apenas abraçou seu Parça mais forte.

Mas foi com Faísca que ela encontrou uma sintonia inesperada. Elas se encontraram na oficina de Faísca, um espaço que agora parecia um laboratório de cientista maluco, com peças de drones da Rainbow e protótipos de explosivos espalhados por toda parte. — E aí, garota-fantasma — disse Faísca, sem tirar os óculos de proteção. — Ouvi dizer que você não sabe ficar morta. Isso é muito legal.

— É um truque que eu faço — respondeu Paradoxo, pegando um detonador complexo da mesa. — E você? Ouvi dizer que você sabe fazer as coisas morrerem.

Faísca deu um sorriso largo. — Acho que vamos nos dar muito bem.

A primeira reunião de guerra com a nova recruta foi sóbria. A equipe inteira se reuniu na sala de comando. Valerius, Égide, Rastreadora, Duelista, Bane, Faísca, Legião, Ghost, Axis e C-37. O Protocolo Alvorada estava se tornando um exército.

— O ataque ao museu não foi aleatório — começou Ghost, projetando os dados da batalha. — Os duplos da Terra Ômega ignoraram a mim, Axis e o Duelista. O alvo era, inequivocamente, Paradoxo.

Valerius cruzou os braços, a expressão sombria. — Isso muda o jogo. Eles não estão apenas roubando Calêndula. Estão caçando ativamente Calêndulos anômalos. A questão é: para quê? Para estudo? Para armamento? Ou como fonte de energia?

C-37 falou, sua voz agora calma e clara, sem a hesitação de antes. — No meu futuro, isso não acontecia. A guerra era civil. Os duplos são uma variável que muda todas as equações. Se eles estão coletando anomalias... eles estão construindo algo. Ou tentando consertar algo quebrado.

A sala ficou em silêncio, o peso daquela nova realidade se assentando. A ameaça da Terra Ômega era mais complexa do que uma simples invasão.

Mais tarde naquela noite, Axis e Henzo estavam em seus aposentos. A sala era maior e mais confortável do que qualquer coisa no Abrigo, com uma janela ampla que dava para o oceano escuro. A nova normalidade deles era uma de parceria. Henzo não era mais a sombra de Axis; ele era sua âncora.

Axis estava sentado na cama, a cabeça entre as mãos, o peso de tantas ameaças visível em sua postura. — Como vamos dar conta, Henzo? Rainbow, os duplos, a guerra futura da Nyx... agora eles estão caçando nossa equipe.

Henzo sentou-se ao lado dele, não com a hesitação de Cobaia-37, mas com a certeza de um parceiro. Ele colocou a mão no ombro de Guilherme, a palma quente e firme. — Nós damos conta da mesma forma que fizemos até agora — disse ele, a voz calma. — Uma batalha de cada vez. Você não está sozinho nisso, Gui. Antes, minha missão era sobreviver. Agora... é garantir que a gente sobreviva.

Ele sorriu, um sorriso genuíno que agora aparecia com frequência. — Além disso, você é o Eixo. Você é o centro. Você nos mantém unidos. Deixe-nos ser a força que gira ao seu redor.

Axis ergueu o olhar, encontrou o dele e se sentiu ancorado. Ele se inclinou e o beijou, um beijo de gratidão e promessa, a calmaria no olho da tempestade.

No dia seguinte, Valerius os convocou para a sala de comando. A hora da calmaria havia acabado. — A equipe está mais forte do que nunca — disse Valerius, o holograma da Terra girando lentamente. — Temos curandeiros, rastreadores, engenheiros, especialistas em contenção, assassinos e uma imortal. Mas falta uma coisa.

Ele olhou para sua equipe. — Falta velocidade. A capacidade de ditar o ritmo de uma batalha. A habilidade de estar em três lugares ao mesmo tempo. Precisamos de um raio.

Ghost sorriu, como se estivesse esperando por isso. Ela trouxe à tona o último arquivo de alta prioridade de sua "Lista Fantasma". — Eu tenho o nosso raio — disse ela.

A imagem de uma jovem filipina, com cabelos vibrantes e faíscas azuis saindo de seus dedos, apareceu. Ela corria, deixando um rastro de luz. — Codinome: Voltaica. Uma Calêndulo que é uma bateria biológica humana. Ela gera e armazena bioeletricidade em um nível que não deveríamos achar possível. Ela pode se mover em velocidades subsônicas, mas é instável. Perigosa.

— Onde ela está? — perguntou o Duelista.

— Tóquio — respondeu Ghost, ampliando o mapa de Shinjuku. — Ela não está se escondendo. Está trabalhando. Como a principal mensageira e "solucionadora de problemas" da Yakuza. Ela é uma lenda urbana no submundo de neon. Intocável.

Valerius olhou para a imagem da garota elétrica. — A Rainbow não ousaria tentar uma operação de captura em território Yakuza. O que nos dá uma janela. Mas será a nossa missão mais perigosa até agora. Não vamos lutar contra soldados. Vamos lutar contra o crime organizado.

Protocolo Alvorada: O Despertar de EixoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora