Um dia só das raparigas

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Nº de palavras: 5804
Nº de páginas: 23

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- Yasmin?

- Bom dia, meninas! – Saudo, sorrindo.

- Tu... Estás pronta... – Constata a Carol, olhando-me de alto a baixo.

- Claro que estou! Nós tínhamos combinado às dez, certo? – Olho para o relógio, confusa, confirmando que até já passa da hora combinada.

- Sim, mas... - Hesita, olhando para a Rach que partilha o mesmo olhar que ela e que rapidamente se espalha pelas outras raparigas.

- Vocês sabem. Bem pelo menos poupou-me o trabalho de vos contar. – Suspiro.

- Estás bem, Yasmin? – Questiona a Maggie dando um passo em frente.

- Vou ficar. – Digo, encolhendo os ombros. – Não estou propriamente extasiada como é óbvio, mas sei que foi pelo melhor. Nenhum de nós estava feliz.

- Ok. Não sei quanto a vocês, – diz a Rach, pondo-se ao meu lado, um braço por cima dos meus ombros – mas para mim isto chega! Agora vamos! Eu tenho um filme para ver e roupas para comprar!

As raparigas riram-se do entusiasmo da Rach e em minutos já estávamos divididas por carros em direção ao centro comercial mais próximo. No carro do Steven, que a namorada tinha roubado pelo dia, ia a Rach, a Carol, a Maggie e a B, enquanto que eu, a Lexi e a Jo íamos no carro desta última.

- Ok, desembucha Yasmin. – Exige a Lexi. – A Rach só nos disse que vocês tinham tido uma discussão feia. Segundo ela, nem o Steven sabe muito bem o que aconteceu, por isso, fala.

- Lexi, deixa a rapariga em paz! Se ela quiser falar, ela fala! – Diz a Jo, interrompendo-me mesmo quando eu ia responder e, muito honestamente, provavelmente salvando a viagem até ao centro comercial de se tornar completamente deprimente.

- Obrigada. – Digo, dando um curto sorriso, que a Jo vê pelo espelho.

Um silêncio, que eu consigo apenas caracterizar como absolutamente estranho e tenso, apoderou-se do carro, mas não durou muito com a interrupção, ou melhor mini explosão da Lexi, que em segundos estava a pôr um CD no leitor do carro e a gritar a letra de uma música dos 1D qualquer.

- Ah, como eu gostava de ter uma horinha a sós com o Nial. As coisas que eu lhe ensinava...

- Lexi! – Repreende a Jo, desatando a rir logo a sorrir da cara inocente que a outra rapariga lhe atira.

Em menos de meia hora chegamos ao nosso destino, e, no que parecem segundos, já estamos nas lojas, cada uma das raparigas examinando cuidadosamente as roupas.

Não consigo não sorrir à imagem das seis a fazer carantonhas a peças de roupa e a levarem-nas para os provadores, apenas para desfilarem nelas e se rirem; ou à troca de sussurros quando um rapaz, especialmente dotado, digamos assim, passa; ou à Jo e à Lexi a mandarem vir com o resto das raparigas por estarem a mirar certo rapaz quando já estão acompanhadas.

- Eu estou a namorar, não cega! – Responde a Carol.

É tudo aquilo que eu imaginava que seria e mais. Elas gostavam mesmo de estar umas com as outras, eram verdadeiras amigas e isso notava-se nos olhares cúmplices, nos insultos que todas sabiam que eram no gozo, e nas chapadas e encontrões de provocação. Não tinha nada a ver com aquilo que eu tinha presenciado a crescer, mas assemelhava-se muito mais às minhas fantasias mais loucas em que não estava, por fim, sozinha.

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