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seu nome pov
Eu soube que algo estava errado no instante em que entrei no quarto. Nicolas estava sentado na beira da cama, com o celular na mão e aquela expressão fechada que eu já conhecia bem. Meu estômago revirou. Quando ele ficava assim, quase sempre era ciúmes.
— aconteceu alguma coisa? — perguntei, tentando soar normal enquanto largava a bolsa na cadeira.
Ele demorou pra responder. O silêncio pesou mais do que qualquer grito.
— vi seus stories hoje.
Respirei fundo, sentindo o cansaço subir antes mesmo da raiva.
— e daí? eu só tava com meus amigos.
Quando ele me olhou, vi nos olhos algo que me machucou mais do que a acusação em si: insegurança.
— seus amigos ou aquele cara que não sai do seu lado?
Meu peito apertou. De novo essa conversa. De novo eu tendo que me explicar por coisas que nunca fiz.
— nicolas, você sabe que não tem nada demais — respondi, tentando manter a calma que eu já estava perdendo.
Ele se levantou e começou a andar pelo quarto, inquieto. Aquilo me dava nervoso.
— eu vejo como eles te olham, s/n. vejo os comentários, as curtidas, parece que todo mundo te quer.
Cruzei os braços, mais pra me proteger do que por raiva.
— então o problema sou eu existir? postar? sorrir?
Ele levantou o tom, e aquilo doeu.
— não distorce! eu só eu não gosto da sensação de estar te perdendo.
As palavras dele me atingiram em cheio. Porque, no fundo, eu entendia. Mas entender não tornava tudo mais fácil.
— ciúmes não é prova de amor — falei, sentindo os olhos arderem. — desconfiança cansa, machuca.
Quando ele parou na minha frente, vi algo que eu não esperava: os olhos marejados. E aquilo desmontou parte da minha defesa.
— e você acha que pra mim é fácil? — ele disse. — ver todo mundo querendo a pessoa que eu amo?
Meu coração bateu forte. Não era só uma briga. Era medo. Era insegurança. Era amor mal expressado.
— a gente precisa aprender a confiar — respondi mais baixo. — porque do jeito que tá, isso vai acabar nos afastando.
Ele passou a mão pelo rosto, respirando fundo, como se estivesse lutando contra os próprios pensamentos.
— eu não quero te perder — confessou. — só não sei como parar de sentir isso.
Dei um passo à frente, dividida entre abraçá-lo e ir embora. Amar também cansa quando dói assim.
O silêncio que se instalou depois da confissão dele era pesado, mas diferente. Não era mais raiva, era medo dos dois lados.
Eu respirei fundo, sentindo o nó na garganta.
— amor — comecei, com a voz baixa. — eu nunca te dei motivo pra duvidar de mim.
Ele levantou o olhar devagar, como se tivesse medo do que eu ia dizer.
— eu sei — respondeu. — e é isso que mais me dói. o problema não é você, sou eu.
Aquela frase me desmontou.
Aproximei-me mais, até conseguir ver cada detalhe do rosto dele, tão familiar e, ainda assim, tão vulnerável naquele momento.
— quando você duvida de mim, parece que tudo o que eu sou não é suficiente — confessei. — eu me sinto presa, como se tivesse que diminuir quem eu sou pra caber no seu medo.
Os olhos dele se encheram de lágrimas, e o meu coração apertou junto.
— eu nunca quis te machucar — disse, a voz falhando. — eu só tenho medo de não ser o bastante pra você.
Meu peito doeu. Porque ali estava a raiz de tudo.
— você é — respondi sem hesitar. — mas eu preciso que você confie em mim do mesmo jeito que eu confio em você.
Ele segurou minhas mãos com força, como se tivesse medo de me perder naquele instante.
— eu prometo tentar — falou. — prometo aprender a lidar com isso, a não descontar em você. Eu te amo, amor e não quero que esse sentimento vire algo que te machuque.
As lágrimas escorreram antes que eu pudesse impedir. Balancei a cabeça, emocionada.
— eu também te amo. Mas amor precisa ser leve, não um campo de batalha.
Ele me puxou pra perto e me abraçou forte. Não foi um abraço qualquer. Foi daqueles que pedem desculpa sem palavras, que prometem cuidado, que seguram como se o mundo estivesse prestes a desabar.
Enterrei o rosto no pescoço dele, sentindo o coração dele acelerar junto ao meu.
— a gente vai errar — murmurei. — mas se for pra errar, que seja conversando, e não brigando.
Ele encostou a testa na minha.
— eu vou lutar por nós — disse. — do jeito certo.
Sorri entre lágrimas, sentindo algo que há tempos eu precisava: segurança.
Nos beijamos devagar, sem pressa, como se aquele beijo selasse um acordo silencioso. Não era sobre esquecer a briga, era sobre escolher ficar.
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