No silêncio do Abrigo, a nova missão foi recebida com uma gravidade palpável. A busca por Égide não era apenas um recrutamento; era uma corrida contra a Rainbow pelo controle de um poder que poderia redefinir a própria vida.
— Apenas Axis e Ghost não será suficiente — disse Valerius, o mapa holográfico da América do Norte brilhando em seu rosto. — A Rainbow está caçando Égide. Esperem resistência Calêndulo. A habilidade de supressão do C-37 não é uma opção, é uma necessidade.
A jornada foi longa e silenciosa. Primeiro, um cargueiro clandestino que os levou através do Pacífico. Depois, um velho caminhão, dirigindo por dias sob o céu cinzento e chuvoso do estado de Washington. As florestas aqui eram uma catedral de árvores antigas. A civilização se desfez, dando lugar a uma imensidão selvagem e indiferente.
Por dois dias, eles caminharam. Ghost liderava, analisando o terreno. Axis vinha logo atrás, a mente dividida entre a beleza opressora da floresta e a figura silenciosa que os seguia. C-37 era uma sombra. Ele se movia com uma economia de movimentos fantasmagórica, os olhos constantemente varrendo o ambiente.
Na segunda noite, eles montaram um acampamento improvisado. O fogo era pequeno, quase sem fumaça. Ghost, após instalar um perímetro de sensores, se afastou para analisar os dados, deixando Axis e C-37 sozinhos ao redor das chamas.
Para quebrar o silêncio, Axis estendeu a mão e se concentrou. Uma pequena pedra ao lado do fogo se ergueu lentamente, tremeluzindo no ar.
— Você pensa demais — a voz de C-37 o assustou. Ele não olhava para Axis, mas para as chamas. — O poder não é um músculo que você contrai. É um rio. Você não o força, apenas guia o curso.
A pedra caiu com um baque surdo. — É fácil para você dizer — respondeu Axis. — Seu controle é... perfeito. Como você aprendeu?
C-37 ficou em silêncio por um longo momento. — Meu controle não foi aprendido. Foi... instalado. No meu tempo, a guerra durou vinte anos. Perto do fim, a Rainbow Inc. estava desesperada. Eles estavam perdendo. O Conselho autorizou um novo projeto. O objetivo era criar uma arma viva. Um anti-Calêndulo. Um ser cujo único propósito era anular o poder dos outros.
Ele fez uma pausa, a memória o assombrando. — Eles pegaram crianças Calêndulos, órfãos de guerra. E começaram a experimentar. Tentando reescrever nosso DNA, forçar uma mutação. A maioria não sobrevivia. O nome do projeto era Projeto Nêmesis.
Ele olhou para seu próprio braço, para a tatuagem desbotada de seu código. — O 'C' em C-37 não é de Calêndulo — disse ele, a voz um sussurro quebrado. — É de Cobaia. Eu sou a Cobaia-37.
A revelação pairou no ar frio da noite. Axis ficou sem palavras, o horror da confissão o paralisando. — O que... o que aconteceu com os outros trinta e seis? — perguntou ele, a voz quase inaudível.
C-37 não respondeu. Apenas o silêncio dele deu a resposta. Ele era o único que havia "dado certo". — Eles tiraram tudo de mim — continuou C-37. — Meu nome, minhas memórias. Eu não era uma pessoa. Eu era um ativo. O controle que você vê não é talento. É programação, projetada para garantir que a arma deles nunca falhasse.
Agora Axis entendia. A distância, o silêncio, a dor em seus olhos. Era o trauma de sua própria criação. Com um impulso, Axis se aproximou, sentando-se ao lado dele. — Isso é o que eles te fizeram — disse ele, a voz cheia de uma convicção feroz. — Não é quem você é. Para mim... você é o Henzo.
Pela primeira vez, C-37 olhou diretamente para ele, e em seus olhos, por trás de toda a dor, havia um lampejo de surpresa.
Na manhã seguinte, a atmosfera na jornada era diferente. Havia uma nova e frágil compreensão entre eles.
Eles chegaram ao seu destino ao meio-dia. As coordenadas os levaram a uma única cabana de madeira, perfeitamente integrada à natureza. Mas a paz estava quebrada. A porta da cabana estava arrombada. O interior, revirado. Sinais de uma luta.
De repente, um farfalhar nos galhos acima deles. Eles olharam para cima, erguendo as armas. Figuras se moviam nas sombras das árvores, cercando-os. Eram dezenas. Calêndulos, vestidos com roupas feitas de couro e folhas.
Uma mulher desceu de uma árvore, aterrissando silenciosamente diante deles. Sua pele tinha a textura de casca de bétula, e seus olhos brilhavam com uma luz verde selvagem. A Rastreadora. — Vocês não deveriam ter vindo aqui — disse ela, a voz um rosnado baixo. Ela e sua tribo os confundiram com os agressores. — Estão muito longe de casa, agentes da Rainbow.
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Protocolo Alvorada: O Despertar de Eixo
Science FictionPara proteger um mundo transformado pelo poder da Calêndula, a Corporation Rainbow criou agentes como Axis, um jovem capaz de dobrar a gravidade à sua vontade. Sua missão: caçar um exército fantasma que parece conhecer cada segredo da Rainbow. Mas a...
