-A Bela viajou com o pai dela, se matriculou em uma ótima escola em Florianópolis. Achei que você soubesse.
A Isa havia ido embora de vez, ela havia me dito que não me deixaria sozinha, e me deixou.
Raiva, culpa, tristeza e saudade invadiram meu peito naquele momento, era difícil explicar.
Minha amiga foi em busca do seu sonho, e acabou deixando nosso sonho de nos formarmos no Dom Bosco com um lindo vestido, juntas, de lado.
-Ela não me disse nada. Quando ela viajou?
-Hoje cedo filha.
Fitei o chão por alguns segundos e assenti, foi fácil perceber a tristeza que se formou no meu rosto.
-Você quer entrar e comer alguma coisa? Fiz um bolo de cenoura com cobertura de chocolate está uma delícia.
-Não, obrigada. Tenho que ir pra casa, minha mãe está me esperando.
-Tudo bem, até logo.
-Até.
Segui pra casa e involuntariamente lembrei de um episódio que aconteceu na minha vida e da Isa quando tínhamos 12 anos. Estava tendo um aniversário na casa de um garoto da nossa classe, ele era muito bonito, e também muito popular, todas as meninas estavam afim dele, quer dizer, quase todas. Eu ainda não me interessava por nenhum menino naquela época.
Quando estávamos dançando, Alison jogou um copo de refrigerante mo vestido branco da Isa, fingiu que tropeçou e deixou o vestido completamente sujo. Isso porque percebeu que o tal menino estava flertando a Isa, estava afim da Isa, não dela.
A Isa era apenas uma criança, e começou a chorar, chorar bastante quando viu as pessoas da pista de dança rindo, foi então que tive uma brilhante idéia.
Fui em uma das mesas e peguei um copo de refrigerante, depois voltei pro meio da pista e disse que era um nova moda da Coco Chanel, joguei o copo de refrigerante no meu vestido azul, todos fizeram o mesmo e riram da situação, continuamos dançando e um sorriso se formou no rosto da Isa.
Alison e Mariana saíram chamando todo mundo de "crianças" e realmente, éramos todos um bando de crianças, mas diferente das duas sabíamos nos divertir.
-
Lembrar dessa história me fez chorar, segui pelas ruas limpando o rosto até em chegar em casa.
O Caio estava na mesa da sala fazendo um trabalho da faculdade, diferente das outras vezes ele não estava com nenhuma menina, estava sozinho. Provavelmente havia dado um pé na bunda na tal da Jamilli.
Me joguei na cama e cai no sono, fui acordada pela minha mãe dizendo que já estava na hora de ir para a livraria.
Tomei um banho, vesti uma calça e uma blusa regata, prendi o cabelo e sai. Naquela tarde meu humor não era dos melhores.
-Boa tarde Lila.
Dona Cintia disse.
-Boa tarde.
Respondi desanimada e segui pro balcão.
-Preciso levar o Leon pra fazer alguns exames no hospital, você pode ficar com a Manuella?
-Manuella?
Perguntei confusa.
-É minha neta, Manu vem aqui!
E logo apareceu na minha frente uma garotinha de aproximadamente sete anos com caixos louros e com uma boneca na mão. Ufa, cheguei a pensar que fosse realmente a Manu do decote enorme.
-Tá.
-
A garotinha não parava de me olhar, me encarou por bastante tempo, aquilo me deixou um pouco incomodada.
-O que foi?
Perguntei.
-Estou com fome.
-Isso não é problema meu.
Respondi voltando a dá atenção pro computador.
A garotinha estava em pé na minha frente com os olhos cheios d'água. Eu fiz uma menina de 7 anos chorar, eu era um monstro.
Passei a mão no rosto me levantei e me abaixei do lado dela.
-Olha desculpa viu, eu estou um pouco estou estressada. O que você quer comer?
-Você tá de TPM? Quando minha mãe fica assim ela está de TPM.
-Digamos que sim.
Eu não queria que ela pensasse que eu era uma ogra mal educada.
-E então, o que você quer comer?
-Batata frita.
Fui na minha mochila peguei uma nota de 10 reais e pedi para ela ir na conveniência do lado da livraria, eu não podia deixar a livraria sozinha.
Logo ela voltou saltitante.
-Obrigada.
Ela disse contente.
-De nada.
-Qual seu nome?
-Catarina.
-O meu é Manuella.
-É, eu sei.
-Mas todos me chamam de Manu.
-Nem todos, eu por exemplo, a partir de agora vou te chamar de "Ella"
-Ella?
-Isso mesmo.
-Gostei, é diferente.
As horas foram passando, e uma janela de conversa se abriu no computador.
LEONARDO DENNER: E aí, como foi com a Isa?
CATARINA MILLER: Não falei com ela. Ela foi embora!
LEONARDO DENNER: Oi? Como assim?
CATARINA MILLER: É, ela foi embora com o pai e a madrasta dela.
LEONARDO DENNER: Caraca. Quando sair do trabalho passa aqui em casa. Minha mãe tá chegando hoje, quero que conheça ela.
CATARINA MILLER: Ok.
LEONARDO DENNER: Que horas você sai?
CATARINA MILLER: Quando o seu Leon chegar, eu tô tomando conta da Ella pra ele.
LEONARDO DENNER: Ella?
CATARINA MILLER: É, a neta dele.
LEONARDO BRENNER: Ah, tudo bem então, talvez eu vá no centro comprar algumas coisas e te pego aí.
CATARINA MILLER: Tá bom.
Eu iria conhecer a mãe do Leo, e estava um pouco nervosa. Ele sempre falava dela para mim, das diversas brigas que o pai dele tinha com ela, de como ela era bonita e uma boa mãe. Eu ainda não havia a conhecido, mas aquilo iria mudar naquela noite.
-
A Ella acabou pegando no sono enquanto lia um conto de fadas no fundo da livraria.
Já havia escurecido quando a Dona Cintia e seu Leon chegaram, dona Cintia parecia bem preocupada e aflita, pelo o que me pareceu havia dado alguma coisa nos exames, mas mesmo assim, preferi ficar calada, não queria me intrometer nos assuntos dos patrões.
Peguei minha mochila e sai pra casa do Leo, antes mesmo de chegar na rua da pracinha, vi o Leo parado conversando com alguém, fui me aproximando, até ver que a pessoa com quem ele falava era a Manu, dessa vez realmente era a Manu do decote enorme.
-Se você não contar pra ela, eu conto.
Ela disse afobada.
-Contar o que?
Perguntei parando em frente aos dois.
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Melhor amigo, ou namorado?
Genç KurguCatarina ou melhor "Lila" é uma adolescente como qualquer outra, o que a torna diferente é o medo de expressar o que sente. Devido a isso vai passar por poucas e boas, depois de terminar o seu relacionamento de dois anos com Gabriel. Começa a ter s...
