Dizem que sou louca por não acreditar em felizes para sempre. Para mim, essa ideia nunca passou de um conto de fadas fabricado para iludir os incautos, e não me sinto nem um pouco culpada por não ceder a essa fantasia. A vida real é feita de desafio...
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— Você foi incrível, Sky — Elogiou Hugo.
Hugo me ajuda a caminhar de volta para o quarto, mencionando que, segundo ele, Leonidas não quer mais que eu fique na prisão do Coliseu. Cada passo é uma tortura; meu joelho lateja incessantemente, meus olhos estão inchados e doloridos, meus ossos doem como se estivessem prestes a se partir, e estou coberta de sangue seco.
— Pode deixar, eu consigo andar sozinha a partir daqui. — Digo, me endireitando e continuando a caminhar sem a ajuda de Hugo.
Não foi uma boa ideia, mas sigo em frente, mesmo com uma perna possivelmente quebrada. Cada passo é uma fisgada agonizante, como se uma faca estivesse perfurando minha carne repetidamente. Mordo os lábios e fecho os olhos por alguns segundos, mas continuo a caminhar, firme, forte e sozinha. Passamos por uma ala do palácio onde as portas estão abertas, revelando o vasto corredor e o jardim lá fora. O cheiro excessivo das rosas invade minhas narinas, uma mistura de doçura e sufocamento. Ao longe, consigo ver os portões de ouro abertos, brilhando sob a luz.
— Hugo, você viu o Ethan por aí? Preciso falar com ele, mas não consigo encontrá-lo. — Pergunta um senhor que aparece de repente.
Hugo se distrai respondendo às perguntas do homem, e uma vontade incontrolável de correr explode dentro de mim, quase sufocante. Sem fazer alarde, começo a caminhar devagar em direção à porta. Eles não percebem minha saída. Em um certo ponto, desato a correr. A dor na minha perna é insuportável, como se estivesse prestes a ceder, mas a promessa de liberdade está tão próxima que quase posso saboreá-la. Não consigo evitar um sorriso ao ver o portão aberto, sem ninguém à espreita. A dor se torna secundária diante da proximidade da liberdade, e continuo correndo, determinada a não parar.
— PARE AGORA! — Grita Leonidas da porta de seu palácio, distante, mas sua voz ecoa poderosa.
Paro, me viro para encará-lo e depois olho para o portão, tão perto, tão perto.
— Você realmente acha que pode me impedir de sair? — Pergunto, dando um passo para trás, aproximando-me ainda mais dos portões de ouro.
— Mas é claro que posso. Eu posso tudo! — Responde ele, sua voz alta e cheia de autoridade, alcançando-me com facilidade.
Dou uma gargalhada, uma das mais intensas da minha vida, achando graça de toda a situação. Leonidas, vendo minha reação, puxa uma carta da manga. Estica os braços, e uma pequena menina de cabelos vermelhos e vestido engraçado sobe em seu colo. Ela age naturalmente, sem medo ou hesitação, mas não posso culpá-la; ela não sabe quem ele realmente é. Meredith.
— Como...? — Tento falar, mas as palavras se embolam.
— Diga oi para a mamãe. — Ele a balança levemente.
— Oi, mamãe! — Ela grita, acenando feliz com seus bracinhos ao me ver.
Não faz muito tempo que adotei Meredith, mas já a amo como se tivesse saído de mim, como se fosse minha de verdade. E ela é minha. Como ele soube da existência dela? E como conseguiu trazê-la até aqui? Minha mente está a mil, mas a maior surpresa acontece quando ela aparece.