Bônus - André.

991 114 1
                                        

Outro capítulo bônus? Exatamente! Mas... porquê? Por amor a vocês. Eu fiquei muito feliz pelo apoio e daí decidir fazer outro capítulo bônus dessa vez sobre o André, que é um personagem bastante alegre e ajuda muito a Bethany, mas tem coisas na vida de André que você não sabe...

Volto para casa depois de uma caminhada com a Pérola, minha cachorrinha. Ela está no meu colo, pois é preguiçosa demais para andar muito.

— MÃE, CHEGUEI!— Grito ao entra em casa e solto a Pérola no chão que sai correndo.

Passa alguns segundos e ninguém responde. Estranho! Então decido ir procurar minha mãe. Procuro em todos os cômodos, então vou para o quarto dela. André seu trouxa! É claro que ela estaria no quarto dela. Quando chego no quarto, vejo várias roupas no chão jogadas, roupas da minha mãe. Escuto alguns gemidos de choro vindo do banheiro. Essa não! De novo não... Por favor, Deus, me ajuda. Entro no banheiro e encontro a minha mãe na banheira que está toda suja de sangue. Ela está lá chorando com os pulsos cortados e pálida, muito pálida. Não penso duas vez e corro para socorre-lá. 

— Mãe...— Não me aguento e as lágrimas começam a sair.— Por que você fez isso de novo?—Abraço ela e dou um beijo na testa dela. Ligo para a emergência.

Jovem bonita, loira,alta e formosa essa era minha mãe. A alguns anos, a jovem Catarina encontrou o que ela pensava ser o amor em um homem, Arnold, meu pai. Empresário que alegava que não há tempo para família, mas passa horas com a amante. Ele jurou fidelidade, mas hoje traí. 

De certa forma, sinto me traído também. Eu aceitava e compreendia ele não ser presente, mas trair minha mãe, a mulher que mais o ama, é como enfiar uma faca em meu coração. Na época que tudo veio atona, conheci a Bethany que foi minha luz no final do túnel. Ela me mostrou o Pai que sempre estar presente, que nunca me trairia e que tem um amor incondicional por mim. Se eu tivesse conhecido Deus, certamente minha saúde mental estaria comprometida.  Minha irmã mais nova, Anny, sofre as consequências do mau relacionamento dos meus pais.  Ela foi diagnosticada com ansiedade, come constantemente o que fez aumentar seu peso, na escola o bullying é rotineiro. Sinto pena de minha irmã é muita coisa para uma criança.

Diariamente, minha mãe tenta se matar, as discussões com o Arnold piora as coisas. Para evitar que de fato ela se mate, contratamos a Maria, uma espécie de babá que fica de olho na mamãe. Hoje, quando cheguei, ela não estava, não havia ninguém na casa. Tento ligar para Maria, a ligação aqui em caixa postal. Ligo para Camila, minha meia irmã filha do primeiro casamento do meu pai. 

A emergência chega e logo em seguida a Camila. Que vem correndo na minha direção e me abraça.

— Calma! Eu estou aqui!— Falou a Camila ainda me abraçando.— Vem entra no carro, vamos para o hospital.

Eu e a Camila entramos no carro e ficamos em silêncio.

 —Eu sou queria que tudo isso acabasse!— Desabafo.

Camila tem um temperamento forte, já fez muita coisa estúpida, mas era uma ótima pessoa para conversar. Formos próximos, hoje em dia nem tanto, porém ela me entende. Sua mãe suicidou-se pelo mesmo motivo que tanto perturba a mamãe. Camila e eu somos os únicos cristãos da minha casa. Temos o desejo de um dia poder cantar juntos: "Eu e minha casa serviremos ao Senhor."

— E vai, meu irmão, a gente consegue com a ajuda de Deus, vamos longe.— Diz a Camila que pega na minha mão e sorrir. Esse foi aquele sorriso de "Fique forte".

Como resposta ela recebe de mim um sorriso amarelo. Meu olhar volta-se para a estrada, fico chorando e orando. Ao chegar, somos encaminhados para a sala de espera. Isso já não é mais novidade, porém todas as vezes que acontece ao risco de não voltarmos com minha mãe para casa. Na maioria das vezes, a Bethany é minha companheira no telefone, ela sempre sabe dizer as palavras certas nessas situações.

— André? Você sabe aonde está a Anny?—Pergunta a Camila.

— Não sei, pensei que você soubesse.— Respondo.

Assim que acabou de falar, entra um homem sério na sala de espera. Ele é motivo disto tudo, meu pai. Ao lado dele está a Anny que corre em minha direção e a abraço.

— Vai ficar tudo bem!— Digo no ouvido dela.Ela apenas sorrir triste para mim e vai abraçar a Camila.

Ainda bem que Anny não estava em casa para ver o que vi. Mas a final aonde ela estava?

—Pai, aonde a Anny estava?— Perguntei um pouco irado.

Calma! Domínio próprio.

— Eu levei ela para tomar um sorvete.— Respondeu frio, o que me fez arrepiar.— Depois da discussão decidir ter um momento pai e filha.

Engraçado ele querer um tempo "pai e filha", teve nove anos para isso e vai fazer logo agora? Psicopata! Briga com a esposa e para não ver as consequências das suas atitudes leva filhinha para tomar um sorvete. Ele não é homem, é um corvarde.

— Então, tá!— Respondo rude.

—Filho, por que você é assim comigo?— Ele me pegunta com uma olhar triste.

— Sério? Você ainda me pergunta o porquê? Olha onde estamos.— Digo um pouco exaltado. — Estamos num hospital, para ser mais preciso na sala de espera, esperando notícia da minha mãe, a mulher que tenta quase todos os dias se matar por sua causa!

— Eu sei que fui um mostro, mas quero me redimir e preciso do seu perdão.

Ele está se desculpando por todos esses anos de ausência? Está se desculpando por fazer a vida da minha mãe um inferno? Por essa eu não esperava, o que eu digo? Não estou acreditando! Orei por este momento, porém não me preparei. 

— Assim como Jesus me perdoou, eu te perdoou.— Digo a ele. 

— Filho, quero ter isso que você tem! Eu quero ter Jesus na minha vida. Como eu faço para ter?

Meu Deus! Não estou acreditando! Como o agir de Deus né de repente e sem explicação.

 É só aceitar a Ele como o seu único Salvador. Repita tudo o que eu disser.

Ali mesmo no hospital, na sala de espera o meu pai aceitou a Jesus. Mais um da minha família para honra e a glória de Deus.

Estava algumas horas na sala de espera conversando com meu pai, recebemos a notícia de que mamãe está bem. Pela perca excessiva  de sangue, terá que ficar mais um tempo no hospital. Formos juntos, pela primeira vez, como uma família visitar minha mãe no quarto de recuperação. Sussurrei, como de costume, que a amava. Meu pai quis passar a noite com ela, o que já é um milagre. Estou muito feliz, meu pai aceitou Jesus, espero que ele finalmente tome rumo na vida. Falta pouco para poder cantar "Eu e a minha casa servirem os ao Senhor!"

"Josué: 24. 15. Mas, se vos parece mal o servirdes ao Senhor, escolhei hoje a quem haveis de servir; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do Rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor."

Eu sou diferenteHistórias para pegar e não largar. Descubra agora