41.Kabrinha

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Seu Nome

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Seu Nome

O relógio marcava quase 11 da manhã, e a casa já estava tomada pelo som do choro do Gael. Ele queria o brinquedo novo que viu na loja no dia anterior, e desde que acordou não falava Zé outra coisa.

Eu tentei conversar, distrair, oferecer o café, mas nada funcionava. Ele cruzava os braços, batia o pé no chão e gritava "eu quero agora".

Respirei fundo, de novo e mais uma vez.

-- gael, filho a mamãe já te explicou -- falei com calma, sentindo a paciência se esgotando -- hoje não dá pra comprar, lembra?

Ele virou o rosto e empurrou o prato do café pra longe. Um pouco de leite derrubou na mesa, e o som do copo batendo fez meu coração acelerar.

Foi então que Gustavo apareceu na cozinha, com um olhar de preocupado e cansado.

-- ei campeão, olha pra mim! -- ele se aproximou do Gael, falando com a voz firme, mas sem elevar o tom -- tá tudo bem ficar bravo, mas não pode jogar as coisas, tá?

Gael olhou pra ele, ainda emburrado, e as lágrimas começaram a escorrer. Eu o observei dali, sentindo uma mistura de frustração e dó, era só uma criança tentando lidar com um sentimento grande demais para entender.

-- vamos respirar junto com o papai? -- Gustavo estendeu a mão -- assim, ó!

Ele fez uma respiração profunda e entre soluços o menor começou a imitar.

Aos poucos o choro foi diminuindo, e eu me aproximei acariciando os cabelos do Gael.

-- tá tudo bem, meu amor. a mamãe sabe que você queria muito aquele brinquedo, que tal se a gente colocar na listinha pra outro dia, combinado?

Ele assentiu devagar, encostando a cabeça no meu colo. Meu namorado me olhou e deu um meio sorriso cansado, como quem diz que conseguimos vencer mais uma.

⏰️

A tarde passou tranquila depois da confusão da manhã. Gustavo levou o gael para andar de bicicleta no quintal, e aos poucos o clima pesado foi ficando para trás.

Eu aproveitei o momento para limpar a cozinha, mas o som das risadas lá fora me fez sorrir. E era sempre assim, o Gustavo tinha um jeito incrível de transformar o caos em calma.

Quando o sol começou a se pôr, meu filho entrou na sala, descalço e com o cabelo todo bagunçado. Ele ficou parado por um instante, me observando enquanto eu dobrava umas roupas no sofá.

-- mamãe -- a voz dele saiu baixinha -- posso falar uma coisa?

-- claro amor -- deixei as roupas de lado e me sentei.

Ele se aproximou devagar, segurando o próprio dedo indicador, do jeitinho que fazia quando estava envergonhado.

-- eu não devia ter gritado com você hoje e nem ter jogado o leite -- as palavras vieram rápido, e logo o olhar dele se encheu de lágrimas -- desculpa mamãe.

Meu coração apertou, e minha única reação foi abraçar o mesmo e fiquei sentindo o cheirinho de criança misturado com o sabonete que ele sempre usava.

-- tá tudo bem, filho. a mamãe sabe que você ficou bravo, mas você pediu desculpa, e isso é muito bonito, sabia? -- sussurrei, passando a mão nos cabelos dele -- a gente aprende com essas coisas.

Ele se afastou um pouco, me olhando com aquele semblante arrependido e fofo.

-- prometo que dá próxima vez eu vou respirar igual o papai me ensinou.

Gustavo apareceu na porta, encostado no batente, ouvindo tudo. Ele sorriu, orgulhoso.

-- esse é o meu campeão! -- disse, se aproximando e bagunçando o cabelo do pequeno -- e a mamãe também merece um abraço, hein?

Os dois me abraçaram juntos, e por um instante eu desejei que aquele momento pudesse durar pra sempre. Simples, sincero, e cheio de amor.

No fim do dia, enquanto colocava o Gael pra dormir, ele segurou minha mão e disse baixinho:

-- eu te amo mamãe, mesmo quando eu fico bravo.

Sorri, com os olhos marejados.

-- e a mamãe te ama sempre, meu amor.

Ele adormeceu rápido, com a mãozinha ainda segurando a minha. E ali, no silêncio do quarto, eu pensei no quanto ser mãe era isso: aprender, errar, e amar o tempo todo.

 E ali, no silêncio do quarto, eu pensei no quanto ser mãe era isso: aprender, errar, e amar o tempo todo

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