Cheguei na casa do Enzo, a porta estava encostada, olhei pelo vidro da janela, e pelo visto não tinha ninguém lá em baixo. Minha mãe e o pai dele estavam no restaurante.
Subi as escadas, não foi difícil achar a porta de entrada do quarto do Enzo, vinha um som tremendo lá de dentro.
Bati na porta até alguém atender, ele estava com a cara amassada de sono, com o cabelo bagunçado, me olhou surpreso.
-Lila..
Ele disse bocejando.
-Oi.
-Ah, entra!!!
Ele disse se afastando um pouco para o lado. Ainda sonolento.
-O que devo o prazer da sua ilustre visita?
Ele perguntou abaixando o som e se sentando na cama.
-Queria conversar com alguém, você estava dormindo com essa barulheira doida?
Perguntei.
-Sim. Fico mais tranquilo assim. Mas, e então, novidades?
-Na verdade não..
Ele assentiu com a cabeça com um sorriso de lado.
-O que foi?
Perguntei.
-Você tá vermelha.
Ele riu.
-É, peguei um pouco de sol hoje à tarde, escolhendo um vestido pro baile.
-E então, escolheu?
-Não era pra mim. Era pra Carol.
-Ah, entendi.
-
Estávamos deitados na cama do Enzo conversando sobre diversos assuntos.
-Por que essas estrelinhas gay no seu teto?
-Elas não gay's. Quando eu era pequeno queria ser astrólogo, quando disse que queria um telescópio de natal, meu pai disse que eu estava louco.
-Então.. Você fez suas próprias estrelas.
-Isso. Posso olhar pra elas quando quiser!
-Ainda é meio gay.
Eu disse olhando pra cima, ele olhou pra mim sorrindo.
-Insensível.
-Não sou insensível.
Respondi.
-Fala sério, você é insuportavelmente insensível.
-Olha quem fala.
Revidei.
-A primeira vista você me pareceu ser bem meiga, quer dizer, de boca fechada.
-Que?
-Mal nos conhecemos e você arranjou um pequena discussão comigo por causa das bebidas do aniversário da sua amiga.
-Você queria embebedar todo mundo, e.. conseguiu!
-Consigo tudo que quero.
-Ah é? Não parece.
-Não parece?
-Não. Não parece.
Insisti.
-Por que não?
-Você não vai gostar do que eu vou falar..
-Fala.
-Não consegue tudo que quer, você quis sua namorada, bebida, drogas na mesma rodada. E bom, não conseguiu.
-No fundo eu sabia que ia dar merda. As três coisas!
Ele voltou a me encarar.
-Então, por que continuou?
-Eu não sei, eu precisava viver aquela história.
-Mesmo sabendo que ia dar merda?
-Isso mesmo, por saber que ia dar merda.
-Você é louco.
-Não entendeu?
-Não.
-Foi por ter dado errado que deu certo, sabe? A história acabou antes que acabasse comigo, quer dizer, quase acabou comigo também. Mais deu certo, quer dizer, errado. Ah, você entendeu.
-Entendi?
Perguntei confusa.
-Sim. Se tivesse dado certo, eu não estaria deitado na minha cama com o rosto amassado batendo boca com você.
-Ah.. Agora sim, eu entendi.
-Lerda.
-Você que não explica nada direito.
-Com você também precisou dá errado, pra dá certo, se você não tivesse sido enganada, bom, com certeza, não estaríamos aqui.
-Não estamos fazendo nada demais.
Eu disse balançando a cabeça.
-Esse é o problema. Não estamos porque você insiste em ficar presa em algo que te magoou.
-Você não sabe de nada.
Disse me sentando na cama.
-Você ficou brava?
Ele perguntou pondo a mão na minha cintura.
-Por que você insiste em jogar na minha cara que eu sou tola demais? Claro que não. Jamais!
Ironizei.
-Desculpa.
-Eu ouvi direito? Você tá me pedindo desculpas? Fala de novo, quero gravar.
Falei rindo puxando o celular do bolso.
-Fala sério Lila, não vou repetir..
-Ok, vou nessa.. Estou com sono!
-Não, pera, ok.. Não pode rir beleza?
-Beleza.
Respondi tapando a boca.
-Desculpa Catarina Miller, me desculpa por te deixar chateada, você não é tola, não muito.
-Não muito?
Levantei uma sobrancelha.
-Nadinha.
-Tá, essa foi boa.
-
"Você está desistindo de ser tola? Assume vai, tá se interessando por sua versão masculina."
Minha consciência gritava enquanto o Enzo ia me deixar em casa.
Tô tentando manter o hábito de não insistir em coisas que não dão certo, é simples. Desistência não significa fracasso, muitas vezes desistência significa: Cansar de esperar o melhor da pessoa e buscar em outro coração algo que te faça ficar.
Pensei.
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Melhor amigo, ou namorado?
Novela JuvenilCatarina ou melhor "Lila" é uma adolescente como qualquer outra, o que a torna diferente é o medo de expressar o que sente. Devido a isso vai passar por poucas e boas, depois de terminar o seu relacionamento de dois anos com Gabriel. Começa a ter s...
