vigésimo nono

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22 de outubro de 2003 – Columbus, Ohio

Eu não fui à escola hoje. Fui para uma consulta de última hora com a Dra. Eva.

Me senti muito desconfortável contando o que eu tinha visto para ela, e ela ficava me olhando por trás de seus óculos e anotava algumas coisas de vez em quando.

Ela me disse que isso seria meio perturbador, mas era comum acontecer enquanto eu estivesse tomando a medicação nova. Então eu pedi para ela tirar imediatamente, porque isso era horrível. Ela só negou com a cabeça, pedindo desculpas.

Ela continuou, dizendo que eu estava tendo lapsos de memória. Eu estava lembrando do que o outro tinha feito enquanto estava no controle. Eu fiquei muito assustado e envergonhado, porque eu tinha xingado a minha mãe. Ela disse que sentia muito, mas minha mãe sabia que eu nunca faria aquilo normalmente, sabia que era apenas uma crise. Eu não consegui ficar tranquilo com isso.

Dra. Eva disse que seria normal que o outro revelasse seu rosto pra mim, ou aparecesse em forma “física”. Aí eu falei que de vez em quando eu sentia alguém me seguindo, ou que eu estava sendo observado, e ela disse que quando ele aparecesse, eu não poderia ter medo, porque ele é parte de mim.

Como eu não vou sentir medo de algo que quer destruir minha família, a mim mesmo e meu melhor amigo?

Eu disse pra Dra. Eva que o outro odiava Tyler. Ela falou que com certeza Tyler me fazia feliz, e esse outro não queria me ver feliz de forma alguma. Por isso eu tinha que combatê-lo. Ele tinha passado esse tempo todo adormecido porque eu não era feliz e era isso que ele queria, mas assim que conheci Tyler ele começou a me atormentar com mais frequência.

Eu vou vencê-lo. Eu vou tentar lembrar de mais coisas que esse monstro fez quando eu não podia me defender, vou achar um jeito de tirá-lo de mim antes que ele possa fazer algo de mau a mim, a minha família e principalmente a Tyler.

Goner (don't let me be)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora