Miami – Mansão Jauregui
O sol da manhã em Miami não tinha a mesma urgência febril de Mumbai. Ele entrava pelas janelas francesas da sala de café da manhã dos Jauregui com uma preguiça dourada, iluminando a prataria e a louça de porcelana onde o café esfriava. Michael estava na cabeceira da mesa, com o tablet apoiado numa garrafa de suco de laranja. Sua expressão era indecifrável, aquela máscara de CEO que ele usava tão bem quanto seus ternos italianos. Clara, do outro lado, não conseguia manter a mesma compostura. Ela picava uma torrada com a faca de manteiga, reduzindo o pão a migalhas, sem comer nada.
— Eles disseram que era apenas uma formalidade, Michael. — Clara quebrou o silêncio, a voz tensa. — Lauren foi para ser testemunha de um contrato de casamento, não para... para o que quer que esteja acontecendo lá.
Michael suspirou, tirando os óculos de leitura.
— Clara, você sabe como são esses mercados emergentes. A Índia é complexa. O Hari me ligou cedo. Disse que houve um... tumulto político. Protestos contra o governo que acabaram respingando na cerimônia. Lauren está segura, sob proteção da segurança do Radesh. Ela só está incomunicável porque as linhas caíram na região.
— Tumulto político? — Clara largou a faca. — Eu vi a CNN, Michael. Falaram em explosões. Falaram em "sabotagem industrial".
— Exageros da imprensa. — Michael dispensou o assunto com um gesto de mão, embora seus olhos traíssem uma preocupação que ele se recusava a verbalizar. — O Radesh é um homem poderoso. Ele não deixaria nada acontecer com a sócia que renderá bons frutos para o casamento dele. A fusão depende da Lauren viva.
A campainha tocou. Não o toque suave de visitas sociais, mas um toque insistente. Segundos depois, Abigail, a governanta, apareceu na porta da sala de jantar.
— Sr. Jauregui? O Sr. William está aqui. E ele trouxe... a Srta. Hansen.
Clara levantou-se imediatamente. A menção de Dinah Hansen sempre trazia uma eletricidade diferente para aquela casa. Era como se, com ela, entrasse um pedaço de Desiré. William entrou. Ele não estava com seu uniforme habitual de barman. Vestia jeans, uma camiseta preta e tinha uma arma no coldre, visível na cintura, algo que ele nunca fazia publicamente. Ao lado dele, Dinah estava pálida, com a mão pressionada contra o peito, sobre o coração.
— William? — Michael levantou-se, o instinto paterno e empresarial acendendo o alerta vermelho. — O que significa isso? Onde está a Normani?
— Normani está com a Lauren, senhor. — William disse, a voz grave e controlada. — E precisamos conversar. Agora. O que o senhor está ouvindo do Sr. Essel... não é a verdade completa.
— O que você quer dizer? — Clara aproximou-se de Dinah, tocando o braço da garota. — Dinah, querida, você está tremendo. O que você está sentindo?
Dinah olhou para Clara. Seus olhos estavam cheios de lágrimas.
— Dói, Clara. — Dinah sussurrou, apertando a blusa sobre o peito. — Desde ontem à noite... o coração. Ele está batendo errado. Como se estivesse em pânico. Como se estivesse correndo. — Ela engoliu em seco. — A Lauren não está "segura numa cerimônia". Ela está correndo perigo. Eu sinto.
Michael olhou de Dinah para William.
— William, explique-se. Por que a Normani não está aqui, com a Dinah? Por que minha filha está incomunicável?
William fechou as portas da sala de jantar, isolando-os.
— Porque a Lauren não foi lá apenas para assinar papéis, Michael. Ela foi para impedir um crime. — William caminhou até a mesa e colocou um pendrive preto sobre a toalha de linho. — Antes de partir, a Lauren me deixou instruções. Se ela ficasse "no escuro" por mais de 24 horas, eu deveria entregar isso ao senhor.
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FRUTA PROIBIDA
FanfictionKarla Essel é filha de um indiano milionário, dono de uma multinacional com sua sede situada em Mumbai. Cresceu sob os holofotes e na mira da mídia, por se envolver profundamente com os negócios da família e por querer dar seguimento a carreira de s...
