Pamella:
- Eu posso ter esquecido de mencionar que tem um pouco de caminhada. – ele diz, estacionando o carro – A gente pode ir a outro lugar, se você preferir.
- Eu sei que tem caminhada, tenho minhas fontes de informação. – brinco.
- Ok. – o Scott levanta as mãos em rendição enquanto ri – Então vamos, Dona Informada. Não esqueça o casaco.
***
Vamos até algum ponto onde o chão irregular é a junção de pedras enormes com uma espécie de grama entre elas. E, ah, vale mencionar o leve penhasco à nossa frente.
Nós dois nos sentamos no chão, bem perto da borda.
Eu não tinha entendido a necessidade de trazer um casaco, já que não está frio, mas agora vejo que aqui venta bastante.
- Gostou?
Eu olho em volta. O dia está lindo, por sorte: céu claro, algumas plantas já ameaçando antecipar a primavera, campos e campos e campos sem fim, nenhum poste telefônico à vista, só natureza, poucas pessoas e, ao longe, umas casinhas (talvez não sejam casinhas, mas daqui são bem pequenas mesmo). E pedras, de todas as formas possíveis.
- É lindo.
Olho para o Scott. Ele sorri.
- Não é perigoso ficar com os pés pra fora da pedra?
- Se é perigoso, eu não sei. Mas eu nunca caí. Você tem medo de altura?
- Não.
- Parece.
Só por causa do desafio, sento ao seu lado, com metade das pernas para fora da pedra. Ele ri e passa um braço pelos meus ombros. Passo um dos meus pela sua cintura, sem me dar a oportunidade de pensar sobre isso e desistir do carinho.
- Eu gosto de lugares altos. – digo, deitando "sem perceber" a cabeça em seu ombro – Tipo aqui, que dá pra ver um monte de coisa.
- Uhm... – apoia sua cabeça na minha – Algum motivo especial?
- Não exatamente. Só dá uma sensação de liberdade, não sei. É como se você pudesse ver melhor... as coisas.
- Não entendi.
- Faz tudo parecer menor. Todas as coisas, sabe? Você passa tanto tempo lá embaixo que elas parecem enormes, daí você vem pra cá e percebe que não são nada, que existe alguma coisa muito maior, que o vento circula e leva o que tem que ser levado. Essas coisas profundas. Tipo, você tá literalmente acima de tudo. Dá vontade de... sei lá, se esvaziar, porque parece que nada ruim consegue chegar aqui. Passa paz.
- Você quis dizer desabafar?
- Não só desabafar. Enfim, é meio idiota.
- Não é. Pode falar.
Eu lembro do que sua mãe me disse semana passada e das minhas reflexões sobre isso. Acho que me abrir um pouco mais não vai machucar ninguém.
- É como se nada do que eu falasse fosse soar idiota e eu pudesse falar qualquer coisa. Sempre que eu me imagino contando algo importante a alguém, tendo uma conversa dessa, é em um lugar assim ou na praia, por causa do mar. O barulho da água me acalma e o mar também passa essa ideia de liberdade, de que, no caso, a água vai vir e levar tudo o que eu disser embora, então não vai me causar prejuízo nenhum. Acho que foi justamente o fato da gente estar na praia que me fez ter coragem pra ter aquela conversa de quando a gente começou a namorar. Mas lugares altos ainda funcionam melhor, eu acho. Dão mais distância de onde eu costumo ficar. Como se fosse impossível qualquer coisa que eu disser chegar onde eu costumo estar.
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Palavras e "Riscos"
RomantikDe diferentes cantos da Inglaterra, vêm duas garotas. Pamella é sempre feliz. Alexia é sempre o que se espera que uma adolescente seja. Ambas camuflando todo o resto de todo mundo, cada uma com sua forma de lidar com seus sentimentos. As duas...
