Dizem que sou louca por não acreditar em felizes para sempre. Para mim, essa ideia nunca passou de um conto de fadas fabricado para iludir os incautos, e não me sinto nem um pouco culpada por não ceder a essa fantasia. A vida real é feita de desafio...
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Colocaram Leonidas no lugar mais profundo do palácio, e até hoje não compreendo completamente o motivo desse isolamento extremo. O quarto onde ele está confinado fica em um nível tão baixo que está até abaixo das cozinhas, em um lugar que parece ter sido esquecido pelo tempo. O corredor que leva até lá é estreito, com paredes frias e úmidas que parecem absorver toda a luz e esperança. O som de gotas d'água ecoa ao longo do caminho, caindo ritmicamente das goteiras que se formaram no teto antigo e maltratado. Cada passo que dou é acompanhado pelo som sombrio da água gotejando, amplificando o sentimento de opressão e solidão. Enquanto caminho, determinada a visitar Leonidas, um barulho estranho interrompe meus pensamentos. É um som que não consigo identificar de imediato, e ele ressoa de forma inquietante nos corredores. Paro abruptamente, meu coração acelerando. Viro-me lentamente, esperando ver alguma coisa, mas o corredor atrás de mim está vazio, envolto na escuridão e na umidade. Nada. Apenas o silêncio e o som distante da água. Respiro fundo e tento afastar a inquietação, mas há algo nesse lugar que me deixa desconfortável. Continuo meu caminho, mas a sensação de estar sendo observada persiste, cada passo pesado como se estivesse sendo puxada para baixo por uma força invisível. Mais uma vez, por impulso, paro. Desta vez, fico em silêncio, tentando ouvir qualquer som que possa revelar a origem do barulho estranho. O corredor parece mais sombrio do que antes, e o silêncio se torna quase insuportável.
— Meredith, minha princesa, pode sair de onde está escondida. Mamãe já te viu. — Viro-me para trás e vejo ela saindo de trás de uma das pilastras. — Não deveria estar com Juliete e Brenda?
— Sim, mas, mamãe, você está indo ver o papai, não está? — Ela pergunta com aquele tom meigo que só ela tem.
— Sim, estou indo ver o papai. Mas você deveria estar fazendo seus deveres. Já terminou tudo? — Pergunto, inclinando a cabeça.
— Ãhm... — Ela hesita, olhando para o chão.
— Sabe que se mentir para mim, Juliete me contará a verdade. — Aviso, estreitando os olhos.
— Eu prometo que quando eu voltar, terminarei tudo, mamãe. — Ela me lança um sorriso engraçado e inocente.
— Tudo bem, venha cá! — Estendo a mão. — Vamos ver o papai.
Ela corre até mim, segurando minha mão com alegria. Ao nos aproximarmos do quarto onde Leonidas está, encontramos Dilan fazendo sua ronda de segurança.
— Majestade, Alteza. — Ele nos cumprimenta com uma reverência.
— Oi, Dilan! — Diz Meredith, de forma simpática.
— Olá, Dilan. Como está? — Pergunto, mantendo o tom formal.
— Estou bem, majestade. Obrigado por perguntar. — Ele responde com cortesia.
— E como está meu marido? — Pergunto, tentando esconder a preocupação.
— Ele está se recuperando bem, majestade. O rei tem mostrado sinais de melhora. Avisarei que vieram saber como ele está. — Dilan responde com um sorriso gentil, que só aumenta minha frustração.