Dizem que sou louca por não acreditar em felizes para sempre. Para mim, essa ideia nunca passou de um conto de fadas fabricado para iludir os incautos, e não me sinto nem um pouco culpada por não ceder a essa fantasia. A vida real é feita de desafio...
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— Eu não sabia que uma filha tinha que esperar duas horas para poder falar com seu próprio pai. — Entrei na sala real, onde meu pai costuma passar a maior parte do tempo.
— Tive que lidar com suas confusões, Alinna, não reclame. — Papai disse irritado, sentando-se em sua cadeira.
Permaneci em pé ao lado de Erik, que também estava presente.
— Minha confusão? — Falei, irritada com a injustiça. — O senhor não quer dizer a confusão causada por Costela?
— Ora, Sky, por favor! Você...
— Ele vai ficar aqui? — Interrompi, apontando para Erik. — Pensei que esta fosse uma conversa entre pai e filha, não entre pai, filha e um subordinado bajulador.
— Alinna! — Meu pai exclamou, elevando a voz.
— Tudo bem, majestade. Já estava de saída mesmo. Com sua licença. — Erik disse, curvando-se respeitosamente antes de sair da sala.
Desde pequenos, Erik e eu fomos amigos inseparáveis, mas ultimamente algo mudou entre nós. Ele está mais irritado, e tudo o que faço parece ser motivo para que ele relate ao meu pai. Acredita-se superior desde que se tornou comandante da guarda real, junto ao General Carter, que também exerce grande influência sobre mim. Estamos afastados há algum tempo; às vezes, sinto falta da nossa amizade, mas se ele quer manter distância, não vou implorar por sua companhia.
— Você viu o que estão dizendo por aí, Alinna? — Perguntou meu pai.
— O senhor nunca me chama de Alinna, por que resolveu usar meu nome agora? — Respondi, sentindo-me incomodada com a forma como ele estava me tratando.
Ele nunca me chama de Alinna, o que significa que ele deve estar realmente bravo comigo. O boato que circula é que sou a princesa do coração de gelo. Não é verdade; a questão é que não permito que as pessoas vejam minha vulnerabilidade. "O inimigo sempre sentirá o cheiro podre do seu medo. Não sinta medo, ou não deixe que sintam o seu medo", meu pai costumava me dizer todas as noites enquanto penteava meus cabelos antes de dormir. Ele me conhece muito bem, conhece minhas fraquezas e meus pontos fortes. Neste momento, ele está sendo minha fraqueza, deixando claro o quanto está decepcionado comigo.
— Eu só queria ajudar, pensei que estava fazendo o certo. — Falei com a cabeça baixa, sentindo-me pequena diante da intensidade do olhar de meu pai.
— Há boatos referentes a você espalhados por todos os três reinos e, com certeza, por todo o mundo. Incendiar cerca de quinze homens? — Ele me encarou severamente.
— E por acaso o senhor viu quantas armas estavam apontadas para minha cabeça? — Perguntei, carregando um tom de ironia.
— Eu não quero saber, Alinna! — Gritou, sua voz ecoando na sala. — Você será rainha um dia e é assim que você se comporta? Como um animal? — Batendo na mesa, ele se levantou abruptamente.