Lauren manteve os dedos em torno da xícara quente, como se precisasse do calor para se lembrar de que estava viva. Os olhos de Clara continuavam sobre ela — uma mistura de preocupação, amor e aquele tipo de medo que só mães têm quando percebem que o filho está se desfazendo por dentro.
Michael pigarreou, preparando uma fala que Lauren reconhecia desde a infância.
— Lauren... você precisa de estabilidade. Disciplina. — ele começou, com a voz firme e pesada como pedra. — Essa parceria com a Essel exige muito. E, francamente, você não parece pronta.
Lauren apertou a mandíbula.
Ela nunca foi boa em decepcionar o pai — embora tivesse se especializado nisso sem querer.
— Agora parece que não estou? — respondeu, sem emoção.
— Não. Agora, neste exato momento, parece que não está. — Michel rebateu, seco. — E se continuar assim, vai comprometer não só o seu futuro, mas o nome da nossa família.
O sangue de Lauren ferveu na hora, queimando nas têmporas.
— Eu não pedi essa sociedade, Michael. — a voz saiu mais alta do que ela pretendia. — Afinal, você e o Hari decidiram isso por conta própria, se lembra? E eu recebi toda essa responsabilidade no colo sem nenhuma alternativa.
Clara interveio, tocando o braço de Lauren.
— Filha... por favor... não crie mais peso para si.
Lauren respirou fundo, tentando recuperar o controle.
Mas a verdade é que ela estava à beira do limite — e o simples nome Essel já trazia à memória a imagem de Karla instalada naquele apartamento... no apartamento dela.
— Tem alguma coisa para nos dizer sobre seu compromisso com a sua sócia, Lauren? — o pai quis saber.
— Fiz o que tinha que ser feito, Michael. — foi pontual.
— Sou o seu pai, Lauren. E... — Michael faria exigências, mas Clara o interrompeu.
— Querido, chega. — pediu, calma, mediando a situação. — Para qual hotel a levou, filha?
— Nenhum.
— Nenhum? — os dois perguntaram, juntos, ao mesmo tempo, surpresos.
— Levei-a para o meu apartamento, por ora. Ela já está bem instalada, não se preocupem.
O celular da jovem vibrou em seu bolso.
Ela tirou. Uma única mensagem na tela.
Normani.
"Se não vier pra cá daqui a pouco, eu mesma te busco."
Lauren suspirou baixo.
Não tinha forças para lidar com Normani naquele estado. Não tinha forças para lidar com ninguém.
— Eu vou... sair um pouco. — avisou, pondo a xícara na mesa.
Clara franziu o cenho.
— Agora?
Lauren não respondeu. Levantou-se devagar, mantendo os ombros tensos, a respiração pesada e aquela sensação insuportável de estar presa dentro da própria pele.
Abigail, parada na cozinha, observava tudo em silêncio. Mas seus olhos diziam mais do que qualquer discurso.
Você não está bem, menina.
E continuar fugindo não vai te salvar.
Lauren desviou o olhar.
Pegou a chave do carro.
E saiu pela porta.
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FRUTA PROIBIDA
FanfictionKarla Essel é filha de um indiano milionário, dono de uma multinacional com sua sede situada em Mumbai. Cresceu sob os holofotes e na mira da mídia, por se envolver profundamente com os negócios da família e por querer dar seguimento a carreira de s...
