O pedido

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Mais uma vez um barulho ao pé da minha janela, contudo, dessa vez eu já não esperava mais Jhonny tanto quanto antes. O tempo que tenho passado com meus amigos, minha família e com Rafa têm me feito esquecer de como eu me sentia, quando estava com Jhonny...

Era o Rafa que estava me esperando do no jardim. Ele trazia em sua mão um buquê de rosas e um pequeno embrulho, cuja identificação do que há dentro é bastante complicada para mim. Fiz um sinal para que ele me esperasse cinco minutos, já que depois de colocar uma roupa descente estaria pronta para descer.

Passados poucos minutos, abri a porta do meu quarto e desci na ponta dos pés, tentando fazer a menor quantidade de barulho possível, dentro das minhas limitações de pessoa mais desastrada que conheço.

Abrí a porta e lá estava um dos homens mais bonitos que uma vez já havia visto. Rafael estava mais atraente que o de costume essa noite. Ele usava uma calça jeans justa e uma blusa polo branca com um botão aberto, seu cabelo desgrenhado dando um ar de garoto rebelde e a barba por fazer (barba que eu já imaginava arranhando outros lugares, diga-se de passagem).

Rafael segurou uma das minhas mãos entre a sua e me afastou da porta.

- O que está fazendo aqui? - Estava um tanto admirada.

- Não gostou da visita?

- Claro que sim. - Ri. - Mas, você poderia ter me avisado que viria.

- E estragar a surpresa? - Colocou a mão no peito, fingindo-se ofendido. - De jeito nenhum.

- E qual a surpresa?

- Você confia em mim? - Assinto. - Então entre no carro, quero te levar para um lugar.

- Rafa, amanhã viajaremos bem cedo. Você sabe.

- Eu juro que será rápido.

- Tudo bem.

Rafael, ainda segurando minha mão, me guia até o carro, abre a porta para mim e caminha até a porta do motorista, deixando que eu bata minha porta.

- Pode ligar o rádio se quiser. - Diz já dentro do carro, enquanto dá partida.

Aperto o botão que liga o rádio do carro e instantemente começa a tocar a música Uncover da cantora Zara Larsson. Começo a cantar baixinho a música, porém, conforme os minutos da música transcorrem, me empolgo e subo o tom da minha voz.

Vamos assim por todo o caminho da minha casa até Venice Beach. O local escolhido por ele me deixa ainda mais curiosa sobre o motivo que nos trouxe ali.

Abro minha porta, não esperando por ele e uma fração de segundos depois Rafael imita minha ação. Ele dá a volta no carro, segura minha mão mais uma vez e caminha ao meu lado rumo a pista de skate deserta, pelo horário.

Assim que nos sentamos, ainda com meus dedos entre os seus, ele começa a falar:

- Bem... como nós vamos viajar amanhã, decidi me antecipar, vindo até aqui e preparando esta surpresa. - Rafael faz uma pausa e solta o ar que prendera. Dou o tempo que ele precisa e antes do esperado por mim, ele volta a falar. - Emily, eu não consigo mais me imaginar longe de você. Não consigo mais imaginar a minha vida sem você. Toda vez que eu começo a pensar nisso, os momentos que presencio e já presenciei parecem sem sentido, desde a minha rotina para acordar até a hora em que me deito. Eu posso estar fazendo qualquer outra coisa e de repente me pego pensando em você, eu sei que é meio estranho, e talvez, muito cedo para dizer isto mas acho que quando duas pessoas realmente se gostam, tempo é relativo. Vejo verdade em como me sinto quando estamos juntos e até separados. - Respira fundo. Eu quase perco o fôlego. - Você quer ser a futura mãe dos meus filhos? Dividir segredos, compartilhar da sua dor, quer namorar comigo?

Neste momento senti meus olhos se encherem de lágrimas. Pode parecer que estou o usando ou apenas o tratando como simples distração, mas eu realmente gosto dele, eu me sinto mesmo bem quando estamos juntos. Desde que Rafa apareceu na minha vida eu esqueci todos os meus problemas, eu comecei a enfrentar meus medos, ele me passa segurança, me protege... quando penso sobre meu futuro, ele é a única pessoa que me vem à cabeça, consigo imaginar apenas ele como pai dos meus filhos, quando penso em acordar do lado de alguém, só consigo pensar no rosto dele, com os fios desgrenhados e com a mão sobre a minha cintura, puxando meu corpo para ainda mais perto.

No momento em que consegui me acalmar, e secar as lágrimas que já escorriam pelos meus olhos, lembrei que ele ainda esperava por uma resposta minha. Antes de qualquer outra reação, me senti sendo puxada em um abraço calorosos e confortável.

Alguns minutos depois, me afastei e então pude ver o embrulho em sua mão e também uma pequena caixinha preta aveludada.

- Sim, Rafa... Eu não tenho palavras para descrever o que sinto por você só sei que eu te amo, eu não consigo mais me imaginar sem você... você faz borboletas virem a tona dentro do meu estômago, faz as minhas mãos suarem e o meu coração querer sair pela boca. Eu aceito ser a futura mãe dos seus filhos. - Sorrio e meus lábios são tomados pelos seus.

Nosso beijo começou a ficar salgado. Foi só aí que notei que as lágrimas que se misturavam aos nossos lábios colados eram provenientes dos olhos do meu, agora, namorado.

Ele segurou o meu rosto delicadamente com as mãos e intensificou ainda mais o nosso beijo, beijo que transbordava amor.

- Aqui. - Rafael me entrega o embrulho. - Eu não sabia se iria aceitar, mas eu quis lhe trazer um presente de aniversário adiantado.

Peguei o embrulho pequeno de sua mão e abri. Dentro da pequena caixa, encontrei uma pequena pulseira feita de ouro branco com algumas pedrinhas pequenas de swaroviski. Havia também um belo pingente de musgravite, com o número 17 gravado atrás.

Enquanto pensava que a surpresa tinha acabado, Rafael puxou a minha mão e colocou a caixinha aveludada na mesma.

- Isto é para oficializar o nosso compromisso. - Abri a caixinha me deparei com um anel lindo de ouro. O anel tinha uma pequena e linda pedra de diamante. Olhei dentro deste anel... ele vinha com a seguinte frase cravada "E + R = amor eterno para todo sempre" Quando vi isso escrito não escondi minha emoção, me derreti em lágrimas e dei mais um beijo, no homem, que daqui para frente eu poderia chamar oficialmente de meu.

Nós ficamos abraçados por tempo indeterminado... minha respiração foi se normalizando e eu não sei como, nem porquê, mas adormeci ali.

(...)

Abri meus olhos devagar sem me lembrar de onde estava.

Aos poucos, fleches da madrugada começaram a atingir a minha cabeça. Só consegui acreditar ser verdade no momento em que meus olhos pousaram sobre o anel no meu anelar direito e na bela pulseira que estava em meu braço esquerdo.

Olhei para despertador sobre o criado-mudo e constatei faltar algumas horas para a viagem, que seria depois do almoço.

Depois de trocar de roupa, escovar os dentes, lavar o rosto e ajeitar o cabelo, desço a escada e decido que falarei com a minha família sobre meu namoro antes de partirmos...

Um doce reencontro ( Em revisão )Onde histórias criam vida. Descubra agora