octogésimo oitavo

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02 de janeiro de 2004 – Columbus, Ohio

Eu dormi ontem o dia todo. Acordei à noite, comi, tomei banho e voltei a dormir. Quase não falei com o pessoal da minha casa.

Quando acordei hoje e tomei meu coquetel de remédios matinal, Jim resolveu aparecer. Eu tremi na base e tentei ignorá-lo, mas ele sempre prendia minha atenção.

“Como foi seu ano novo?”, ele perguntou. Hoje ele estava com uma máscara de abóbora de Halloween, e vestia preto e branco. Ele sempre está assim.

“Você sabe como foi”, respondi.

“Ah, você passou o ano novo com aquele seu amigo Tyler”, Jim disse. A forma como ele pronunciou o nome de Tyler me fez querer bater nele até ele virar do avesso, mesmo isso sendo impossível. “Claro que sei como foi. Pra você deve ter sido as mil maravilhas.”

“Cala a boca”, eu falei. “Me deixa em paz, por favor.”

“O que você acha de eu dar um oi para o Tyler?”, ele continuou provocando. Eu fechei os olhos com força para não gritar. Senti estar perdendo o controle. “Talvez ele goste de mim.”

“Ele nunca vai gostar de você”, falei. “Você é um monstro. Você nem merece existir. Se você fosse uma pessoa real, seria a pior pessoa do mundo.”

Jim riu de mim.

“Foi você que me criou, Josh”, ele se aproximou de mim e encostou um dedo em minha testa. Eu pude ver seus olhos atrás da máscara. “Você podia me criar bom, mas parece que toda a bondade ficou para você, então me restou a crueldade. Arque com as consequências.”

Eu fechei os olhos, não queria vê-lo. Ele tirou o dedo da minha testa e levou-o ao meu pescoço, traçando uma linha de um lado ao outro. Quando ele tirou o dedo de mim, tive a coragem de abrir meus olhos, mas ele já tinha sumido.

Aí eu corri para o banheiro. Eu estava quase sem poder respirar, achei que ia passar mal. Peguei dois comprimidos de calmantes e os engoli.

Dormi pelo resto da tarde.

Goner (don't let me be)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora