POV. Mariana
O resto da semana passou rápido, e eu fiz um total de zero coisas. Passei os dias lendo livros, vendo séries e filmes, e, claro, conversando com Cadu. Conversávamos o dia inteiro, parando apenas para tomar banho e dormir. Não nos vimos durante os cinco dias seguintes, disse pra Cadu que era melhor não. Mas hoje, segunda-feira de manhã, não via a hora de ir pro colégio e conversar com ele. Durando os últimos dias senti ele distante e preocupado, tentei conversar e perguntar o que estava havendo, mas ele não quis me dizer. Fora o fator saudade. Eu não negava mais pra mim mesma, eu realmente estava alimentando sentimentos por Cadu, porém ainda não admiti isso pra ninguém, muito menos pra ele. E eu sentia uma reciprocidade vinda de Cadu, podia ser algo da minha cabeça, mas eu sentia que ele se preocupava comigo e tentava me proteger de algo, que eu ainda não sei o que é.
Além disso, tem a Fernanda. Não falei mais com ela depois que sai com o Cadu. Ainda não sei o que ela queria me dizer com aquela mensagem, eu estava morta de curiosidade, como sempre.
Terminei de me arrumar e desci pra cozinha, cantarolando. Chegando lá, peguei uma torrada com geleia e fiquei comendo, esperando minha mãe. Nossa relação estava melhor, mesmo sendo estranho ouvir ela falando do namorado, Renato Araújo. Estávamos combinando de nós conhecermos, seriamos nós três e mais o filho dele que estudava no mesmo colégio que eu. Ficaria atenta ao sobrenome "Araújo".
Patricia aparece apressada, terminando de tomar uma xícara de café e pegando as chaves do carro.
- MARIANA! - ela grita, mas logo se assusta ao me ver sentada na bancada. - Me desculpe, não sei o que me deixa mais surpresa, você já acordada e tomando café da manhã, ou eu atrasada.
- Você anda meio perdida ultimamente, com a cabeça longe. - eu digo em tom de brincadeira, dando um sorriso enquanto saímos de casa e entramos no carro.
- Olha quem fala, nunca imaginei você tão disposta em uma segunda-feira. - ela responde, desconfiada, me olhando de canto de olho, enquanto saia da garagem. Tento reprimir um sorriso pensando que, depois de longos cinco dias, vou ver Cadu de novo. Não havia contado pra minha mãe que estava tendo algo com alguém, sentido algo por alguém. Estávamos nos aproximando e o que eu começava a sentir por Cadu era realmente forte, mas eu não estava pronta para admitir.
Seguimos o caminho em silêncio, cada uma em seu próprio pensamento. Chegando na porta do colégio ela estacionou e me desejou um bom dia. Saí do carro indo em direção ao portão e, para minha surpresa, Cadu e Fernanda estavam parados conversando. Me aproximei e percebi que eles logo pararam de falar sobre o que estavam dizendo, o que me deixou levemente incomodada, talvez com ciúmes, mas relevei. Me aproximei dele, que veio com o rosto de encontro ao meu, com o intuito de me dar um selinho, mas virei o rosto e dei um beijo na sua bochecha, quase no canto da boca, recebi um olhar de surpresa dos dois, ignorei. Cumprimentei Fernanda com um beijo no rosto e um breve breve abraço.
- Do que estavam falando? - perguntei curiosa.
- Nada. - disse Cadu rápido, tentando não tocar no assunto. - Como você está, linda? - seu olhar e sorriso me fizeram corar.
- Bem. - respondi sendo um pouco seca e me virando pra Fernanda. - O que você queria falar comigo?
- Ah, sobre aquilo.. - ela falava olhando de mim pra Cadu. Senti ele mandando algum tipo se sinal para ela, mas tentei ignorar. - Eu vi o Rafael saindo da casa da Manoela, e já era bem tarde. E isso aconteceu mais de uma vez. - na última frase ela olhou pra Cadu, mais uma vez, tentei ignorar mas já estava me incomodando.
Fernanda morava em frente à antiga casa de Manoela, e agora que a mesma voltou pra São Paulo, ela e a família voltaram pro mesmo lugar. Segundo Fernanda, Rafael ia lá quase todos os dias e saía de madrugada, o que não fazia o mínimo de sentido já que os dois nunca se gostaram e se evitavam o máximo que podiam.
Já estávamos no corredor do nosso andar, indo em direção à sala enquanto conversávamos, no momento em que Rafael passou por nós. No primeiro momento ele manteve os olhos em Cadu, os dois declarando guerra com o olhar. Então Cadu envolveu meus ombros com seu braço e me puxou pra si, em sinal de proteção. Nesse instante o outro garoto depositou seu olhar em mim, logo em seguida abaixando-o, olhando pro chão e seguindo rápido para seu destino. Me desvencilhei do abraço e fui em direção à sala, percebendo uma reação confusa de Cadu.
Entramos na sala e a professora ainda não havia chego. Fui me sentar na frente da sala, coincidentemente, ao lado de Manu, a qual ainda não havia conversado depois que voltou pra São Paulo. Mas Fernanda e Cadu não deixaram, me empurrando pro fundo da sala.
- O que vocês tão fazendo? - perguntei confusa.
- Aqui ta batendo muito vento, - respondeu Fernanda. - lá atrás tá melhor.
Dei de ombros e sentei no fundo. Eu não estava me sentindo nada bem naquele lugar, era longe, enxergar direito. Durante toda a minha vida escolar eu me sentei na frente da sala e sentar no fundo era realmente estranho. A professora de português entrou e voltou a se apresentar e essas coisas de começo de ano. Fiquei viajando em meus pensamentos, no jantar com o novo namorado de Patricia, que seria logo. Manoela de volta a São Paulo e Rafael na sua casa eram coisas que eu não entendia, eles nunca se suportaram, sempre foi difícil manter os dois perto, mas só foi ela voltar que ele fica indo até lá e saindo tarde. Será que estavam juntos? Ficando ou namorando?
Isso não é problema meu, pensei. Eu não tenho mais nada com Rafael, nem deveria estar pensando nele depois de tudo que aconteceu.
Percebi que Cadu estava me olhando enquanto Fernanda prestava atenção na aula, ele me deu um sorriso lindo, diga-se de passagem, e eu sorri de volta, um sorriso seco. Ele se virou pra frente e ficou olhando pra professora com cara séria. Eu sentia seu desconforto, mas não podia ficar de mil amores pra cima dele. Nos conhecíamos à uma semana, apenas nos beijávamos, sem nada definido. Não ia ficar com ele na frente de todos para depois ele me decepcionar. Além de não ter esquecido que ele e Fernanda tinham segredos.
As quatro primeiras aulas passaram assim. Não prestei atenção em nada, apenas pensando em tudo que poderia estar acontecendo. No intervalo decidimos ficar na sala, já que não estava nem um pouco afim de socializar. Fernanda foi até a cantina comprar algo pra comer, enquanto eu e Cadu ficamos na sala sozinhos, esperando-a voltar. Estávamos sentados no fundo, um ao lado do outro.
- Como você está? - ele perguntou
- Bem. - respondi.
- Eu estava com saudades de te ver. - ele disse puxando a cadeira e colocando ao meu lado. Ele colocou uma das mãos em meu rosto e iniciou um carinho em minha bochecha. Ele me olhava nos olhos, aproximando seu rosto do meu. Por breves segundos fiquei perdida em seu olhar, sentindo meu coração bater forte. Nossos lábios estavam quase se encostando quando Eduarda, uma menina que estudava conosco, entrou na sala, fazendo nós nos afastarmos.
- Desculpa gente, eu não sabia que tinha alguém aqui. - ela disse rapidamente e saindo em seguida, fechando a porta. Percebi meu rosto ficando vermelho e uma vontade enorme de esconder meu rosto. Abaixei minha cabeça na mesa à minha frente, colocando os braços em volta da mesma. Senti duas mãos me abraçando pelo ombro e a aproximação de Cadu, colocando sua cabeça em minha nuca e distribuindo beijos pela mesma.
Me mexi e ele me soltou. Levantei a cabeça e olhei pra seu rosto murmurando um "não" quase inaudível. Vi a raiva em seus olhos, ele se levantando e saindo da sala, batendo a porta e me deixando sozinha. Era como se um buraco estivesse se abrindo em meu peito. Percebi que meu olhos estavam marejados, mas não me permiti chorar. Eu tinha escolhido isso, não ia sofrer por algo que achava certo. Eu precisava saber que ele também sentia algo por mim.
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The Bet
Fiksi PenggemarMariana é uma adolescente normal, que mora com a sua mãe e que nunca conheceu seu pai. Nada nunca acontece em sua vida, até o terceiro ano do ensino médio. Sua melhor amiga volta do Rio de Janeiro. Será que a relação delas continuará a mesma? E o qu...
