O último jogo

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O dia chegou.

Hoje, vai ser o último jogo do bando e das raparigas. Bem, quase todos. Os rapazes acabam todos este ano, mas a B e a Carol ainda ficam mais um ano na universidade, tal como eu. Mas hoje é o nosso último jogo enquanto equipa. E querem saber a ironia? É com a equipa do Liam...

Entramos no campo ao som das palmas e dos gritos de motivação dos adeptos e vamos para os bancos como é costume.

Estamos todos nervosos e não há volta a dar por mais incrível que o meu discurso seja. Este dia vai marcar-nos para sempre.

- Bem rapazes, o que dizer? Foi um longo percurso com muitas derrotas, mas especialmente vitórias. E cada uma delas levou-nos a este momento, aqui e agora. Num jogo normal eu diria-vos que não interessa se ganhamos ou perdemos desde que nos divirtamos e demos o nosso melhor, mas hoje importa. O jogo de hoje é para muitos o último e para esses ganhar ou perder é tudo neste momento. O resultado deste jogo vai alterar o ganhei o campeonato no meu último ano na universidade ou o não quererem falar sobre isso porque se sentem humilhados pela derrota.
Hoje têm de dar tudo por tudo. Hoje têm de ultrapassar os vossos limites como nunca o fizeram antes. Hoje têm de ganhar custe o que custar. Hoje têm de me deixar orgulhosa com um sorriso de orelha a orelha estampado na cara, porque eu sei que vocês conseguem! Eu acredito em vocês!
Agora entrem naquele campo e partam tudo!! - Concluo o meu discurso deixando a equipa com sorrisos de esperança e orgulho por terem a Lucky a acreditar neles.

Durante estes anos a equipa começou a ver-me quase como uma mãe e, quando descobriram que o quem me tinha tentado violar tinha sido o Liam, o capitão da equipa adversária, esforçaram-se ainda mais e os treinos aumentaram uma hora todos os dias. Eles treinaram tanto só para se poderem vingar por mim e eu nunca lhes poderia agradecer o suficiente.

Anunciam a nossa entrada e eu e a claque entramos no campo já ao som da música.

Fazemos uma apresentação completamente única. Trabalhamos em novos paços e truques, nunca antes feitos. Modificamos rotinas, juntamos músicas e até fizemos uma espécie de comédia com a dança. Foi definitivamente a nossa melhor apresentação.

Voltamos aos bancos que estão completamente vazios e não há sinal da equipa em lado nenhum.

- Rach, onde é que eles estão?! - Pergunto, preocupada.

- Não sei!

- Sei que não é costume, mas a equipa decidiu que não era justo ser sempre a claque a animar os jogos sem o mínimo agradecimento, por isso, nós vamos fazer a nossa apresentação para a nossa maravilhosa claque. Posso é garantir-vos que não será nem perto do que eles e elas fazem! - Anuncia o Ricardo deixando-me, a mim e à claque, de boca aberta. - Que o espectáculo comece!

O Ian entra em campo com um sorriso enorme na cara e mete-se mesmo no centro, o holofote sobre ele.

- A claque e os seus truques

As suas piruetas e cantigas
Sempre afastando os abutres
E trazendo gente amiga

A claque e as suas manias
Sempre criando novas fantasias
Mas nunca em demasia
Afinal de contas eles são perfeita harmonia

Depois entra o Ryan.

A claque e os seus guinchos
A maluquice e a estupidez
Que nos deixa sempre em sofrimentos
E em completa surdez!

É a vez do Eden entrar.

A claque e a sua falta de sanidade mental
Sempre cheios de fé e energia
Tanto que até vão parar ao hospital!

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