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Gabriel
Eu já tinha percebido os sinais aparentes. O olhar meio impaciente, o pacote de chocolate estrategicamente deixado na mesa e a playlist de músicas tristes tocando no modo repetição. Eu sabia o que estava por vim.
-- amor, tá tudo bem? -- eu perguntei com cautela.
-- não Gabriel, não tá nada bem -- minha namorada suspirou fundo, com um olhar de drama e sinceridade -- o meu cabelo tá horrível, meu corpo tá estranho e o mundo parece estar contra mim.
Eu me aproximei devagar, peguei o pacote de chocolate e estendi pra ela como quem oferece um escudo.
-- e se o mundo inteiro estiver contra você.. eu fico do seu lado, tá?
Seu nome segurou o chocolate e deu um sorrisinho de canto, e respondeu:
-- tá, mas só se você parar de mastigar alto.
Soltei uma risadinha e fui pro sofá, já aceitando o desafio do dia: sobreviver a TPM da minha namorada sem causar uma terceira guerra mundial. E o plano seria simples: não contrariar seu nome e garantir suplementos: comida, cobertor e Netflix.
Resolvi ir até a cozinha e preparar algumas coisinhas. Fiz uma pipoca doce e peguei um copo de refrigerante, e depois voltei pra sala, tentando parecer o namorado perfeito.
-- fiz pipoca doce, gatinha. achei que ia combinar com o clima, sabe? conforto e açúcar.
-- refrigerante, Gabriel? -- seu nome arqueou uma sobrancelha -- eu tô já inchada! quer me fazer explodir igual uma bexiga?
Eu travei ali, sem saber se ria ou se pedia desculpas.
-- eu posso trocar por uma agua com gás, quer?
-- tá, vai! -- ela bufou, mas logo riu -- você tá tentando, ponto pra você!
Nos ajeitamos no sofá, assistindo um filme qualquer que passava na TV. Mas entre uma cena e outra, eu percebia o olhar dela sobre mim. Um olhar profundo, meio analítico e cheio de mistério.
-- o que foi? -- perguntei rindo.
-- você ainda me ama? mesmo quando eu tô insuportável? -- ela soltou, com a voz um pouco mais baixa.
Virei pra ela, sério por um momento.
-- amor, eu te amo até quando você quer brincar com o vento.
Minha namorada fingiu conter um sorriso, mas a risada escapou.
-- você é muito bobo!
-- e você é linda, até de TPM -- eu respondi, e logo em seguida fui atingido por uma almofada -- aí, amor!
-- cala a boca, Gabriel! -- ela respondeu, rindo.
-- tá vendo? ainda bem que o amor é resistente.
Ela se aninhou no meu peito, com um suspiro.
-- tá, mas amanhã você compra chocolate e me trás café na cama.
-- fechado! -- eu disse, fazendo um carinho leve nos cabelos dela -- missão tpm: sucesso parcial.
⏰️
O despertador tocou, mas eu já estava acordado. Levantei em silêncio, quase de modo ninja e fui direto pra cozinha cumprir com a minha promessa.
Café passado, pão na chapa, e é claro que também tinha uma barra de chocolate estrategicamente posicionada na bandeija.
Eu abri a porta do quarto devagar. Seu nome ainda estava encolhida no meio do cobertor, cabelo bagunçado e cara de quem definitivamente não queria lidar com o mundo ainda.
-- bom dia, amor! -- disse com a voz baixinha -- missão café na cama concluída com sucesso.
Ela abriu um olho, desconfiada.
-- você realmente fez café pra mim? -- perguntou, meia sonolenta.
-- e tem chocolate! -- respondi, levantando a bandeija como um troféu -- só não posso garantir que não dei uma mordida.
Minha namorada soltou uma risadinha e se sentou, ainda com o cobertor no ombro.
-- você é impossível, Gabriel!
-- impossível, mas dedicado -- eu me sentei ao lado dela -- e sobrevivente de um dia completo de TPM. acho que mereço uma medalha.
Ela revirou os olhos, mas o sorriso já estava ali presente.
-- tudo bem.. você ganhou uma medalha -- ela me deu um beijinho rápido -- satisfeito?
-- acho que preciso de mais um beijo, só pra ter certeza.
Ela riu e me puxou pra mais um beijo, mais calmo e mais leve.
-- pronto, agora sim! -- ela disse -- missão TPM encerrada com sucesso.
-- e sem baixas -- eu completei, orgulhoso.
Ficamos ali, tomando café e rindo à toa. Eu sabia que dali a alguns dias tudo voltaria ao normal, mas, sinceramente, ele nem se importava. Porque amar a seu nome, com ou sem TPM, sempre valia a pena.
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