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Hariel
Já tinha alguns dias que venho reparando que minha mulher está diferente.
Mais calada, menos sorriso no rosto, e sempre mexendo no celular sem ânimo. Não era normal dela se desligar tanto do mundo.
Naquela tarde, enquanto ela cochilava no sofá, eu fiquei só observando a mesma. O cabelo bagunçado caindo pelo rosto, a expressão cansada.
Vê essa cena fez meu coração apertar, ela não merece passar por isso.
-- tá na hora de fazer alguma coisa -- murmurei pra mim mesmo -- não vou deixar ela passar por isso.
E foi aí que eu tive a ideia.
Seu Nome
Acordei após um cochilo bem dado e estranhei a movimentação. A sala estava com almofadas espalhada pelo chão, uma pilha de filmes na mesa, uma caixa de maquiagem, esmaltes, doces, brigadeiro e até uma jarra de suco rosa.
-- o que é isso? -- perguntei confusa, coçando os olhos -- hariel, o que você tá aprontando?
-- então, meu amor -- meu namorado sorriu, meio tímido -- é uma noite das garotas.. só pra você!
Eu arquiei a sobrancelha, tentando segurar o riso.
-- uma noite das garotas? com você?
-- é, ué! -- ele disse, sentando do meu lado -- você anda meio tristinha esses dias, então pensei que talvez fosse bom a gente fazer um dia leve, bobo, desses que a gente ri do nada. eu posso até pintar sua unha, se quiser.
Eu não aguentei e cai na risada.
-- você vai estragar a minha unha, certeza!
-- provavelmente, amor -- ele admitiu, rindo junto -- mas a gente pode tentar.
Eu me ajeitei perto dele, o peito aquecido pelo gesto.
-- você é doido, sabia?
-- sou doido por você! -- ele rebateu, piscando -- então, escolhe por onde vamos começar, linda.
As horas passaram com a gente assistindo comédias, trocando histórias, tentando fazer trança e penteados um no cabelo do outro (ele falhou miseravelmente) e comendo brigadeiro direto da panela.
Quando hariel passou um esmalte azul todo borrado nos meus dedos, eu chorei de tanto rir.
E no meio daquela bagunça, eu percebi que não me sentia tão leve fazia tempo.
Já era de madrugada, quando me deitei no peito dele, me aconchegando.
-- obrigada meu bem! -- sussurrei -- por cuidar de mim desse jeito.
-- sempre, linda -- ele beijou o topo da minha cabeça -- se você esquecer, eu te lembro que você nunca vai estar sozinha, seu nome.
Eu fechei os olhos, sorrindo de verdade pela primeira vez em dias. E ali, no silêncio da sala, com o cheiro doce de brigadeiro no ar e as unhas borradas de azul, eu me senti em casa.
⏰️
O sol entrava tímido pela janela do quarto, e o cheiro de alguma coisa queimada começou a invadir o quarto.
Eu abri os olhos meio sonolenta ainda, mas com aquele cheiro tava impossível continuar deitada.
-- amor? -- murmurei ainda confusa -- o que que tá acontecendo?
Ficou um silêncio por dois segundos. Depois, um barulho alto vindo da cozinha.
-- tá tudo bem! -- ele gritou -- eu acho!
Eu me sentei, com o cabelo bagunçado, a blusa amassada da noite anterior. E não pude evitar de começar a rir, antes mesmo de ver o que estava acontecendo.
Quando cheguei na cozinha encontrei a cena do meu namorado com um avental (provavelmente um que ele achou perdido pelos armários), com farinha no cabelo e roupa, tentando virar uma panqueca que claramente não queria cooperar.
-- ah não... -- eu comecei a rir -- não acredito que você tá lutando com a frigideira!
-- tô ganhando! -- ele disse, mas a panqueca caiu no chão -- ou eu tava ganhando.
Me apoiei no balcão, tava rindo tanto que não conseguia respirar direito.
-- amor, o que você tá tentando fazer?
Ele suspirou, olhando pra bagunça.
-- café da manhã pra você.. só que -- ele apontou pro prato, onde tinha um ovo deformado -- o pão queimou, o suco ficou meio estranho e o ovo me traiu.
-- meu Deus, amor! -- eu me aproximei, ainda sorrindo e peguei o prato -- você é um desastre.
-- mas um desastre fofo, vai! -- ele disse, abrindo um sorriso que eu amava ver.
-- tá, você ganha pontos por tentativa -- eu respondi, pegando um pedacinho do pão torrado demais e mordendo -- humm, crocante demais, talvez?
-- é o toque especial! -- ele disse, tentando disfarçar o riso -- eu costumo chamar de caramelização acidental.
Eu gargalhei alto, não aguentava com aquele menino. E ele me observou com um semblante de satisfeito.
Ele se aproximou de mim, limpou com o polegar um restinho de farinha que ficou na minha bochecha.
-- missão cumprida, você tá sorrindo de novo, linda.
-- você é o melhor namorado do mundo, mesmo sendo um desastre na cozinha.
-- ei, mas o suco deu certo! -- ele disse animado -- quer provar?
Eu peguei o copo, cheirei e fiz uma careta. Coisas verdes na cozinha não costumam me agradar.
-- por que o suco é verde?
-- calma amor! -- ele piscou -- é uma surpresa saudável.
-- tá bom, senhor chef, vou tomar seu suco alienígena.
E entre muita bagunça e amor, eu tive um dos melhores café da manhã da minha vida.
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