A sala de comando da Base Égide era um centro nervoso de atividade. O Protocolo Alvorada, agora com recursos e uma equipe expandida, operava com uma nova e letal eficiência. Diante do holograma principal, Valerius e a equipe de campo designada para a próxima missão analisavam os dados.
— Glasgow, Escócia — disse Ghost, ampliando um mapa da cidade. — O alvo é uma Calêndulo não registrada, conhecida no submundo apenas como Paradoxo. A Corporation Rainbow a classifica como uma ameaça de nível 8, mas todas as tentativas de captura terminaram em... confusão.
Ela exibiu uma série de relatórios da Rainbow. "Alvo neutralizado". Seguido, dias depois, por um novo avistamento do mesmo alvo a quilômetros de distância. — Ela não é uma ilusionista e não tem um duplo — continuou Ghost. — A assinatura de energia dela é o problema. É um emaranhado quântico. Ela existe e não existe ao mesmo tempo. Rastreá-la com tecnologia padrão é como tentar pegar fumaça com as mãos.
— Mas nós não temos tecnologia padrão — disse Faísca, com um sorriso presunçoso, deslizando um pequeno dispositivo pela mesa. Parecia uma bússola de metal e cristal. — Eu chamo de Rastreador de Ressonância Quântica. Não rastreia a energia dela, rastreia a ausência dela, o vácuo que ela deixa na realidade quando... bem, quando ela faz o que quer que ela faça.
— Axis, Ghost, Duelista. Vocês três formam a equipe de campo — ordenou Valerius. — A habilidade do Duelista de isolar um alvo pode ser a única maneira de contê-la. Sua missão: encontrar Paradoxo, entender a natureza de seu poder e, se possível, recrutá-la. Tenham cuidado. Um inimigo que não teme a morte é o mais perigoso de todos.
Glasgow os recebeu com uma chuva fina e persistente que fazia as ruas de paralelepípedos e os edifícios de pedra gótica brilharem sob as luzes de neon. Era uma cidade de fantasmas e hologramas, o antigo e o cyberpunk colidindo em cada esquina. Eles se estabeleceram em um hotel discreto, e a caçada começou.
Por dois dias, eles seguiram os ecos fantasmagóricos que o rastreador de Faísca captava. A tarefa era frustrante. Os picos de energia de Paradoxo surgiam e desapareciam sem rima ou razão aparente. — Espere... — disse Ghost na segunda noite, em seu posto de observação improvisado no quarto de hotel. — Não é aleatório. Estou cruzando os locais dos picos de energia com os registros públicos da cidade. O primeiro foi em um hospital, na hora de uma morte registrada. O segundo, perto de um cemitério histórico. O terceiro, no local de um acidente de carro fatal.
— O poder dela está ligado à morte — disse o Duelista, a voz baixa e analítica. Ele observava a chuva escorrer pela janela, um reflexo de si mesmo sobreposto à cidade noturna.
— Ela não se alimenta da morte — corrigiu Axis, uma sensação incômoda se formando em seu peito. — Ela a persegue.
O rastreador apitou, desta vez com uma leitura mais forte, mais estável. — Localizei — anunciou Ghost. — Centro da cidade. Um clube underground chamado 'A Cripta'. Pela atividade da rede, parece o tipo de lugar onde a morte é uma forma de entretenimento.
"A Cripta" era um mergulho em um poço de som e fúria. A música era punk rock industrial, um barulho agressivo que vibrava no chão. O ar era espesso com o cheiro de suor, álcool barato e fumaça sintética. Em um pequeno palco, uma banda gritava sobre anarquia. No centro, um mosh pit se agitava com uma violência ritualística.
Eles a viram encostada no bar.
Paradoxo era jovem, talvez com a mesma idade de Axis, com cabelos curtos e escuros, múltiplos piercings e olhos que carregavam um tédio cósmico. Ela usava uma jaqueta de couro surrada sobre uma camiseta de banda rasgada. Ela observava o caos do mosh pit não com alegria, mas com a indiferença de quem assiste a um programa de TV repetido.
Axis se aproximou, a tarefa de ser o diplomata caindo naturalmente sobre ele. — Paradoxo? Meu nome é Axis. Eu gostaria de conversar.
Ela o olhou de cima a baixo, um sorriso zombeteiro em seus lábios. — Outra organização secreta querendo me recrutar? Que original. Qual é o plano de vocês? Dominação mundial ou só um plano de saúde melhor? Porque, acredite, eu não preciso de nenhum dos dois.
— Estamos oferecendo uma causa — disse Axis. — Uma chance de lutar por algo.
— Lutar? — ela riu, um som áspero. — Querido, eu já vi o final do filme. Todos morrem. A única diferença é que eu tenho que assistir às reprises. Não, obrigada. Estou fora.
Para provar seu ponto, ela se virou e caminhou diretamente em direção ao mosh pit. Ela deliberadamente esbarrou no maior homem do lugar, um brutamontes com o dobro de seu tamanho. A briga foi curta, brutal e inevitável. Paradoxo não lutou para vencer. Ela lutou para provocar.
Terminou com ela no chão, uma faca cravada em seu abdômen. O brutamontes, chocado com o que fez, desapareceu na multidão.
Axis e sua equipe correram até ela. Ela olhou para ele, o sangue borbulhando em seus lábios, mas o sorriso zombeteiro ainda estava lá. — Te vejo do outro lado, bonitão — sussurrou ela. E então, seus olhos perderam o foco.
A assinatura de energia no rastreador de Ghost se desfez, mas um eco fantasmagórico permaneceu. — Ela se foi... mas não se foi — disse Ghost. — O rastreador está pegando sua ressonância. Sigam-me!
Eles correram para fora do clube, seguindo o sinal fraco pelas ruas chuvosas de Glasgow. O sinal os levou a um beco escuro e fétido a vários quarteirões de distância. E lá, eles viram.
A forma espectral e translúcida de Paradoxo flutuava no ar, presa ao local por um fio de energia invisível. Ela parecia estar em dor, sua forma se contorcendo. — Ela precisa de uma âncora de energia vital para se tornar corpórea novamente — percebeu Ghost.
Como se o destino ouvisse, um assaltante saiu das sombras no final do beco, encurralando um civil. No momento em que o assaltante ergueu a faca, o fantasma de Paradoxo se moveu.
Ela mergulhou sobre o assaltante, não como um ataque, mas como uma mortalha. Por um instante, o homem gritou, o corpo convulsionando enquanto sua força vital era drenada, não o suficiente para matá-lo, mas o deixando fraco e desmaiado no chão.
A energia roubada fluiu para o espectro. A forma translúcida começou a se solidificar, a se preencher com cor e substância. Em segundos, Paradoxo estava de pé no beco, completamente curada, sem nenhum arranhão. Ela olhou para o corpo desmaiado do assaltante e deu de ombros.
Ela então se virou e viu a equipe do Protocolo, que havia assistido a tudo em um silêncio chocado. Ela não parecia surpresa. Apenas cansada. Terrivelmente cansada.
— Viram? — disse ela, a voz desprovida de qualquer emoção. — Não faz diferença. Eu sempre volto. Viver, morrer, voltar. É só... chato.
Axis olhou para a garota que não conseguia morrer, para os olhos que não viam mais valor na vida, e entendeu. A missão não era capturá-la. Não era nem mesmo convencê-la. Era responder à pergunta silenciosa e desesperada que ela lhes fazia.
Era dar a ela um motivo para não morrer da próxima vez.
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Protocolo Alvorada: O Despertar de Eixo
Science FictionPara proteger um mundo transformado pelo poder da Calêndula, a Corporation Rainbow criou agentes como Axis, um jovem capaz de dobrar a gravidade à sua vontade. Sua missão: caçar um exército fantasma que parece conhecer cada segredo da Rainbow. Mas a...
