45. Kabrinha

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seu nome pov

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seu nome pov

Eu sabia que aquela conversa não ia terminar bem no momento em que o Gustavo apareceu com aquele sorrisinho de quem já tinha decidido tudo antes mesmo de falar comigo.

amor, hoje os meninos chamaram pra dar um rolê de moto — ele disse, como se estivesse pedindo algo simples, tipo escolher um sabor de pizza.

Meu estômago deu um nó. Não era a primeira vez, e também não era a primeira vez que eu dizia não. Não por controle, não por ciúmes. Era medo. Medo de uma ligação no meio da madrugada, medo de notícia ruim, medo de perder quem eu amo por causa de imprudência.

Respirei fundo antes de responder.

Gustavo, eu não me sinto bem com isso, você sabe! moto, estrada, gente empolgada demais, eu fico preocupada amor!

O sorriso sumiu na hora.

você nunca deixa — ele retrucou, cruzando os braços como uma criança contrariada.

Expliquei. De novo. Falei do meu medo, da ansiedade que me consome só de imaginar. Falei que não era sobre confiar nele, era sobre não confiar no mundo. Mas ele não quis ouvir. Ele nunca quer ouvir quando a resposta não é a que ele espera.

então pronto, né? eu não posso fazer nada — disse, jogando o celular no sofá. — todo mundo vai e eu fico aqui, igual um idiota.

A birra começou ali. Silêncio forçado, respostas curtas, aquela energia pesada que toma conta da casa. Eu observava tudo, sentindo a culpa tentar se instalar no meu peito, mas lutando contra ela. Eu não estava errada por me importar.

você tá exagerando — ele falou depois de um tempo, já com a voz emburrada. — parece até que você é minha mãe.

Aquilo doeu. Não porque eu não esperasse, mas porque amar alguém não deveria virar acusação. Eu não queria mandar. Eu só queria proteger.

eu só queria que você entendesse que meu “não” vem do amor — respondi, com a voz mais baixa do que eu gostaria.

Ele virou o rosto, como se fosse mais fácil ficar bravo do que admitir isso. E naquele momento eu percebi: às vezes, amar também é aguentar birras, sustentar limites e aceitar que nem todo mundo sabe lidar quando não pode fazer tudo o que quer.

E mesmo doendo, eu continuei firme. Porque amor não é ceder sempre. Às vezes, é dizer não, mesmo quando quem a gente ama faz cara feia.

O silêncio entre nós não durou muito, mas foi pesado o suficiente pra parecer eterno. Ele andava pela casa de um lado pro outro, pegando coisas sem necessidade, abrindo a geladeira sem fome nenhuma. Birra em movimento.

Eu fiquei sentada no sofá, abraçando as próprias pernas, tentando organizar os pensamentos que estavam todos embolados. Parte de mim queria ceder, dizer “vai, só toma cuidado”, só pra acabar com aquilo. A outra parte, a mais cansada, sabia que, se eu cedesse agora, estaria ensinando ele a me pressionar sempre.

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