11 de dezembro de 2003 – Columbus, Ohio
Nesses dias eu não consegui ir à escola. Tyler me ligou algumas vezes, mas era sempre minha mãe que atendia e eu sempre dizia que eu não estava com vontade de falar com ele.
Eu sei, era errado, mas eu não ia conseguir falar com ele. Eu sentia que eu devia algo à Tyler, e esse sentimento ameaçava me matar por dentro, de alguma forma. Eu sentia que estava decepcionando meu melhor amigo, mesmo sem saber por que eu estaria pensando isso.
Hoje eu finalmente consegui ir à escola, e até consegui me sentir um pouco mais feliz quando Tyler me abraçou (o que a gente faz todo dia e melhora meu dia pra caramba), mas depois o medo de estar na borda entre a sanidade e a insanidade e aquele sentimento de estar decepcionando Tyler voltou mais forte.
Eu não sei explicar direito, eu nunca me senti dessa forma. É como se qualquer coisa que eu fizesse pudesse afastá-lo de vez de mim e eu não quero que isso aconteça, nunca. Eu morreria se eu perdesse Tyler.
Ele não perguntou por que eu faltei, nem falou do que aconteceu na sexta-feira, o que foi bom. Mesmo que ele não tenha feito nenhuma pergunta, deu pra sentir no olhar dele que ele queria saber o que estava acontecendo comigo – ou talvez já até soubesse, só não tinha certeza disso.
No meio da aula de Matemática, à tarde, eu disse para a professora que eu estava me sentindo mal e ela disse que eu podia ir à enfermaria. Tyler queria ir comigo, e eu até queria que ele fosse, mas algo lá no fundo me dizia que eu devia ir sozinho. A professora não deixou ele ir comigo.
Fiquei na enfermaria tomando chá até na hora da saída, e Tyler foi me ver lá, pra saber se eu já estava bem. Eu disse que estava, e até sorri, mas ele não sorriu de volta, o que foi estranho. Às vezes eu acho que Tyler consegue ler a minha mente.
“Acredita, Tyler, eu tô bem”, falei, mas eu estava mentindo, eu estava longe de estar bem. Ele acenou, confirmando, e sorriu um pouco também, depois sorriu mais.
“Eu fiquei preocupado”, ele falou. “Você passou dois dias sem aparecer nem dar notícias, e na segunda-feira você mal falou comigo”.
Eu não sabia como explicar. Era mais fácil me desculpar, então foi o que eu fiz.
“Desculpa pelo quê, Josh?”, Tyler perguntou. Nessa hora já tinha muito menos gente na escola. “Se você não está bem não precisa se desculpar com ninguém, nem comigo.”
“Desculpa por não ter te dado uma explicação”, falei, e senti uma enorme vontade de chorar, mas segurei.
“Você não me deve explicações se não se sentir confortável para dá-las, Jishwa”, disse ele, quase me abraçando, e eu abracei ele na hora. Comecei a chorar em silêncio. “Eu nunca vou exigir nada de você.”
“Obrigado, Ty”, eu falei, fazendo um esforço para a minha voz não denunciar que eu estava chorando. Falhei, mas ele não se importou com isso.
Quando a gente se afastou eu já tinha secado a maior parte das minhas lágrimas, mas aí Tyler chegou mais perto de mim e terminou de secá-las. Quando ele terminou, sorriu um pouco e segurou minha mão, entrelaçando nossos dedos.
“Fica bem, tá”, ele falou, e eu confirmei com um aceno de cabeça.
É claro que por Tyler eu posso tentar.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Goner (don't let me be)
Fanfiction(baseada na música Goner) "Ele tirou de mim todas as esperanças que eu tinha de viver feliz por toda a minha vida. Ele é o que me faz ser infeliz. Você não fez nada de errado. A culpa é dele. A culpa é minha. A culpa é só minha. Eu já era um caso pe...
