47.Thiago Veigh

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seu nome pov

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seu nome pov

Eu já desconfiava.

Não era paranoia, nem ansiedade boba. Era o corpo falando comigo de um jeito diferente. O cansaço fora de hora, o enjoo discreto que vinha e ia, o atraso que eu tentava justificar com estresse, rotina bagunçada, a vida com o Thiago nunca foi exatamente previsível.

Ele estava no quarto, terminando de se arrumar pro show. A casa tinha aquele clima de correria calma: música baixa, mala aberta na cama, cheiro do perfume dele no ar. Observei em silêncio enquanto ele colocava o boné e sorria daquele jeito torto que sempre me desmontava.

volto tarde, amor — ele disse, me dando um beijo rápido na testa.

vai com Deus — respondi, tentando soar normal.

A porta se fechou atrás dele e, junto com o silêncio, veio o peso da decisão. Eu respirei fundo. O teste estava ali, escondido no fundo da bolsa desde o dia anterior. Eu vinha adiando, com medo de confirmar algo que, no fundo, eu já sentia.

Fui até o banheiro com as mãos levemente trêmulas. Meu coração batia alto demais pro tamanho do espaço. Li as instruções mais uma vez, mesmo já sabendo de cor. Era como se, enquanto eu lesse, ainda existisse a possibilidade de nada mudar.

Minutos, nunca alguns minutos demoraram tanto.

Sentei na tampa do vaso, encarando aquele pedacinho de plástico como se ele tivesse o poder de virar minha vida do avesso. Quando criei coragem e olhei, meu mundo parou.

Duas linhas.

Duas linhas que não deixavam espaço pra dúvida.

Meu primeiro impulso foi rir, um riso nervoso, desacreditado. O segundo foi chorar. Chorei com a mão na boca, tentando abafar o som, como se alguém pudesse me ouvir. Como se o Thiago ainda estivesse ali.

meu Deus… — sussurrei.

Coloquei a mão na barriga, num gesto instintivo, quase automático. Era cedo, eu sabia. Mas, ao mesmo tempo, parecia que algo já tinha mudado ali dentro. Não só no meu corpo, mas em mim inteira.

Pensei nele. No Thiago em cima do palco, cantando pra milhares de pessoas, sem imaginar que, naquele exato momento, a vida tinha dado um passo gigante pra frente. Pensei em como contar. Pensei no medo, na felicidade, na responsabilidade, tudo misturado.

Levantei, me olhei no espelho. Os olhos vermelhos, o sorriso tremido, o coração acelerado. Eu não era mais só eu.

Guardei o teste com cuidado, como se fosse algo sagrado. Voltei pra sala, sentei no sofá e respirei fundo mais uma vez.

A casa estava silenciosa demais pra quantidade de pensamentos que eu tinha.

Depois do choro, do susto e daquele sorriso bobo que insistia em aparecer toda vez que eu lembrava das duas linhas, veio a parte prática. E, estranhamente, foi isso que me acalmou. Fazer algo. Pensar em como contar pra ele.

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