A ponta de uma flecha, esculpida em obsidiana e zumbindo com energia de Calêndula, estava apontada diretamente para o coração de Axis. Ele estava cercado, assim como Ghost e C-37. A tribo da Rastreadora, os protetores de Égide, emergiu das sombras da floresta, seus rostos pintados, os olhos brilhando com uma desconfiança selvagem. Eles eram dezenas, cada um um Calêndulo, suas energias entrelaçadas com a da floresta antiga ao redor deles.
— Eu vou perguntar mais uma vez — disse a Rastreadora, sua voz um rosnado baixo, a mulher com pele de casca de árvore que liderava o grupo. — O que agentes da Rainbow fazem em nosso território?
— Nós já dissemos. Não somos mais da Rainbow — respondeu Ghost, a voz calma, as mãos erguidas. — Somos dissidentes. Estamos lutando contra eles, assim como vocês se escondem deles.
— Palavras são vento. Eu já ouvi mentiras de homens como vocês antes. Eles vêm prometendo paz e deixam apenas cinzas — retrucou a líder.
Axis deu um passo à frente, ignorando a ponta da flecha que agora pressionava seu peito. Ele olhou nos olhos da Rastreadora, não com desafio, mas com uma vulnerabilidade calculada. — Então não acredite em nossas palavras. Acredite nos nossos inimigos.
Ele fez um sinal para Ghost. Com um toque em seu terminal, ela projetou o holograma do arquivo de Mercer no ar úmido da floresta. Eles assistiram, em silêncio tenso, à confissão do doutor e à traição da Rainbow.
— Eles mataram todos aqueles cientistas para obter uma arma — disse Axis, quando o holograma se desfez. — E agora, eles estão caçando Égide pelo mesmo motivo. Nós não viemos para levá-la. Viemos para avisá-la. Para protegê-la. Nós não somos seus inimigos. Nós somos os inimigos deles também.
A Rastreadora o encarou, seu olhar penetrante tentando encontrar a mentira. Ela viu a raiva em Axis, a lógica fria em Ghost e a dor antiga e silenciosa em C-37. Ela estava prestes a falar quando o inferno desabou sobre eles.
Não houve aviso. Nenhuma explosão. Apenas o som agudo e sibilante de dezenas de rajadas de energia cortando o ar, vindas de todas as direções. Uma das cabanas explodiu em uma chuva de farpas. Um dos protetores da tribo gritou e caiu, o peito perfurado.
— Contato! Posições múltiplas! — gritou Ghost, mergulhando para se abrigar atrás de uma árvore antiga.
Das sombras da floresta, eles emergiram. Soldados em trajes táticos pretos, idênticos aos da Rainbow, mas sem insígnias. Eram os duplos da Terra Ômega. Silenciosos, eficientes, mortais.
A hesitação da tribo se desfez, substituída pelo instinto de sobrevivência. O impasse acabou. A batalha começou.
O que se seguiu foi um caos de guerrilha. A tribo, em seu território, era como uma força da natureza. Protetores com poder sobre as plantas erguiam barreiras de vinhas e raízes. Outros, com a agilidade de felinos, atacavam dos galhos mais altos. A Rastreadora era o coração da defesa, seus olhos brilhando enquanto ela enviava um falcão de energia pura para o céu, marcando as posições dos duplos em sua mente e gritando ordens para sua tribo.
Mas os duplos eram um exército. Eles avançavam com uma disciplina fria, cada movimento coordenado, o fogo de seus rifles de pulso suprimindo os defensores.
— Eles estão nos empurrando para o centro! É uma manobra de cerco! — gritou Ghost pelo comunicador. — Precisamos quebrar a linha deles no flanco leste!
C-37 se movia como uma máquina de matar, neutralizando os duplos com uma eficiência brutal. Mas Axis viu um grupo de crianças e idosos da tribo encurralados em uma cabana que estava na linha de fogo direta de um esquadrão de duplos.
— Cubram-me! — gritou ele, correndo na direção deles.
Ele se posicionou na frente da cabana, as mãos estendidas. Ele criou uma lente gravitacional, uma distorção visível no ar que desviava as rajadas de energia. O esforço era imenso, exigindo toda a sua concentração. Ele era um escudo humano, mas um alvo imóvel.
Um dos duplos, em uma posição elevada, levantou um rifle de precisão. Um ponto de luz vermelha dançou sobre o peito de Axis.
C-37 viu. Ele estava do outro lado da clareira, em uma posição de cobertura perfeita, derrubando os inimigos um a um. A lógica tática era clara: permanecer em sua posição e eliminar o atirador. Mas o que ele fez não teve nada a ver com tática.
Com um grito primal que surpreendeu a todos que o ouviram, ele abandonou sua cobertura e correu. Ele correu mais rápido do que Axis jamais o vira correr, o chão se partindo sob seus pés. Ele não correu em direção ao sniper. Correu em direção a Axis.
O tiro do sniper soou, um zumbido agudo. No último instante, C-37 se jogou contra Axis, empurrando-o para o chão com uma força violenta. O corpo de C-37 absorveu o impacto, a rajada de energia queimando através de sua armadura de ombro, fazendo-o grunhir de dor.
Eles caíram juntos, uma confusão de membros e respirações ofegantes. Por um momento, o som da batalha desapareceu. Havia apenas o rosto de Henzo, a centímetros do de Guilherme, seus olhos arregalados, não com a dor do ferimento, mas com um terror puro e absoluto. O terror de quase ter falhado. O terror de quase ter visto a profecia se cumprir.
Axis, atordoado, viu naquela expressão não a de um soldado protegendo um ativo, mas a de alguém protegendo a única coisa que importava no universo.
Aquele momento de vulnerabilidade foi quebrado pela voz da Rastreadora. — AGORA!
Aproveitando a distração, a tribo contra-atacou. Vinhas grossas como cobras irromperam do chão, prendendo os duplos. Um lobo de energia fantasmagórico, convocado pela Rastreadora, saltou sobre o sniper, silenciando-o para sempre. Superados pela ferocidade da defesa e pela perda de seu elemento surpresa, os duplos recuaram, desaparecendo na floresta tão silenciosamente quanto chegaram.
A batalha havia acabado. O silêncio que se seguiu foi preenchido por gemidos de dor e o cheiro de queimado.
Mais tarde, enquanto a tribo cuidava de seus feridos, a Rastreadora se aproximou do trio. A hostilidade em seus olhos havia desaparecido, substituída por um respeito relutante. — Vocês lutaram por nós. Provaram suas palavras com sangue — disse ela. — Minha tribo e eu estamos com vocês.
Ela se ajoelhou ao lado de C-37, cuja ferida no ombro estava sendo limpa por Axis. A Rastreadora colocou a mão sobre o ferimento. Uma luz verde e suave emanou de sua palma, e o tecido da pele de Henzo começou a se fechar, o processo de cura acelerando visivelmente.
Enquanto curava, ela olhou de Henzo para Axis, e de volta para Henzo, um olhar antigo e sábio em seu rosto. — A energia que te move... não é só a da guerra — disse ela, a voz baixa, apenas para ele ouvir. — Há algo mais. Algo mais antigo. Tenha cuidado com isso. Pode ser sua maior força, ou sua ruína final.
Ela se levantou. — Égide não está aqui. Depois que a cabana dela foi atacada pela primeira vez, eu a levei para um lugar mais seguro. Um santuário oculto nas montanhas. Eu levarei vocês até lá.
O capítulo daquela noite terminou com Axis terminando de enfaixar o ombro de Henzo, seus dedos se demorando por um instante a mais do que o necessário. — Você não precisava ter feito aquilo — sussurrou Axis.
C-37, pela primeira vez desde que chegara, não desviou o olhar. Seus olhos encontraram os de Guilherme, e a casca de soldado se rachou, revelando o homem por baixo. — Sim — respondeu ele, a voz cheia de uma verdade crua e inegável. — Eu precisava.
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Protocolo Alvorada: O Despertar de Eixo
Ciencia FicciónPara proteger um mundo transformado pelo poder da Calêndula, a Corporation Rainbow criou agentes como Axis, um jovem capaz de dobrar a gravidade à sua vontade. Sua missão: caçar um exército fantasma que parece conhecer cada segredo da Rainbow. Mas a...
