quadragésimo terceiro

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Carta 07

09 de novembro de 2003 – Columbus, Ohio

Eu estava certo, Tyler. Era ele. Aquele monstro. Aquele cara ruim.

Dra. Eva ficou muito, muito surpresa quando eu contei o que havia acontecido antes de eu ir para o consultório. Ela perguntou se ele não tinha falado nada, e eu disse que não.

Eu disse que tinha ficado com medo dele, e pedi desculpas, pois ela tinha dito que eu não deveria ficar com medo. Ela disse que não tinha problemas e que entendia meu lado, era comum ter um pouco de medo nessas situações.

Perguntei o que fazer quando acontecesse de novo, e ela disse que haviam duas coisas que eu poderia fazer: uma eu tinha feito, que foi me concentrar em coisas boas, no caso você; a segunda era ignorar o medo e enfrentar minha própria mente. Ela disse que a primeira opção poderia apenas anestesiar, mas para vencê-lo ou pelo menos ter maior controle sobre ele eu tinha que enfrentá-lo. Então uma hora ou outra eu vou ter que realmente falar com ele.

Dra. Eva garantiu que ele não pode me machucar, e que meus pais sabiam como agir se eu não pudesse mais lidar com a situação.

Ela perguntou, já no final da consulta, se eu tinha te contado sobre os problemas. Eu disse que não, que as cartas estão resolvendo. Ela pareceu satisfeita, mas eu não.

Eu quero te contar. Quero que você me conheça, que veja dentro de mim, que você seja tão próximo de mim em questões imateriais tanto quanto somos próximos quando você me abraça e eu sinto sua respiração em meu pescoço.

Um dia, Tyler, eu prometo que te conto tudo isso.

Goner (don't let me be)Onde histórias criam vida. Descubra agora