Primeiro "encontro"

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-Isa, acorda não é hora de tá dormindo.

Eu dizia chacoalhando a Isa na cadeira.

-Catarina eu espero que você tenha um bom motivo, bom não, ótimo motivo pra atrapalhar meu sono sagrado.

Ela respondia levantando a cabeça com o rosto amassado.

-É um ótimo motivo, o que você acha de sairmos. Eu, você, o Leo e o Math? Pra comer uma pizza!

Eu dizia animada.

-Math?

Ela perguntou confusa.

-É Isa, o Mateus.

-Ah, o bonitinho.

-É...
Respondi.

A Isa era de momento, já não estava mais interessada no Mateus, e isso tinha um porque ou melhor, um por quem. Já vi essa história se repetir outras vezes, na primeira vez que "terminei" com o Gabriel, não conseguia e muito menos queria me relacionar com ninguém.

-E aí, o que você acha? Você não vai recusar uma pizza vai?

Eu sabia que a Isa adorava comer tudo que envolvia massa.

-Tá, tudo bem. Vamos!

Quando a aula acabou, todos saíram, eu fiquei arrumando o meu material, e por ironia do destino, ou até mesmo azar a Alison também ficou na sala.

-É engraçado não é?

A Alison disse com um tom de ironia.
Naquele instante eu daria tudo pra está com meu fone de ouvido. Pena que estava sem celular.

-O que é engraçado?

Perguntei.

-Você sempre se achou melhor do que eu, sempre quis tirar tudo o que eu conseguia. E agora tá aí, perdeu o namorado pra mim. Tá sozinha, sem ninguém. Nem amigos de verdade tem, digna de pena.

Ela balançou a cabeça rindo.

Suspirei.

-Alison, eu nunca, NUNCA quis tirar nada de você, nunca tive necessidade. Você tá nessa guerrinha fútil sozinha, percebeu? Eu não tô nem aí pra você. Sozinha? Sem amigos? Acho que estamos falando de você não é? Quantos amigos estão com você quando você precisa? Quando precisa desabafar? Quando o seu pai te dá mais um cartão de crédito pra torrar, em festa, em roupas, ou seja lá o que, aparecem vários não é? Eu não faço a mínima questão de ter esses seus "amigos" do meu lado. Agora, me esquece. Me deixa em paz. Eu tô cansada dessas suas provocações sem motivos.

Eu disse pegando a minha mochila e saindo.

-Tá tudo bem aqui?

O Gabriel perguntou entrando na sala junto com a Mariana.

-Amor, ainda bem que você chegou. Essa maluca me disse coisas horríveis, ela não entende. Nunca vai entender, que você não quer nada com ela. Me tira daqui, por favor.

Alison disse abraçando o Gabriel. Ela era ótima em drama.

Não perdi meu tempo a respondendo. Balancei a cabeça e saí.
Deixei que tirassem sua próprias conclusões. Estava cheia de Alison, e de todas suas provocações sem sentido.

-

-Eu não sei Lila, com que roupa eu vou. Quer saber, eu não vou mais. Eu não tenho roupa!

A Isa dizia jogada na cama fazendo um pouco de cena.

-Pode pegar alguma roupa minha se quiser.

-Aí amiga, valeu.

Ela disse indo pro meu armário.

-Quem você quer impressionar indo toda arrumadinha heim? Até hoje cedo, você nem lembrava mais o nome do Mateus.

Eu disse rindo.

-Aí Lila, para. Tô indo pela pizza ok.

-Aham, claro.

Ironizei.

Estávamos sozinhas em casa, enquanto o tempo não passava, fizemos um chocolate de panela, e ficamos conversando.
Quando anoiteceu, depois de muita enrolação eu e a Isa terminamos de nos arrumar.

Quando descemos as escadas percebi a expressão de aflição que se formou no rosto da Isa.
O Andrei estava deitado no sofá, sem camisa, mechendo no celular.
Aquela foi uma péssima hora para os dois se encontrarem.

-Vai sair?

O Andrei me perguntou ignorando a presença da Isa.

-Vou, e talvez eu durma na casa da Isa. Por vida das dúvidas, deixa a cópia da chave em baixo do tapete.

Respondi.

-Oi Andrei.

A Isa deu um sorriso sem jeito. Tentando ser o mais educada possível.

-E aí.

Ele respondeu, acenando com a cabeça, voltando a dá atenção pro celular.

-

-Tá tudo bem?

Perguntei assim que fechamos a porta.

-Quando eu ver a minha fiel e grande amiga pizza, vai ficar.

Ela riu.

Eu a conhecia muito bem, e sabia que ver o Andrei tinha mexido com ela, todo o caminho indo pro restaurante ela parecia está meio longe, desligada de tudo.

O Leo e o Mateus esperavam a gente do lado de fora do restaurante.

-Olha eles ali.

A Isa disse baixinho.

Nos cumprimentamos e entramos.

-Isso vai da coisa, você vai ser só.

O Leo sussurrou no meu ouvido, enquanto seguíamos pra mesa.

-Eu espero que sim.

A Isa estava certa, o Mateus era super gente boa. E não deixava o silêncio tomar conta do ambiente.
Os dois estavam conversando bastante e tinham muitas coisas em comum, isso era um avanço.

Enquanto os dois conversavam o Leo recebeu uma ligação e saiu pra atender. Dizia ser a mãe dele, fui ao banheiro deixando o Mateus e a Isa a sós.

Minha mãe estava no balcão, fui da um Oi pra ela, e acabei vendo o Junior em uma das mesas com alguns amigos estágiarios.
Ele acenou com a cabeça e eu fingi não o ver. Como já disse a maturidade que me perdoe mais eu não conseguia fingir que ia com a cara dele. Era praticamente impossível, eu ainda não tinha esquecido do lance da sétima série, e não esqueceria aquela aposta babaca tão cedo.




Melhor amigo, ou namorado?Histórias para pegar e não largar. Descubra agora