Fire

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O deserto não dorme, ele apenas espera. O vento Shamal soprava areia contra a fachada da villa fortificada onde Radesh Ambani reconstruía seu império de cinzas. O braço quebrado latejava sob o gesso preto, uma lembrança constante da humilhação no navio.

O telefone via satélite vibrou. Chamada Criptografada – Origem: Miami, FL.

— Você demorou. — Radesh atendeu no viva-voz.

— Eu precisava ter certeza de que a linha era segura. — A voz de Lucy Vives estava trêmula, mas carregada de urgência. — Eles me cortaram de tudo, Radesh. O Shawn... aquele maldito estagiário... ele rastreou meus IPs. Karla me demitiu na frente da cúpula.

— A humilhação ensina, Lucy. Eu perdi meu império. O que a sua demissão significa perto da minha ruína?

— Significa que eu não tenho mais nada a perder. E sou a única que quer ver a Karla Essel sangrar tanto quanto você.

Radesh sorriu no escuro.

— A Lauren voltou. — Lucy continuou, com veneno. — Ela está "limpa", dizem. Mas está frágil. E está obcecada pela Karla. Elas moram juntas, Radesh. Elas agem como um casal.

— A pureza dela é uma farsa. — Radesh cuspiu. — Eu vi nos olhos delas, no navio.

— Eu quero ajudar você a destruir a Karla. Mas a segurança delas está impenetrável. Shawn blindou as agendas de voo. Ninguém sabe onde elas estão.

— Elas vão se mover. — Radesh disse, convicto. — Karla precisa assinar a auditoria fiscal na Índia presencialmente. A lei exige. Ela vai tentar entrar no meu país como um fantasma.

— Então nós vamos esperar. Assim que elas derem um passo em falso, eu te aviso.

— E o que você quer em troca?

— Quando você pegar a Karla... deixe a Lauren viva. Quebrada, mas viva. Eu quero ser a única opção que resta para ela.

— Feito. — Radesh mentiu. — Mantenha seus ouvidos atentos, Lucy.

Escritório da Presidência

A tarde em Miami estava radiante, mas dentro do escritório de Lauren, o ar estava pesado, carregado com a eletricidade estática de memórias que se recusavam a ficar enterradas. Lauren estava sentada atrás de sua mesa, girando uma caneta entre os dedos, com o olhar fixo na porta. Karla estava ao lado dela, em pé, revisando uma lista de checagem.

O interfone tocou.

— Srta. Jauregui? A Srta. Elise Dubois está aqui. Ela diz que veio de Paris especialmente para vê-la.

Lauren soltou a caneta. O som dela batendo na madeira ecoou como um tiro seco.

Elise? — Lauren sussurrou, o sangue drenando do rosto. — Eu não... eu não esperava.

— Quem é Elise? — Karla perguntou, sentindo a mudança brusca na energia de Lauren.

— Mande entrar. — Lauren ordenou à secretária, ignorando a pergunta de Karla por um segundo, tentando se recompor.

Minutos depois, a porta se abriu. Elise Dubois era a personificação da elegância francesa. Alta, loira, vestida num trench coat bege sobre um vestido preto, com um lenço de seda Hermes no pescoço. Ela carregava uma pasta de couro antiga. A mulher parou na porta, olhando para Lauren com olhos azuis que carregavam anos de história compartilhada.

— Bonjour, ma chérie. — Elise disse, a voz suave e rouca.

— Elise... — Lauren levantou-se, contornando a mesa. — O que você faz aqui?

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