Setenta e duas horas. Três dias em que a Base Égide, a fortaleza da Zenith Private Security no Atlântico, se transformou em um ninho frenético de atividade. O dispositivo "Vampiro", a peça de tecnologia da Terra Ômega capturada em Genebra, havia se tornado o centro do universo. Ele estava agora em um hangar de contenção reforçado, uma sala de paredes espessas, construída para resistir a testes de motores de foguete. E mesmo assim, o ar vibrava.
Ghost e Faísca não dormiam há três dias.
Elas eram um estudo de opostos, uma tempestade de ordem e caos. Ghost estava em um console elevado, seu rosto iluminado por dezenas de gráficos de dados, seus dedos voando enquanto ela reescrevia a física dimensional. Faísca estava no chão, coberta de graxa, usando um maçarico de plasma para fisicamente religar os condutores de Calêndula do dispositivo.
— Mais energia, hacker! — gritou Faísca por cima do ruído ensurdecedor do núcleo de energia. — O portal não vai se abrir com um 'por favor'! A barreira dimensional é muito densa!
— Se eu sobrecarregar os indutores de Calêndula, Faísca, não vamos perfurar a barreira, vamos transformar este hangar em uma sopa de átomos! — rebateu Ghost, a voz tensa no comunicador. — A estabilidade da matriz é tudo. Precisamos de precisão, não de um show de fogos de artifício!
— Blá, blá, blá... precisão... — resmungou Faísca, soldando um último cabo. Ela parou por um momento, olhando para os dados de energia que Ghost estava projetando. — Ok. Essa sua sub-rotina de buffer de energia em cascata... é, admito, genial. Está distribuindo a carga de uma forma que eu não pensei ser possível.
Ghost, sem tirar os olhos da tela, permitiu-se um raro e quase imperceptível sorriso. — E sua fiação de bypass do refrigerador a hélio é imprudente, perigosa e completamente insana. Mas foi a única razão pela qual isso já não explodiu. Você não é tão burra quanto parece.
— Ei! — gritou Faísca, sorrindo. — Acho que isso foi um elogio!
Axis e C-37 observavam as duas gênias de uma passarela de observação segura. Axis sorriu com a interação, mas Henzo... Henzo estava tenso. Ele não olhava para as engenheiras. Olhava para o dispositivo.
— Tem algo errado — sussurrou Henzo.
— O que foi? — perguntou Axis.
— A energia. É... instável. Não como a tecnologia de Mercer. É... doente.
No exato momento em que ele disse isso, o zumbido do dispositivo mudou. O tom grave se tornou um silvo agudo e doloroso. As luzes da base inteira piscaram violentamente. Um alarme de sobrecarga soou. — O núcleo está oscilando! A energia está voltando! — gritou Ghost.
O mundo mergulhou na escuridão, substituído apenas pela luz de emergência vermelha e pulsante do hangar. E naquele segundo de caos, Henzo congelou.
Ele não estava olhando para o portal. Estava olhando para a passarela de metal mais alta, do outro lado do hangar.
Uma figura estava lá, onde segundos antes não havia nada. Não era um homem. Era um retalho de sombras, uma silhueta de fumaça e fragmentos de vidro que parecia absorver a luz vermelha. Não tinha rosto, apenas dois buracos vazios que brilhavam com uma luz roxa fria. Era Espectro. Ele não se moveu. Apenas observou. Ele observou Henzo, e depois Axis, e então inclinou a cabeça, como se estivesse intrigado.
— Henzo? O que foi? — gritou Axis.
As luzes principais voltaram, zumbindo com força total. O alarme parou. Ghost havia estabilizado o núcleo. Henzo piscou, e a figura na passarela havia desaparecido.
— Nada — disse ele, a voz rouca. — Eu... não foi nada. Só uma sombra.
Na sala de comando principal, Valerius observava a cena. A estabilização do portal era apenas uma das peças do xadrez. A outra acabara de chegar. — Comandante — disse um técnico de comunicações da ZPS. — Mensagem urgente. Criptografia Nível Ômega. É do seu ativo 'Thorne'.
Valerius se dirigiu à sua sala privada. O rosto pálido e apavorado de Kaelen Thorne apareceu no holograma. — Eles sabem que há um vazamento. Não tenho muito tempo. O Conselho... eles estão realocando tudo. — O que você quer dizer? — perguntou Valerius. — Eles estão recuando na caça ao Protocolo Alvorada. A ordem de captura da Cérbero foi suspensa.
Valerius franziu a testa. Isso não era uma boa notícia. Era uma notícia terrível. — Por quê?
— Porque eles encontraram um alvo maior. Todos os recursos de inteligência da Rainbow, todas as unidades de black-ops, estão sendo mobilizados para uma caçada humana global. Eles estão procurando pela protegida de Mercer. A mulher que eles acreditam que pode recriar o soro. Eles estão caçando Nyx.
Valerius entendeu. A guerra futura de C-37 não estava sendo evitada. Estava sendo acelerada. A Rainbow não queria parar Nyx. Eles queriam contratá-la. Ou, pior, dissecá-la. Era uma corrida. E o Protocolo Alvorada estava prestes a sair do tabuleiro. — Obrigado, Thorne. Desapareça. Apague esta comunicação.
Valerius retornou à sala de comando do portal. A hora de hesitar havia acabado.
— Ghost. Status. — O portal está estável, Comandante. Mas não vai durar. A energia... é uma rua de mão única por enquanto. Quem for, talvez não possa voltar tão cedo.
Valerius olhou para sua equipe, reunida no hangar. Todos os treze. A equipe central original: Axis, C-37, Ghost, Bane. E os novos pilares de sua rebelião: Faísca, Legião, Égide, Rastreadora, Duelista, Paradoxo, Voltaica, Cérbero.
Eles eram um exército de párias. Um curandeiro pacifista, um caçador de recompensas, uma imortal niilista, um viajante do tempo quebrado, um garoto que falava com monstros, e um bando de gênios e soldados que haviam sido traídos. Eles eram a única esperança do planeta.
— Muito bem — disse Valerius, sua voz ecoando pelo hangar. — A missão é de reconhecimento. Descubram a verdade. Descubram o que está matando o mundo deles e por que eles estão dispostos a destruir o nosso para sobreviver. Não comecem uma guerra. Mas estejam prontos para terminar uma.
Axis assumiu a frente. Ele olhou para cada membro de sua equipe. Cérbero ajustou suas armadilhas. Faísca carregou um novo lançador. O Duelista checou suas pistolas. Paradoxo deu de ombros, um sorriso irônico no rosto.
Por último, seu olhar encontrou o de Henzo. Henzo não parecia mais assustado. Ele não parecia mais uma vítima. A profecia de sua guerra futura ainda pairava sobre eles, mas ali, naquele momento, ao lado de Axis, ele parecia estar exatamente onde deveria estar. Ele deu a Axis um único e firme aceno de cabeça. Juntos.
O dispositivo "Vampiro" soltou um último rugido, e o ar na frente dele se rasgou. Não era um portal limpo e azul. Era um vórtice caótico e violento de energia escura, vermelho e preto, como uma ferida aberta no tecido da realidade.
— Protocolo Alvorada — disse Valerius. — Boa caçada.
Axis se virou para o portal. Ele respirou fundo o ar frio e metálico do hangar. — Pelo Eixo — disse ele, dando o primeiro passo em direção ao véu.
Um por um, a equipe inteira o seguiu. Doze sombras entrando na escuridão, uma após a outra.
A última a entrar foi Cérbero. Ela parou na borda do portal, olhou para trás uma última vez, e então desapareceu na anomalia.
O portal se fechou com o som de um trovão distante, deixando o hangar em um silêncio repentino e ensurdecedor.
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Protocolo Alvorada: O Despertar de Eixo
Science FictionPara proteger um mundo transformado pelo poder da Calêndula, a Corporation Rainbow criou agentes como Axis, um jovem capaz de dobrar a gravidade à sua vontade. Sua missão: caçar um exército fantasma que parece conhecer cada segredo da Rainbow. Mas a...
