39. Mc Hariel

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Hariel

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Hariel

Já tinha alguns dias que venho reparando que minha mulher está diferente.

Mais calada, menos sorriso no rosto, e sempre mexendo no celular sem ânimo. Não era normal dela se desligar tanto do mundo.

Naquela tarde, enquanto ela cochilava no sofá, eu fiquei só observando a mesma. O cabelo bagunçado caindo pelo rosto, a expressão cansada.

Vê essa cena fez meu coração apertar, ela não merece passar por isso.

-- tá na hora de fazer alguma coisa -- murmurei pra mim mesmo -- não vou deixar ela passar por isso.

E foi aí que eu tive a ideia.

Seu Nome

Acordei após um cochilo bem dado e estranhei a movimentação. A sala estava com almofadas espalhada pelo chão, uma pilha de filmes na mesa, uma caixa de maquiagem, esmaltes, doces, brigadeiro e até uma jarra de suco rosa.

-- o que é isso? -- perguntei confusa, coçando os olhos -- hariel, o que você tá aprontando?

-- então, meu amor -- meu namorado sorriu, meio tímido -- é uma noite das garotas.. só pra você!

Eu arquiei a sobrancelha, tentando segurar o riso.

-- uma noite das garotas? com você?

-- é, ué! -- ele disse, sentando do meu lado -- você anda meio tristinha esses dias, então pensei que talvez fosse bom a gente fazer um dia leve, bobo, desses que a gente ri do nada. eu posso até pintar sua unha, se quiser.

Eu não aguentei e cai na risada.

-- você vai estragar a minha unha, certeza!

-- provavelmente, amor -- ele admitiu, rindo junto -- mas a gente pode tentar.

Eu me ajeitei perto dele, o peito aquecido pelo gesto.

-- você é doido, sabia?

-- sou doido por você! -- ele rebateu, piscando -- então, escolhe por onde vamos começar, linda.

As horas passaram com a gente assistindo comédias, trocando histórias, tentando fazer trança e penteados um no cabelo do outro (ele falhou miseravelmente) e comendo brigadeiro direto da panela.

Quando hariel passou um esmalte azul todo borrado nos meus dedos, eu chorei de tanto rir.

E no meio daquela bagunça, eu percebi que não me sentia tão leve fazia tempo.

Já era de madrugada, quando me deitei no peito dele, me aconchegando.

-- obrigada meu bem! -- sussurrei -- por cuidar de mim desse jeito.

-- sempre, linda -- ele beijou o topo da minha cabeça -- se você esquecer, eu te lembro que você nunca vai estar sozinha, seu nome.

Eu fechei os olhos, sorrindo de verdade pela primeira vez em dias. E ali, no silêncio da sala, com o cheiro doce de brigadeiro no ar e as unhas borradas de azul, eu me senti em casa.

⏰️

O sol entrava tímido pela janela do quarto, e o cheiro de alguma coisa queimada começou a invadir o quarto.

Eu abri os olhos meio sonolenta ainda, mas com aquele cheiro tava impossível continuar deitada.

-- amor? -- murmurei ainda confusa -- o que que acontecendo?

Ficou um silêncio por dois segundos. Depois, um barulho alto vindo da cozinha.

-- tá tudo bem! -- ele gritou -- eu acho!

Eu me sentei, com o cabelo bagunçado, a blusa amassada da noite anterior. E não pude evitar de começar a rir, antes mesmo de ver o que estava acontecendo.

Quando cheguei na cozinha encontrei a cena do meu namorado com um avental (provavelmente um que ele achou perdido pelos armários), com farinha no cabelo e roupa, tentando virar uma panqueca que claramente não queria cooperar.

-- ah não... -- eu comecei a rir -- não acredito que você tá lutando com a frigideira!

-- tô ganhando! -- ele disse, mas a panqueca caiu no chão -- ou eu tava ganhando.

Me apoiei no balcão, tava rindo tanto que não conseguia respirar direito.

-- amor, o que você tá tentando fazer?

Ele suspirou, olhando pra bagunça.

-- café da manhã pra você.. só que -- ele apontou pro prato, onde tinha um ovo deformado -- o pão queimou, o suco ficou meio estranho e o ovo me traiu.

-- meu Deus, amor! -- eu me aproximei, ainda sorrindo e peguei o prato -- você é um desastre.

-- mas um desastre fofo, vai! -- ele disse, abrindo um sorriso que eu amava ver.

-- tá, você ganha pontos por tentativa -- eu respondi, pegando um pedacinho do pão torrado demais e mordendo -- humm, crocante demais, talvez?

-- é o toque especial! -- ele disse, tentando disfarçar o riso -- eu costumo chamar de caramelização acidental.

Eu gargalhei alto, não aguentava com aquele menino. E ele me observou com um semblante de satisfeito.

Ele se aproximou de mim, limpou com o polegar um restinho de farinha que ficou na minha bochecha.

-- missão cumprida, você tá sorrindo de novo, linda.

-- você é o melhor namorado do mundo, mesmo sendo um desastre na cozinha.

-- ei, mas o suco deu certo! -- ele disse animado -- quer provar?

Eu peguei o copo, cheirei e fiz uma careta. Coisas verdes na cozinha não costumam me agradar.

-- por que o suco é verde?

-- calma amor! -- ele piscou -- é uma surpresa saudável.

-- tá bom, senhor chef, vou tomar seu suco alienígena.

E entre muita bagunça e amor, eu tive um dos melhores café da manhã da minha vida.

E entre muita bagunça e amor, eu tive um dos melhores café da manhã da minha vida

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