42.G.A

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Gabriel

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Gabriel

Eu já tinha percebido os sinais aparentes. O olhar meio impaciente, o pacote de chocolate estrategicamente deixado na mesa e a playlist de músicas tristes tocando no modo repetição. Eu sabia o que estava por vim.

-- amor, tá tudo bem? -- eu perguntei com cautela.

-- não Gabriel, não tá nada bem -- minha namorada suspirou fundo, com um olhar de drama e sinceridade -- o meu cabelo tá horrível, meu corpo tá estranho e o mundo parece estar contra mim.

Eu me aproximei devagar, peguei o pacote de chocolate e estendi pra ela como quem oferece um escudo.

-- e se o mundo inteiro estiver contra você.. eu fico do seu lado, tá?

Seu nome segurou o chocolate e deu um sorrisinho de canto, e respondeu:

-- tá, mas só se você parar de mastigar alto.

Soltei uma risadinha e fui pro sofá, já aceitando o desafio do dia: sobreviver a TPM da minha namorada sem causar uma terceira guerra mundial. E o plano seria simples: não contrariar seu nome e garantir suplementos: comida, cobertor e Netflix.

Resolvi ir até a cozinha e preparar algumas coisinhas. Fiz uma pipoca doce e peguei um copo de refrigerante, e depois voltei pra sala, tentando parecer o namorado perfeito.

-- fiz pipoca doce, gatinha. achei que ia combinar com o clima, sabe? conforto e açúcar.

-- refrigerante, Gabriel? -- seu nome arqueou uma sobrancelha -- eu tô já inchada! quer me fazer explodir igual uma bexiga?

Eu travei ali, sem saber se ria ou se pedia desculpas.

-- eu posso trocar por uma agua com gás, quer?

-- tá, vai! -- ela bufou, mas logo riu -- você tá tentando, ponto pra você!

Nos ajeitamos no sofá, assistindo um filme qualquer que passava na TV. Mas entre uma cena e outra, eu percebia o olhar dela sobre mim. Um olhar profundo, meio analítico e cheio de mistério.

-- o que foi? -- perguntei rindo.

-- você ainda me ama? mesmo quando eu tô insuportável? -- ela soltou, com a voz um pouco mais baixa.

Virei pra ela, sério por um momento.

-- amor, eu te amo até quando você quer brincar com o vento.

Minha namorada fingiu conter um sorriso, mas a risada escapou.

-- você é muito bobo!

-- e você é linda, até de TPM -- eu respondi, e logo em seguida fui atingido por uma almofada -- aí, amor!

-- cala a boca, Gabriel! -- ela respondeu, rindo.

-- tá vendo? ainda bem que o amor é resistente.

Ela se aninhou no meu peito, com um suspiro.

-- tá, mas amanhã você compra chocolate e me trás café na cama.

-- fechado! -- eu disse, fazendo um carinho leve nos cabelos dela -- missão tpm: sucesso parcial.

⏰️

O despertador tocou, mas eu já estava acordado. Levantei em silêncio, quase de modo ninja e fui direto pra cozinha cumprir com a minha promessa.

Café passado, pão na chapa, e é claro que também tinha uma barra de chocolate estrategicamente posicionada na bandeija.

Eu abri a porta do quarto devagar. Seu nome ainda estava encolhida no meio do cobertor, cabelo bagunçado e cara de quem definitivamente não queria lidar com o mundo ainda.

-- bom dia, amor! -- disse com a voz baixinha -- missão café na cama concluída com sucesso.

Ela abriu um olho, desconfiada.

-- você realmente fez café pra mim? -- perguntou, meia sonolenta.

-- e tem chocolate! -- respondi, levantando a bandeija como um troféu -- só não posso garantir que não dei uma mordida.

Minha namorada soltou uma risadinha e se sentou, ainda com o cobertor no ombro.

-- você é impossível, Gabriel!

-- impossível, mas dedicado -- eu me sentei ao lado dela -- e sobrevivente de um dia completo de TPM. acho que mereço uma medalha.

Ela revirou os olhos, mas o sorriso já estava ali presente.

-- tudo bem.. você ganhou uma medalha -- ela me deu um beijinho rápido -- satisfeito?

-- acho que preciso de mais um beijo, só pra ter certeza.

Ela riu e me puxou pra mais um beijo, mais calmo e mais leve.

-- pronto, agora sim! -- ela disse -- missão TPM encerrada com sucesso.

-- e sem baixas -- eu completei, orgulhoso.

Ficamos ali, tomando café e rindo à toa. Eu sabia que dali a alguns dias tudo voltaria ao normal, mas, sinceramente, ele nem se importava. Porque amar a seu nome, com ou sem TPM, sempre valia a pena.

 Porque amar a seu nome, com ou sem TPM, sempre valia a pena

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geovanaadriellzl

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