Pamella
Quando o verão chegou, eu percebi a quantidade de coisas que muda em um ano. Na verdade, em bem menos tempo.
A Alexia agora saía com a gente com muito mais frequência, graças ao Matt e à Samantha. E, na verdade, contra a maior parte das chances, até o Leo gosta dela agora. Ela já até participava da maioria das nossas reuniões de quinta-feira.
Acho que um grande ponto de virada foi há não muito tempo, quando ela chegou na nossa porta de noite, depois de claramente ter chorado e com uma cara nada boa, e pediu para passar a noite lá.
No começo, fiquei com receio dessa aproximação, mas essa sensação, em sua grande maioria, já passou.
Fiquei ansiosa – do jeito ruim – com a ideia de férias muito longas diminuírem muito o contato com os meus amigos, mas faz duas semanas que o verão começou e a Samantha já até dormiu aqui. Já veio aqui inclusive uma outra vez só para me dar um abraço, quando eu me estressei horrores com meus pais e ela precisava ir a uma cidade duas horas mais próxima de Holmes Chapel que Hertford e disse que não tinha importância estender a viagem por mim.
O grupo inteiro, até agora, só se reuniu uma vez, numa quinta-feira.
Fora isso, eu vi o Scott umas três vezes, também.
Minha mãe inventa, então, de chamá-los para passar uma tarde na nossa casa – na verdade, ela fica insistindo para chamar o pessoal com quem eu estudava antes, também, principalmente a Karen. Por sorte, essa ferida já sarou, mas a repetição insistente por parte dos meus pais em cutucá-la ainda é extremamente desagradável.
A única outra coisa que me deixa desconfortável nisso tudo é o plano de passar a tarde na piscina. Eu sei que a maioria dos jovens adora o verão e ficar na piscina, mas eu não gosto muito da ideia de ficar de biquíni, muito menos na presença de garotos – e o nome do Scott foi o primeiro citado.
Imagino que a Alexia não se sinta tão confortável também.
Sem muita escapatória, porém, acabo fazendo o que me foi sugerido.
***
Não acho que algum dia eu vá cansar de admirar o modo como o Scott se esforça para ser tão legal com a minha família.
Meu irmão e eu nunca fomos muito próximos e ele sempre parecia irritado, meu pai quase nunca parava em casa e os garotos que conheci não eram dos mais legais sempre – ou eu simplesmente não era muito próxima -, então nunca tive noção que uma figura masculina poderia ser como ele é.
Os rapazes trouxeram um pouco de comida, mesmo eu tendo dito à minha mãe que o Leonard é alérgico a glúten e caseína – foi a única forma que encontrei de explicar sua dieta sem que 1) ela achasse frescura ou 2) eu contasse sobre o autismo.
Meu pai está se alternando entre piscina e grelha. Sinto o desconforto do Leonard com o sol muito forte para os parâmetros ingleses – que o obriga a usar óculos e boné o tempo todo –, a música tocando um pouco alta e meu pai que fala alto demais. Imagino que ele esteja sentindo, ainda, o cheiro misturado de todo mundo, de frango, carne de hambúrguer e água de piscina.
Desligo a música de fundo, numa tentativa de minimizar os danos, alegando que está muito barulho. Mas talvez eu tenha feito merda.
Alexia, Scott, eu e minha mãe somos as únicas pessoas fora da água no momento. Minha mãe, sempre tentando ser engraçada, diz que não entra para não traumatizar todo mundo, o que ela acha hilário. A única pessoa que não entendo o motivo para não estar na piscina é o Scott, já que ele já se ofereceu – e me impediu – de ajudar em tudo o que precisava ser terminado e não havia mais nada para ser feito agora.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Palavras e "Riscos"
RomanceDe diferentes cantos da Inglaterra, vêm duas garotas. Pamella é sempre feliz. Alexia é sempre o que se espera que uma adolescente seja. Ambas camuflando todo o resto de todo mundo, cada uma com sua forma de lidar com seus sentimentos. As duas...
