Capítulo 20

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   Pamella:

  - Sam, onde você colocou a sacola com rou... – eu me interrompo e estanco no lugar quando vejo o Scott sentado no sofá ao lado do dela.

Maneiro, muito bom quando você sai do quarto, vestida só com um roupão e com o cabelo ainda molhado, e dá de cara com seu namorado e sua melhor amiga na sala. Assim, só queria ter ficado sabendo que ele vinha, mesmo, nada mais.

Sem que eu queira, minha mente lembra dele a chamando de "namorada" algumas semanas antes da gente começar a namorar. E de como os dois se dão bem. E de como eu sou péssima com socialização. E eu sempre sou substituída, no final das contas. Eu penso em como a Sam ficou preocupada por estar com o Leo por causa do Scott e eu. Então eu faço o possível para colocar meus pensamentos no mudo, pois sei o que vem a seguir e não quero pensar nisso. Por mais idiota que uma pequena parte de mim julgue essa ideia, eu confio nos dois.

Mas, é claro, isso não me impede de sentir menor e tola.

- Scott... – minha voz sai entre uma pergunta e uma constatação. Ele sorri e eu me pergunto como dizer isso de forma delicada: - O que você tá fazendo aqui?

- Eu encontrei com a Sam na loja de CD's aqui perto e a gente veio conversando e eu acabei pensando em passar pra te dar um oi. Talvez eu pudesse ter escolhido um horário melhor.

- É, pois é. – Pamella, você está de roupão, uma voz na minha cabeça me lembra – Sam, onde você colocou o saco com... ahm... você sabe? – roupa íntima.

- Quarto reserva.

***

Depois de estar devidamente vestida, continuo tentando convencer a mim mesma de que não foi nada demais, tanto o fato dele estar ali como o de ter me visto de roupão. Não é como se eu estivesse pelada ou coisa do tipo.

O Scott parece um pouco nervoso ao ir embora, o que acontece menos de dez minutos depois de eu me juntar aos dois; já a Sam, parece divertida.

EuconfioeuconfioeuconfioEUCONFIO.

Eu tenho um pé atrás.

***

Eu não consigo ficar chateada com a Samantha por muito tempo.

Ontem, antes mesmo do Sol se pôr, eu já tinha superado a misteriosa aparição do Scott. Pelo menos até a próxima vez em que eu notar algo suspeito.

Eu acordo antes dela, mesmo que morta de sono. Descanso por meia hora e então sinto meu corpo querendo 1- entrar em atividade, 2- permanecer em inércia pelo resto da vida ou 3- mastigar. Não, não é fome, é uma inquietação. Por experiência, sei que não vou conseguir dormir, então ativo meu lado dois anos e começo a pular na cama da Samantha gritando É manhã de domingo! É manhã de domingo! até que ela finalmente se levanta.

***

- Róóóóóóóinc. – eu faço, arranhando a garganta, num misto de falsa falta de ar e espanto, com os olhos esbugalhados, porque ela sempre ri.

- Para!

- RÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓINC.

- Você vai engasgar!

- RÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓINC.

Ela me bate com o pano e ri. Quando olha para mim de novo, só de eu ameaçar, já ouço sua risada novamente.

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