O sucesso corporativo tem um som específico. Não são aplausos, mas o zumbido incessante de telefones, o cliquetar de teclados e o farfalhar de contratos sendo impressos. Nos dias que se seguiram ao lançamento do Benoist Rouge, a sede da Bacardi-Essel em Miami operava em uma frequência febril. A euforia da festa havia se dissipado, substituída pela brutalidade logística de entregar o que fora prometido.
Para Lauren e Karla, a "normalidade" era um conceito relativo. Elas acordavam juntas na cobertura, partilhavam o café e o silêncio confortável de quem já disse tudo o que precisava ser dito na cama, e então vestiam suas armaduras. Lauren, agora consolidada não apenas como herdeira, mas como visionária, lidava com a cadeia de suprimentos. O escritório dela parecia uma sala de guerra. Mapas de rotas marítimas cobriam as telas.
— O Canal do Panamá está com um atraso de 48 horas devido à seca. — Lauren disse, a voz rouca de quem fumara mais do que devia na varanda na noite anterior. Ela apontava para o monitor onde Shawn projetava os dados. — Se o lote para Tóquio atrasar, perdemos a janela do festival de outono. O contrato com a rede Nobu tem uma cláusula de penalidade draconiana.
— Podemos desviar pelo Cabo? — Shawn sugeriu, os dedos voando no teclado.
— Muito caro e muito lento. — Lauren massageou as têmporas. — Acione a frota aérea da DHL. Custe o que custar. Quero essas garrafas no Japão em 72 horas. O Michael vai reclamar do custo do frete, mas a reputação da marca vale mais do que o lucro dessa remessa.
Enquanto Lauren lutava com a geografia, Karla enfrentava monstros mais antigos: o preconceito e a tradição. Na sala de conferências do outro lado do corredor, ela presidia uma reunião com os investidores majoritários do fundo de pensão que detinha 15% das ações da empresa. Eram homens brancos, na casa dos sessenta anos, que olhavam para ela não como a CFO brilhante, mas como a "exótica filha de Hari".
— Srta. Essel... — Um deles, Sr. Henderson, limpou a garganta com condescendência. — Os números são impressionantes, claro. Mas essa estratégia de marketing... "O Fruto Proibido". Não acha que é um pouco... agressiva demais para os valores familiares da nossa base de acionistas? E essa parceria tão pública com a Srta. Jauregui... rumores dizem que é mais do que profissional. Isso gera instabilidade.
Karla não piscou. Ela estava sentada na cabeceira, a postura impecável, as mãos cruzadas sobre a mesa de vidro. Ela usava um sári riquíssimo em detalhes, de cor creme e joias de ouro discretas.
— Sr. Henderson. — A voz de Karla era suave, mas carregava o peso de milênios de civilização. — A "instabilidade" a que o senhor se refere gerou um aumento de 12% no valor das suas ações em 72 horas. A "agressividade" do marketing esgotou nosso estoque de pré-venda na Europa.
Ela se levantou, caminhando devagar até a janela, obrigando os homens a girarem nas cadeiras para olhá-la.
— Quanto à minha relação com a Srta. Jauregui... — Karla virou-se, os olhos castanhos endurecendo. — A misoginia do mercado financeiro sempre tenta reduzir parcerias femininas de sucesso a fofocas de alcova. Se eu fosse um homem e Lauren fosse meu sócio, o senhor chamaria nossa proximidade de "brotherhood" e nos convidaria para fumar charutos. Como somos duas mulheres jovens e poderosas, o senhor chama de "instabilidade".
O silêncio na sala foi absoluto. Henderson ficou vermelho.
— O século XXI chegou, cavalheiros. — Karla concluiu, voltando para a mesa e fechando sua pasta com um clique definitivo. — Sugiro que se adaptem ou vendam suas ações. Há uma fila de compradores em Dubai esperando uma vaga. A reunião está encerrada.
Quando Karla saiu da sala, encontrou Lauren encostada na parede do corredor, segurando dois copos. Um contendo chai, doce na medida certa, e o outro, café Forte e sem açúcar. Lauren ouvira tudo pelo sistema de áudio interno.
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FRUTA PROIBIDA
FanfictionKarla Essel é filha de um indiano milionário, dono de uma multinacional com sua sede situada em Mumbai. Cresceu sob os holofotes e na mira da mídia, por se envolver profundamente com os negócios da família e por querer dar seguimento a carreira de s...
