Capítulo 21: A Nova Ordem

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O retorno do Santuário Oculto foi uma mistura de exaustão e euforia. A equipe havia voltado maior, mas não era o velho Abrigo que os esperava. O transporte – um VTOL de carga camuflado – aterrissou não em um hangar empoeirado, mas na plataforma de pouso de uma estrutura imponente que se erguia do Atlântico Norte, um farol de metal e vidro em meio à vastidão azul-escura.

Era uma plataforma de petróleo desativada, mas agora parecia uma fortaleza de alta tecnologia. Torretas de defesa se moviam silenciosamente nos perímetros, drones de vigilância patrulhavam o céu, e os painéis solares e turbinas eólicas brilhavam, alimentando o complexo.

— Bem-vindos à Base Égide — disse Valerius, que os esperava na plataforma, um raro sorriso de satisfação em seu rosto. — Ou, como eu prefiro, ao nosso novo lar.

A equipe olhou ao redor, boquiaberta. Faísca, que já estava lá, correu para eles com os olhos brilhando. — Vocês precisam ver a oficina! Eles têm um laboratório de engenharia que me faz chorar de alegria! E o refeitório... tem comida de verdade! Comida que não veio de uma lata!

Valerius explicou o acordo rapidamente. Enquanto eles estavam em campo, ele havia contatado o CEO da Zenith Private Security (ZPS), a maior rival da Rainbow. A ZPS, vendo uma oportunidade de ouro para ter uma equipe Calêndulo de elite sob seu guarda-chuva, havia concordado em patrocinar o Protocolo Alvorada. Eles eram agora uma unidade de operações especiais autônoma, com recursos quase ilimitados e, o mais importante, uma base de operações segura, oculta da Rainbow.

Os dias que se seguiram foram de adaptação e integração.

Égide, com sua calma e empatia, rapidamente se tornou a alma da base. Ela transformou uma ala do complexo em uma enfermaria de última geração, um lugar de cura e tranquilidade onde até mesmo os soldados mais endurecidos da ZPS se sentiam em paz. A Rastreadora, que havia se tornado a confidente silenciosa de Égide, ajudava a estabelecer protocolos de defesa e treinamento para a nova comunidade que se formava.

O Duelista, por outro lado, era um lobo solitário. Ele passava a maior parte do tempo na sala de treinamento holográfica, aprimorando suas habilidades com uma intensidade fria e focada. Ele ainda não confiava plenamente em ninguém, mas sua lealdade havia se transferido da mentira da Rainbow para a busca da verdade do Protocolo.

Faísca, em seu novo laboratório, parecia uma criança em uma loja de doces. Ela estava desenvolvendo novas tecnologias, contramedidas para os trajes da Rainbow, bombas de pulso eletromagnético avançadas e sistemas de camuflagem. Ela até mesmo montou um console de hacking secundário para Ghost, liberando-a para tarefas mais complexas.

E então, havia Axis e Henzo.

Agora, abertamente um casal, sua conexão era a força vital da base. Eles treinavam juntos no ginásio, seus poderes se complementando em uma dança de gravidade e anulação. Eles jantavam juntos no refeitório, trocando olhares e sorrisos que eram visíveis para todos.

A transformação de C-37 era o mais notável. A rigidez em seus ombros diminuiu. O medo em seus olhos foi substituído por uma expressão de paz, uma leveza que ninguém pensou ser possível para ele. Ele ria, ocasionalmente, uma risada suave e gutural que fazia o coração de Axis disparar. Ele interagia com os outros, não com a verborragia de Faísca, mas com observações perspicazes e conselhos práticos que revelavam uma inteligência afiada. A "Cobaia-37" havia morrido no santuário oculto. Henzo, o homem, havia renascido.

Uma noite, Axis e Henzo estavam no convés de observação, observando as estrelas se refletirem no oceano escuro. — Você parece... diferente — disse Axis, envolvendo-o em seus braços.

Henzo inclinou a cabeça no ombro de Guilherme. — Eu sou. Você me mostrou que não preciso apenas existir para lutar. Posso existir para viver.

A paz, no entanto, era apenas um interlúdio. Valerius os chamou para a sala de comando. O holograma da Terra, cercado por dados e anomalias, brilhava no centro da mesa.

— Thorne nos deu uma nova ponta — disse Valerius. — A Rainbow está rastreando um Calêndulo de alta energia. Uma "fantasma", eles a chamam. Ela morre e reaparece. Impossível de conter. Seu codinome é Paradoxo.

Ghost ampliou um ponto na Escócia, um emaranhado de dados e sinais de energia voláteis. — Minhas intercepções confirmam. Uma assinatura de energia caótica em Glasgow. Padrões de deslocamento dimensional anômala. Ela está desafiando todas as leis da física. A Rainbow está enviando sua unidade de contenção mais pesada.

— A ZPS não quer arriscar uma equipe grande. Eles querem uma inserção cirúrgica — disse Valerius, olhando para o Protocolo Alvorada. — Para contê-la ou recrutá-la antes que a Rainbow a elimine.

Ele olhou para a equipe. Para a calma de Égide, para a ferocidade contida da Rastreadora, para a lealdade sombria do Duelista, para a inteligência afiada de Faísca e Ghost, para a força gravitacional de Axis e a presença estabilizadora de Henzo.

— Paradoxo é a nossa próxima peça. Temos a localização. Temos os recursos. Temos a equipe.

O Protocolo Alvorada, agora uma força formidável, estava pronto para sua próxima missão.

Protocolo Alvorada: O Despertar de EixoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora