Azul, sim, eu gostava de azul. Azul claro como o céu, gostava do tom dos olhos de Daniel, eles cintilavam sob o sol e me encaravam com ternura.
É uma das poucas coisas que consigo me recordar dele agora, suas feições com o tempo se apagaram de minha memória a partir do instante em que decidi que não me torturaria mais, quando Emma adentrou sorrateiramente em meu quarto e na soleira da porta de minha casa beijou-me tão intensamente, a partir daí, os olhos que vinham em minha mente adquiriram um novo tom, que me lembravam a infância, quando ainda aprendia a cavalgar nas colinas verdes em que costumava ficar, deitava na grama e observava o céu sempre azul para complementar.
Azul traz tranquilidade, harmonia, mas também simboliza a frieza. Azul me lembra solidão, uma colina coberta por neve sem qualquer resquício de vida, a cor infinita onde você não sabe aonde começa e nem aonde termina.
Em um sinal de luto por parte fingido e por outro de minha liberdade, aboli essa cor da minha vida, assim como qualquer outra. Descobri que o preto era a cor da minha alma, sombria e obscura, e consequentemente seu negror refletia em tudo que tocava. Por muito vivi com medo de voltar a superfície dessa escuridão, e quando finalmente tomei coragem e voltei o caminho percorrido, o que encontrei foi, azul, mas não somente azul, era um arco-íris completo.
- Então você tem um filho? - Regina pergunta, elas estavam paradas uma ao lado da outra encostadas no fusca, esperavam Kubra chegar com o carro de Alex para finalmente terem sua liberdade.
- Sim.
- Por que nunca o vimos antes?
- Se fosse seu filho, você o deixaria manter contato com alguém que sequestrou? - a resposta não veio, todas adquiriram um ar pensativo, e a resposta obviamente era "não".
- Não. - decidiu responder. Finalmente conseguiu entender o porquê de Alex ter tentado encontrar Henry, e ter demonstrado preocupação com a criança que ainda nem nascera. Ela tinha um filho e isso mudava tudo.- Você realmente não nos dirá o significado das coisas que nos obrigou a fazer, não é?
- Acredite, é melhor não se envolveram nisso. Não queiram fazer isso. Não façam.
- Só queremos ir embora. - Emma disse, Alex voltou seu olhar para frente encarando o nada.
- Aonde está aquele inútil? Já faz meia hora que estamos esperando. Que droga! - Alex pega o celular aperta alguma vezes na tela e o coloca no ouvido - Cadê você, porra? Vem logo... Como o Colin está, ele ficou bem com a Ruby?.... Tá... okay. - e desliga - Ele já está vindo. - Não precisava dar satisfações, mas mesmo assim deu - Daqui a pouco estarão livres.
- Já era tempo. - Emma se pronunciou mais uma vez.
- Sim, já era. - o silêncio veio, era constrangedor.
Emma coloca uma mão em seu bolso e de lá tira o chaveiro encantado, finalmente iriam reencontrar o filho, o momento tão esperado chegaria em breve, a felicidade e ansiedade no peito das duas mães eram gigantes. A loira analisa o chaveiro algumas vezes, ele mantinha um brilho azulado quase imperceptível, alcança a mão de Regina e o coloca em sua palma a fechando em seguida. A morena olha para as mãos unidas e levanta seu olhar a Emma, ergue a mão e vê o fraco brilho do objeto, sorri e encosta a cabeça no ombro da mulher, que começa a afagar seus cabelos e deposita um beijo no topo de sua cabeça.
- Eu te amo tanto, Gina. - disse em um tom que somente a morena pudesse ouvir, o apelido proferido já fazia um tempo que não escutava de seus lábios, desde que toda essa confusão veio à tona. Em um sinal de resposta, Regina juntou ainda mais seu corpo ao de sua amada, não precisava dizer que sentia o mesmo, ou que o amor era ainda mais intenso, Emma sabia, ela sentia.
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Permita-se sentir
Fanfiction"E no brilho daqueles olhos verdes, eu soube que havia encontrado a felicidade" Após tantos anos, Regina ainda lamenta a morte de seu primeiro amor, e não acha que será capaz de amar novamente. Até que em uma noite Emma a beija. Um ato inesperado ma...
