vigésimo terceiro

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14 de outubro de 2003 – Columbus, Ohio

Hoje foi um dos melhores dias da minha vida.

Por sorte, as aulas de hoje acabaram às três da tarde, então eu e Tyler praticamente voamos para o ponto de ônibus. Eu percebi que ele estava um pouco aflito e eu queria muito confortá-lo, só que não fazia ideia de como eu poderia fazer isso.

Ele ficou meio “caaaara, você mora tão longe da escola” quando finalmente descemos no meu ponto. Aí a gente apostou corrida do ponto de ônibus até minha casa. Por um segundo eu esqueci que ele não sabia onde era minha casa e disparei na frente dele. Tyler é bem mais rápido e me ultrapassou em segundos, e eu ri ao ponto de quase rolar no chão quando ele passou direto da minha casa.

Tecnicamente, ele ganhou a corrida, só não parou na linha de chegada.

Minha mãe ficou surpresa ao nos ver ofegantes de tanto correr quando entramos em casa. Aí ela abraçou o Tyler e ele ficou um pouco mais tímido do que já estava (ele é fofo quando fica tímido). Depois de tomar leite e biscoitos nós dois fomos para a cozinha e minha mãe ficou por lá, para ajudar.

Aí a gente passou quase uma hora preparando os brownies. É incrível como Tyler quase não faz sujeira cozinhando. Até minha mãe ficou surpresa. Ela ficou a maior parte do tempo lendo uma revista, mas estava sempre de olho em nós.

Tyler riu quando eu não estava conseguindo quebrar os ovos. Eu não sei quebrar ovos. Eu definitivamente não levo jeito pra cozinha. Eu sou um fracasso com 15 anos de idade.

A única coisa relevante que eu fiz foi lavar a louça. Aí quando os brownies ficaram prontos, pegamos o sorvete na geladeira e comemos brownie com sorvete. Ficou uma delícia (como era de se esperar vindo de Tyler). Minha mãe, que dizia estar de regime, comeu dois pedaços.

Tyler não queria ir embora. Ele já tinha ficado para jantar, e aí a mãe dele ligou às 20:03 que ele tinha que ir para casa. Eu o levei até o ponto de ônibus e fiquei ali com ele até que o ônibus chegasse. Eu também não queria que ele fosse embora.

Aí a gente se despediu com um abraço. O mais longo que já tivemos. Foi legal. Eu nunca tinha gostado tanto de abraçar uma pessoa como gosto de abraçar Tyler.

Enquanto eu voltava (muito devagar) pra casa, eu ficava agradecendo às forças que regem o Universo por tudo ter dado certo por, pelo menos, cinco horas da minha vida.

Goner (don't let me be)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora