43. Apollo mc

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Seu nome

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Seu nome

O dia começou bem, ou pelo menos era o que parecia. Meu namorado tinha acordado antes de mim, e eu ouvi o som da cafeteira lá da cozinha, aquele barulho ritmado, que normalmente me trazia paz.

Quando sai do quarto, ele me deu um sorriso distraído, desses que não chegam nos olhos. E eu devia ter percebido ali que alguma coisa estava fora do lugar.

Ele perguntou se eu queria café, e eu respondi com um "quero" que soou mais frio do que eu pretendia. Ultimamente, tudo que eu dizia saia meio atravessado, e ele também parecia não saber mais como lidar com o meu jeito.

A gente sentou para tomar café, o silêncio pesado entre a gente. Tinha dias em que o silêncio era confortável. Mas hoje não era, hoje ele parecia gritar.

-- você vai sair mais tarde? -- perguntei, tentando puxar assunto.

-- tenho treino -- respondeu, sem levantar os olhos do celular.

Foi uma resposta simples, normal, mas me incomodou. Talvez porque, no fundo, eu sentia falta de quando ele parava tudo e me olhava. De quando ele me ouvia com atenção, mesmo que eu estivesse falando de coisas pequenas.

-- você tá meio distante -- falei, antes de conseguir me conter.

-- quem? eu? -- ele ergueu o olhar, finalmente.

E eu senti o olhar defensivo. Aquilo me fez querer explicar melhor, mas as palavras vieram mais secas do que deveriam.

-- sim, você mesmo! parece que tudo o que eu falo te irrita, ou que você tá sempre pensando em outra coisa.

Apollo suspirou, deixando o celular de lado.

-- seu nome, não é nada disso! eu só tô cansado.

Mas o simples "tô cansado" dele soou como um muro. E eu que sempre quis entender, naquele momento só consegui me sentir pequena e inútil.

-- cansado do que? de mim? -- saiu mais alto do que eu queria.

-- eu não falei isso -- ele respondeu, e logo em seguida franziu o cenho -- não inventa.

E foi aí que tudo começou a desandar. O ar ficou pesado, as palavras começaram a tropeçar umas nas outras. Eu sabia que estava começando a discussão, eu sabia certamente disso.

Mas era como se uma parte de mim quisesse provar um ponto que nem eu mesma entendia direito.

-- eu não falei isso! -- ele repetiu, firme, cruzando os braços.

-- mas é o que parece! -- rebati, já sentindo a voz tremer -- você mal fala comigo, mal olha pra mim.. parece que tudo o que eu faço te incomoda.

-- você tá exagerando, seu nome! -- ele disse, num tom calmo demais pra alguém que saiba que eu tava prestes a explodir.

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