O bipe final do monitor cardíaco falhando ecoou na sala de comando e depois se foi, deixando para trás um silêncio tão profundo e pesado que parecia ter massa. A equipe completa do Protocolo Alvorada, recém-saída de uma vitória tática impecável, agora estava paralisada, confrontada com o peso de uma derrota moral esmagadora.
Por um longo momento, ninguém falou. A revelação — eles não são invasores, são refugiados — recontextualizou cada batalha, cada vida perdida, cada ordem dada.
Bane foi o primeiro a quebrar o silêncio, sua voz grave e sem emoção, como sempre. — A motivação deles não altera a realidade tática. Eles estão dispostos a destruir nosso mundo para salvar o deles. Continuam sendo a ameaça principal. Nossa missão não muda.
— Não muda? — A voz de Égide, normalmente calma e serena, estava afiada com uma indignação fria. — Nós estávamos lutando contra soldados. Agora, sabemos que estamos lutando contra sobreviventes de um desastre, pessoas desesperadas tentando salvar seus filhos. Como você pode dizer que isso não muda nada?
— Muda tudo — disse Axis, sua voz baixa. Ele olhava para o holograma agora vazio onde a transmissão ocorrera. Ele pensou no duplo que havia combatido em Seul, na fúria de seus olhos. Era o desespero de um homem lutando por sua casa.
— Eu concordo com Bane — disse Cérbero, sua lógica de caçadora sendo implacável. — Um animal encurralado é o mais perigoso. O fato de estarem morrendo os torna mais perigosos, não menos. Eles não vão parar. Eles não podem parar. Se tivermos que escolher entre o mundo deles e o nosso, eu escolho o nosso. Todas as vezes.
— E se não precisarmos escolher? — disse Legião, falando pela primeira vez. Todos se viraram para ele. — Eles precisam de Calêndula. Nós temos Calêndula. Por que não podemos... apenas... dar a eles? Negociar?
Faísca bufou, uma risada cínica. — Ah, claro, garoto-planta. Vamos só abrir um buraco no universo e dizer "ei, podem pegar o quanto quiserem da nossa fonte de energia global". O que poderia dar errado? Sem falar que a Rainbow e o Conselho nunca permitiriam isso. E como negociamos com pessoas que só aparecem para atirar e roubar?
— Eles atiram e roubam porque estão morrendo — retrucou Égide. — Se você estivesse se afogando, você não puxaria para baixo a pessoa que está no barco?
O Duelista, que estava em silêncio, limpando metodicamente sua pistola, finalmente falou. — O problema é a honra. Eles nos atacaram sem aviso. Eles nos enganaram usando nossos próprios rostos. Não pode haver negociação até que entendamos quem eles são e quem os lidera. Qualquer outra ação é taticamente ingênua.
A sala estava dividida. Os pragmáticos e os idealistas, os soldados e os curandeiros. Valerius observava sua equipe se fragmentar, o dilema moral ameaçando destruir a unidade que ele tanto lutara para construir.
Axis olhou para Henzo. C-37 estava quieto, parado como uma estátua, o rosto uma máscara impenetrável. — C-37 — disse Axis, usando o codinome. — Você. Você veio de um futuro em guerra. O que você acha?
Henzo ergueu o olhar. Todos os olhos na sala se voltaram para ele. O profeta do apocalipse. — Minha guerra... a guerra que eu vi... era sobre ódio — disse ele, a voz calma e medida. — Era sobre a ideologia de Nyx, a crença de que uma raça era superior à outra. Era uma guerra sobre poder. — Ele olhou para o dispositivo de sucção capturado. — Esta guerra... não é sobre ódio. É sobre necessidade. É sobre desespero. E uma guerra travada por desespero é mil vezes mais perigosa. Eles não vão parar até que um dos nossos mundos esteja morto.
A declaração fria dele pareceu selar o destino da Terra Ômega. Mas então ele continuou. — Mas isso também significa que há uma solução que não é a aniquilação. Eles não querem nos destruir. Eles querem o que nós temos. Se pudermos fornecer a eles o que precisam, a guerra acaba.
— E como propõe que façamos isso? — perguntou Cérbero.
A resposta veio de Ghost, que não estava participando do debate, mas sim analisando furiosamente o dispositivo "Vampiro". — Eu acho que acabei de descobrir — disse ela, a voz cheia de uma admiração aterrorizada. — Faísca, venha ver isso.
A engenheira do caos se aproximou do console. — O que você tem, hacker?
— Eu estava errada — disse Ghost. — Isso não é um sugador de Calêndula que também funciona como transmissor. É o contrário. É um Transmissor de Matéria-Energia que usa a Calêndula como fonte de ignição. Eles não estavam tentando sugar a energia de Itaipu. Eles estavam tentando usar a energia de Itaipu para enviar algo de volta para eles.
— Mas a transmissão que ouvimos... — disse Axis.
— Era um sinal de áudio em loop, uma transmissão de socorro automatizada enviada junto com o pulso de ignição — explicou Faísca, seus olhos voando pelos dados. — Eles não estavam tentando sugar a Calêndula. Eles estavam tentando abrir um portal estável. Meu Deus, Ghost... olhe para esta matriz de conversão.
Ghost e Faísca se entreolharam, a mesma compreensão insana brilhando em seus olhos. — Com os recursos da ZPS... — começou Ghost. — E com o meu conhecimento de física explosiva... — continuou Faísca. — Nós podemos reverter a engenharia disso — disse Ghost. — Nós não precisamos esperar que eles venham até nós. Nós podemos ir até eles.
A sala ficou em silêncio novamente. A ideia era suicida. E era perfeita. Valerius se aproximou da mesa de comando. O debate havia acabado. A missão estava clara. — Nós não podemos lutar contra um fantasma. Não podemos negociar com um eco. E não podemos salvar nosso mundo sem entender o deles.
Ele olhou para sua equipe, agora unida mais uma vez por um propósito impossível. — Ghost, Faísca. Comecem o trabalho. Quero um portal estável e funcional em 72 horas - Ele se virou para o resto do Protocolo Alvorada. — Preparem-se. Façam as pazes com seus deuses. Porque nós vamos dar um salto cego. A próxima missão do Protocolo Alvorada será a primeira missão de reconhecimento tripulada na Terra Ômega.
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Protocolo Alvorada: O Despertar de Eixo
Science FictionPara proteger um mundo transformado pelo poder da Calêndula, a Corporation Rainbow criou agentes como Axis, um jovem capaz de dobrar a gravidade à sua vontade. Sua missão: caçar um exército fantasma que parece conhecer cada segredo da Rainbow. Mas a...
