Localização: Cofre da Kingdom Corporation, [LOCALIZAÇÃO REDIGIDA]
A sala estava escura, iluminada apenas pelo brilho doentio de uma máquina. Era um equipamento antigo da Kingdom, um sistema de suporte à vida do tamanho de um carro, mantido unido por peças canibalizadas e uma fé desesperada. Dentro de uma câmara de vidro cheia de um líquido âmbar, flutuava uma jovem, os olhos fechados, o rosto sereno. Fios e tubos a conectavam ao maquinário, que emitia um bipe lento e fraco.
Em um monitor ao lado, um medidor de energia de Calêndula piscava perigosamente no vermelho, marcando 2%.
Uma figura alta e elegante estava diante do vidro, sua silhueta recortada contra a luz do monitor. Nyx. Ela observava o rosto da garota adormecida, sua expressão indecifrável.
Passos pesados ecoaram no corredor. Um de seus seguidores, um homem enorme usando uma armadura tática improvisada, entrou na sala. Ele jogou um corpo maltratado no chão. O homem no chão usava os restos de um uniforme da Rainbow. — Senhora — disse o guarda. — Encontramos este batedor da Rainbow bisbilhotando nosso perímetro. Ele é um Calêndulo.
Nyx não se virou. Seus olhos permaneceram fixos na garota na câmara. — Ela está com fome — sussurrou Nyx.
Ela finalmente se virou, seus olhos varrendo o agente da Rainbow aterrorizado. Havia uma beleza sobrenatural em seu rosto, uma calma que era mais assustadora do que qualquer raiva. — Você tem algo que pertence a ela — disse ela, a voz suave como seda.
Nyx se ajoelhou ao lado do agente. — Por favor... — engasgou ele. — Eu não sei de nada...
— Eu sei — respondeu ela.
Ela colocou a palma da mão sobre o peito dele. O agente gritou. Não foi um grito de dor, mas de vácuo. Uma luz roxa e etérea, a essência de seu poder Calêndulo, foi arrancada dele, fluindo como fumaça para a mão de Nyx. A luz dançou em seus dedos, e por um momento seus próprios olhos brilharam com um poder avassalador. O corpo do agente murchou, tornando-se uma casca pálida e sem vida.
Mas Nyx não absorveu a energia. Ela não a usou para se curar ou para se fortalecer.
Com uma ternura que contrastava com a brutalidade do ato, ela se aproximou da máquina e colocou a mão brilhante sobre o receptáculo de energia. A luz roxa fluiu de sua palma para a máquina. O bipe fraco do monitor cardíaco ficou mais forte, mais estável. O medidor de energia subiu lentamente, passando do vermelho para um verde saudável. 100%.
Nyx observou a garota na câmara respirar um pouco mais profundamente. Ela levou a mão ao vidro, um gesto de anseio. — Durma bem, irmãzinha — sussurrou ela.
Ela se levantou e olhou para o corpo vazio do agente da Rainbow com um desprezo gelado. — A Alvorada nos deu o direito de governar. Eles são o rebanho. Nós somos os pastores. E alguns de nós... — ela olhou para suas próprias mãos, ainda fumegando com poder residual — ...devem ser os lobos. E os lobos precisam ser alimentados.
Ela se virou para um mapa-múndi holográfico que brilhava em um canto da sala, mostrando múltiplos pontos de interesse piscando. — Eles estão me caçando. O Conselho da Rainbow. Os desertores do Protocolo. Eles acham que eu sou a faísca da guerra.
Um sorriso lento e perigoso se formou em seus lábios. — Eles não entendem... Eu não sou a faísca.
— Eu sou o incêndio.
(Fim do Livro 1)
VOCÊ ESTÁ LENDO
Protocolo Alvorada: O Despertar de Eixo
Science FictionPara proteger um mundo transformado pelo poder da Calêndula, a Corporation Rainbow criou agentes como Axis, um jovem capaz de dobrar a gravidade à sua vontade. Sua missão: caçar um exército fantasma que parece conhecer cada segredo da Rainbow. Mas a...
