Nº de palavras (em Word): 4605
Nº de páginas: 17
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Em pouco mais de uma hora o Ricardo já se está a instalar no meu apartamento, pondo a sua escova de dentes ao lado da minha, as roupas num canto do meu armário que eu tinha desocupado para ele e a comida que eventualmente se ia estragar na sua casa no meu frigorífico. Concordámos que era muito mais prático ser ele a vir viver comigo com o Steven a metros de distância e a universidade mais perto. Ia ser um desafio, isso é certo.
Dizer que o nervosismo já atacou seria um eufemismo. Estava completamente aterrorizada com a ideia de começar a viver com ele tão cedo na nossa relação, se já discutíamos antes agora seria mil vezes pior e quem sabe se íamos sobreviver a isto ou não...
O resto do fim-de-semana foi nada mais do que um borrão com as arrumações todas e as visitas do bando e das raparigas. No final, a Rach acabou por dormir comigo na noite de domingo e o Richard com o Steven fazendo com que a realidade só se abatesse sobre mim na manhã seguinte quando cada um voltou para o seu respetivo apartamento e o Ricardo foi tomar banho na minha casa de banho no quarto, deixando-me na outra que eu raramente usava. Não foi uma experiência completamente estranha, tendo em conta que já tinha acontecido antes, mas quando ele precisou da minha ajuda para sair da banheira e se vestir... Aí sim, eu percebi exatamente no que me tinha metido. Pelos vistos equilíbrio não era algo que assistia o Ricardo então vestir-se com apenas um pé no chão era basicamente impossível para ele.
- Finalmente! – Exclama o Ryan atirando os braços para o ar assim que saímos do apartamento.
- Então, maninho, sabes que eles tinham de aproveitar agora que estão a viver juntos. – Diz, pondo um braço nos ombros do irmão e piscando-me o olho.
- Bryan! – Censuro.
- Yasmin tu não te devias aproveitar de um aleijado assim... – Repreende o Steven, fingindo estar desapontado quando era claro o divertimento no seu olhar.
- Eu tentei dizer-lhe o mesmo, mas a rapariga é insaciável! – Corrobora o Ricardo, recebendo um murro no braço de imediato seguido de um olhar que o devia ter atirado diretamente para o submundo.
Resmungando profanidades em murmúrios incompreensíveis, enquanto eles se riam da minha raiva e cara rosada, dirijo-me até o elevador, recusando-me a falar com qualquer um deles demasiado envergonhada para os encarar.
A Rach leva-nos para a universidade no carro do Ricardo, tal como iria fazer todos os dias a partir de hoje. O Ricardo não podia conduzir e a carta de condução que eu tinha não era válida fora de Portugal, então não vimos outra alternativa, tendo em conta que levar uma pessoa de muletas para o metro apinhado de pessoas cheias de pressa aos encontrões uns aos outros não pareceu uma ideia propriamente genial.
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- Acalmem-se, acalmem-se. – Disse Mr. Clarckson tentando pôr ordem na sala já nos últimos minutos da aula. Passado um minuto quando toda a gente já tinha desistido de conversar com o colega de lado ele retomou o que estava a dizer. – Eu já formei os grupos por isso as conversas paralelas são inúteis. Vão trabalhar em pares e no final da aula eu vou enviar para cada um dos vossos e-mails o tema em que vão trabalhar. – Explica deixando a grande maioria da turma carrancuda ao saber que não ia poder trabalhar com quem queria.
Um a um Mr. Clarckson começou a formar as duplas, fazendo-nos mudar de lugar para ficarmos perto do nosso parceiro. As duplas não eram aleatórias ao contrário do que eu pensei inicialmente. A maior parte da turma não pareceu notar, mas Mr. Clarckson estava a juntar os mais participativos com os que se escondiam mais durante as aulas, os com melhores notas com os que tinham mais dificuldades ou até os mais faladores com os mais certinhos. Eu acabei sentada ao pé do pior dos piores, como já tinha previsto quando descodifiquei a intenção do meu professor.
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Lucky Charm
Teen FictionYasmin é uma simples rapariga portuguesa que vai estudar medicina para Nova Iorque. A única coisa que ela quer é uma vida sossegada - o oposto da vida que tinha em Portugal. Mas rapidamente os planos dela vão por água abaixo quando um certo idiota l...
