Capítulo 25: Trovão de Neon

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Tóquio era um oceano de luz. As ruas de Shinjuku, encharcadas por uma chuva fina, refletiam os arranha-céus de neon em um borrão impressionante de ciano, magenta e dourado. Para a equipe de inserção — Axis, Ghost e o Duelista —, a cidade era um ataque sensorial. Eles haviam deixado a ordem clínica da Base Égide para mergulhar em um ecossistema urbano tão denso e complexo quanto qualquer selva que a Rastreadora pudesse conhecer.

— Os dados da ZPS nos deram um ponto de partida, mas rastrear Voltaica é... complicado — disse Ghost, sua voz baixa no comunicador. Eles estavam em um pequeno restaurante de lámen, um ponto de observação improvável com vista para o cruzamento mais movimentado do mundo.

— Ela se move rápido demais para qualquer satélite — continuou ela, os olhos brilhando com a luz de um tablet holográfico. — Mas ela não é só rápida. Ela é uma bateria. Ela tem que descarregar. O consumo de energia da rede elétrica de Shinjuku oscila violentamente sempre que ela está em movimento. Não podemos rastreá-la. Mas podemos prever onde ela vai parar para recarregar.

— Ela é imprudente — observou o Duelista, seu olhar fixo na multidão abaixo. Ele estava vestido à paisana, mas sua postura era a de uma arma engatilhada. — Ela se tornou uma lenda urbana porque quer ser vista. Isso é uma fraqueza.

— É a nossa única chance — disse Axis. — Ghost, encontre o próximo pico.

O rastreamento os levou a um clube de arcade de vários andares, um palácio ensurdecedor de luzes piscantes e música eletrônica estridente. Ghost os guiou até o subsolo, onde uma sala de manutenção vibrava com uma energia que não vinha dos disjuntores.

Eles a encontraram. Voltaica estava agachada ao lado de uma caixa de força principal, os dedos de uma mão enfiados nos cabos expostos. A eletricidade dançava visivelmente sobre sua pele, o cabelo azul vibrante parecendo flutuar. Ela estava sorrindo, os fones de ouvido ligados, alheia ao mundo, recarregando como um telefone. Ao seu lado, uma maleta de titânio estava algemada ao seu pulso.

Ela os sentiu antes de ouvi-los. A eletricidade em seus músculos se contraiu. Em um borrão azul, ela se levantou, assumindo uma posição de combate, faíscas azuis saindo de seus dedos. — Quem são vocês? A segurança do fliperama? Porque se for, vocês são muito mais bonitos que os caras de sempre — disse ela, a voz cheia de uma energia crepitante e um sotaque filipino carregado.

— Nós não queremos brigar — disse Axis, erguendo as mãos. — Viemos conversar. Sobre a Yakuza. Sobre para quem você realmente trabalha.

Voltaica riu. — Eu trabalho para quem paga mais. E esta noite, o pagamento é ótimo. Estou no meio de uma entrega muito importante. Então, se vocês me dão licença...

— A entrega é uma armadilha — disse o Duelista, sua voz fria cortando a arrogância dela.

— Ah, é? E como você sabe, grandão? — ela zombou.

— Porque seus compradores acabaram de chegar. E eles não são da Yakuza — disse Ghost, olhando para o scanner em seu pulso. — Múltiplas assinaturas de energia anômala. Eles estão aqui.

As luzes do fliperama se apagaram instantaneamente, mergulhando o porão em uma escuridão quase total, iluminada apenas pelas faíscas azuis que agora saíam de Voltaica e pelas luzes de emergência vermelhas.

Das sombras, figuras em trajes negros avançaram. Duplos da Terra Ômega. Mas estes eram diferentes dos que eles enfrentaram antes. Eram mais rápidos, equipados com tecnologia de contenção de energia.

— Merda! — gritou Voltaica, percebendo que o Duelista estava certo. — Meus chefes me venderam!

Um dos duplos disparou um dispositivo que lançou uma rede de energia amarela. Voltaica, em um flash de luz azul, correu pela parede, o tempo parecendo desacelerar ao seu redor enquanto ela desviava da rede por centímetros. — Eles são rápidos! — ela gritou, impressionada.

— Nós somos mais! — respondeu Axis. Ele bateu as mãos no chão, e um pulso de gravidade emanou dele, fazendo os duplos cambalearem, seus pés subitamente pesando uma tonelada.

O Duelista entrou em ação. Cada tiro de sua pistola era preciso, derrubando os duplos com eficiência cirúrgica. A batalha subiu do porão para o fliperama, uma perseguição caótica em meio a máquinas de jogos que explodiam.

Voltaica era um raio. Ela ziguezagueava pelo campo de batalha, um borrão azul que derrubava inimigos com chutes carregados de eletricidade. Ela era pura velocidade, mas sem controle, sem tática. — Eles continuam vindo! — ela gritou, sobrecarregada.

— Pare de correr e lute! — ordenou o Duelista.

Eles foram encurralados na rua principal de Shinjuku, a chuva e o neon criando um cenário surreal para a batalha. Um duplo maior, uma versão do Bane da Terra Ômega, bloqueou a rota de fuga.

— Eu cuido disso! — gritou Voltaica.

Ela começou a correr em círculos, mais e mais rápido, o ar crepitando, o ozônio enchendo seus pulmões. Ela se tornou um pequeno tornado elétrico. Com um grito, ela disparou para a frente, atingindo o duplo de Bane como um raio vivo. O impacto foi ensurdecedor, jogando o soldado para trás e fritando seus sistemas.

Mas a descarga a deixou exausta. Ela caiu de joelhos, o brilho em seu cabelo diminuindo, ofegante. — Eu... eu exagerei um pouco — ela ofegou.

Mais duplos apareceram, armas erguidas. Axis e o Duelista se posicionaram na frente dela, um escudo humano. Mas antes que o tiroteio começasse, Ghost, que estava hackeando a infraestrutura da cidade, gritou em seus comunicadores. — Agora!

Com um clique, ela mergulhou o quarteirão inteiro na escuridão, apagando cada outdoor de neon, cada poste de luz. Na confusão, eles desapareceram.

Minutos depois, eles estavam amontoados em um carro de fuga que Ghost havia preparado. O silêncio foi quebrado por Voltaica, que ainda tentava recuperar o fôlego. — Ok... isso foi... intenso. Quem são vocês? E quem diabos eram aqueles cosplayers da Rainbow?

Axis se virou do banco da frente. — Nós somos o Protocolo Alvorada. E aqueles eram soldados de outro universo tentando te sequestrar porque você é uma fonte de energia ambulante.

Voltaica ficou em silêncio, processando. — Outro universo... Yakuza me traiu... — Ela finalmente olhou para cima, um sorriso lento e perigoso se formando em seus lábios. — Certo. Parece que estou desempregada. E parece que vocês precisam de alguém que saiba correr. Quando começamos?

A peça final havia se encaixado.

Protocolo Alvorada: O Despertar de EixoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora