quadragésimo oitavo

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14 de novembro de 2003 – Columbus, Ohio

Hoje foi um dia incrível! Eu poderia sair gritando por aí que hoje foi o melhor dia da minha vida, mas prefiro guardar toda essa felicidade.

Cheguei à escola beeeem mais cedo, e por incrível que pareça Tyler já estava lá, com seu gorro vermelho. Assim que ele me viu descendo do ônibus, ele correu em minha direção e eu corri também, e depois as coisas aconteceram rápido demais. Quando percebi a gente estava se abraçando como se tivéssemos passado anos sem se ver.

Não sei por quanto tempo ficamos daquela forma, abraçados um ao outro. Aí quando a gente finalmente teve que se afastar, Tyler me deu um beijo na bochecha.

Eu não consegui fazer nada naquela hora além de ficar parado e olhar pra Tyler. Não sei a expressão que fiz, mas pareceu que Tyler achou que eu não tinha gostado e ele começou a corar muito rápido e evitar me olhar, então eu peguei a mão dele e disse “Ei, tudo bem”. Ele sorriu envergonhado e disse que esse era o presente que ele tinha pra mim. Aí eu ri e falei “Tenho certeza que não foi sua mãe que mandou você fazer isso”.

Tyler corou tanto hoje que fiquei surpreso como ele não ficou com queimaduras de segundo grau nas bochechas.

“Claro que não, Jishwa”, ele respondeu, e eu sorri ao ouvi-lo me chamar daquela forma.

Eu o convidei para entrar na escola. Estava frio. Não havia nenhum aluno do lado de fora a não ser nós dois.

Depois, ele tinha me dito que estava com tanta saudade de mim que era isso que ele tinha vontade de fazer, então ele fez. Aí ele perguntou, bem baixo e devagar: “Você gostou?”

Eu queria falar durante minutos como aquilo era estranho e bom, mas só consegui encontrar duas palavras. “Gostei”, eu respondi. “Muito”.

Ele só sorriu pra mim e corou pela décima segunda vez no dia. Tyler sempre fica fofo quando cora e acho que ele não faz ideia disso.

Tínhamos apenas duas aulas juntos hoje. Passamos essas duas aulas segurando a mão um do outro, apenas porque achamos que era bom fazer aquilo. Incrivelmente o ato me passava uma tranquilidade que eu achei que só teria no Céu.

No almoço ele me contou sobre a viagem. Ele disse que foi divertido viajar de avião. Eu nunca viajei de avião. Imagino como deve ser a sensação de estar decolando, voando cada vez mais alto.

Pedi pra Tyler descrever a sensação de decolar e por mais que ele tentasse ele não conseguia. Aí eu disse “Então compare com uma coisa que você conhece a sensação.”

Ele pensou por um tempo, aí ele finalmente disse “Decolar traz a mesma sensação que sinto todo dia quando vejo você chegando na escola.”

Eu não entendi muito bem e pedi pra ele explicar. Ele cruzou os dedos das mãos, tímido, e explicou: “É uma sensação incomparável, Josh.”

Quando ele me olhou, seus olhos brilhavam, e aquilo era tão lindo, tão lindo, tão lindo... Senti vontade de abraçá-lo no meio da escola toda, mas só segurei a mão dele naquele momento e senti que meu mundo estava completo.

E do jeito que Tyler ficava me olhando eu sei que ele também se sentiu dessa forma.

Goner (don't let me be)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora