Dizem que sou louca por não acreditar em felizes para sempre. Para mim, essa ideia nunca passou de um conto de fadas fabricado para iludir os incautos, e não me sinto nem um pouco culpada por não ceder a essa fantasia. A vida real é feita de desafio...
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No décimo quarto sono profundo, fui abruptamente despertada por batidas desesperadas na porta de meu quarto. Atordoada e sonolenta, ergui-me lentamente, ainda envolta em névoa mental, e me dirigi à porta. Ao abri-la, deparei-me com Áries, cujo rosto exibia uma mescla de horror, medo e angústia. Seus olhos, normalmente tão seguros, agora refletiam uma preocupação intensa que me fez enrijecer.
A luz fraca do corredor destacava os traços pálidos de seu rosto, as sombras parecendo dançar ao redor dela, como se a própria escuridão estivesse ansiosa para envolvê-la. O silêncio do palácio durante a noite, habitualmente reconfortante, agora parecia carregado de uma tensão palpável.
"Mas que droga é essa?", murmurei, minha voz mal articulada pela surpresa e pelo sono entorpecente que ainda me envolvia. Ela não respondeu de imediato, apenas olhou para mim com um misto de urgência e hesitação. A presença dela ali, nesta hora incerta da madrugada, lançava uma sombra de apreensão sobre minha mente ainda meio adormecida. Os segundos pareciam se estender enquanto eu tentava decifrar o que poderia ter levado Áries a me procurar assim. A atmosfera ao nosso redor parecia eletricamente carregada, como se o próprio ar estivesse impregnado de uma energia desconhecida e inquietante. Finalmente, ela encontrou a voz, e suas palavras saíram num sussurro trêmulo:
— Temos um problema.
Cheguei exausta à vila de MoonFifth e mal podia acreditar no que meus olhos testemunhavam: metade da vila estava envolta em chamas. Pessoas corriam em pânico, seus rostos contorcidos pela urgência e medo. Meu pai se destacava entre os socorristas, ajudando a evacuar moradores desesperados de suas casas em chamas. Do outro lado, tio Joh, Lucky e Kedra lideravam um grupo tentando conter o incêndio com baldes d'água e cobertores. Eu permanecia paralisada no meio daquele caos vertiginoso, minha mente lutando para processar a magnitude da tragédia. Enquanto as pessoas se atropelavam ao meu redor, eu me sentia como uma estátua, incapaz de decidir por onde começar ou como ajudar.
Um impulso finalmente me fez mover, e ao virar para a direita por uma das estreitas vielas da vila, deparei-me com o segundo altar, erguido anos atrás em memória de minha mãe. Agora, consumido pelo fogo voraz, parecia uma cena de pesadelo. Chamas lambiam os painéis de madeira e retalhos de fotos, uma das últimas lembranças tangíveis que tínhamos dela, agora reduzida a cinzas. Ao lado, uma marca em forma de "C" gigante estava visível, como se desenhada pelas chamas. A imagem era perturbadora, um símbolo desconhecido que parecia sussurrar de um perigo ainda maior por trás deste incêndio devastador.
O ar estava carregado com o cheiro acre da fumaça, e o crepitar das chamas acompanhava o lamento das pessoas que tentavam salvar o que podiam. O brilho alaranjado do fogo contrastava com a escuridão da noite, criando uma atmosfera surreal e sombria na pacata vila que sempre conheci como um refúgio de paz. Minhas mãos tremiam enquanto eu observava a destruição avançar implacavelmente. A sensação de impotência era avassaladora, e eu me perguntava se algum dia MoonFifth poderia se recuperar daquele desastre, ou se esta noite marcaria o fim de sua tranquilidade para sempre.